Coronavírus: paraibana que mora na Itália revela rotina caótica e omissão de informações

Três semanas vivendo de quarentena, saindo de casa para emergências, com quatro filhos dentro de casa e com uma logística altamente complicada para comprar a própria feira. A rotina da paraibana Sara Freitas, radicada na Itália há 15 anos e enfrentando a pandemia do Coronavírus na cidade de Milão, ela conversou com exclusividade com o Paraíba Feminina e revelou como os dias dentro de casa mudaram a vida da família e a rotina de todos os italianos (e do mundo inteiro também já, né?). Relato foi feito para o portal Paraíba Feminina.

Confira abaixo um recorte da nossa conversa dividido por assunto.

A situação na Itália

“Praticamente tudo tá fechado. Só funcionam supermercado, hospital e farmácia. Só podemos sair em situação de grande necessidade. Só sai de casa se for obrigado a trabalhar, mas não se deve sair para que o vírus pare de se difundir. Não podemos ficar muito tempo fora. Temos que seguir as mesmas regras da China para reduzir o número de contágio”, destacou.

Ela conta ainda que faz a feira pela internet, onde a entrega ocorre na entrada do prédio e sem tentar ter o menor contato possível com as pessoas. Ressalta ainda que a grande demanda feita online tem deixado a fila de entregas gigantesca fazendo com que haja a necessidade de ir no mercado em busca de insumos. “Isso tudo modificou  o modo de viver dentro de casa. Tenho 4 filhos e tive de repensar como viver. Meu  marido trabalha em casa, as crianças estão assistindo aula em casa, online, com vídeos e exercícios”, disse.

Fila no supermercado. Um metro e meio de distância. (Fonte: arquivo pessoal)

Lazer

“As pessoas podem sair, mas não por muito tempo. Fazer exercícios ou outras coisas desacompanhados pode, mas ficar sempre a um metro e meio de outras pessoas. O máximo que fazemos com os filhos é passear de bicicleta. Lugares que crianças tocam, como brinquedos em praças, estão sendo evitados para evitar a contaminação do vírus”.

                                                          Rotina alterada e aulas em casa. (Fonte: arquivo pessoal)

Visão pessoal

“Alguns problemas não estão muito claros. Este é um vírus como uma gripe que está vitimando quem está com a imunidade baixa. Estão se preocupando em demasia e com isso criou-se uma sensação de não estar bem com outras pessoas. Muito mais grave é que a Itália é o segundo lugar mais infectado porque o país investiu em identificar a doença o quanto antes e todos os resultados positivos foram publicizados. A grande maioria das mortes foram de idosos acima de 80 anos. Quem tem contato com vírus e tem uma boa saúde o corpo, resiste. Ele está atacando quem tem algum tipo de problema que se agrava com os danos do Coronavírus”.

                                                                                                 (Fonte: arquivo pessoal)

A paraibana ainda destacou que é preciso ocorrer uma melhor divulgação dos resultados dos outros países, como tem ocorrido na Itália, Brasil, China. Em especial os países da Europa e os Estados Unidos, que têm omitido os dados.

“Tiramos algumas coisas positivas disso. Depois de horas assistindo aulas no computador e usando celulares para nos divertir, chegamos num ponto que tivemos que procurar alternativas para passar o tempo. Voltamos aos livros, aos jogos de tabuleiro, as crianças começaram a fazer atividades que ainda não tinham despertado interesse, como cozinhar, arrumar a casa, limpar. Também tivemos que manter uma rotina de cotidiano normal, afinal não estamos em férias”.

                                                                           Ruas desertas. (Fonte: arquivo pessoal)

“Tivemos que redescobrir uma nova forma de conviver sem tanta tecnologia. Redescobrimos a leitura, o prazer de ficar em família e respeitar o espaço de cada um”.

“Me preocupa saber o que tem atrás de tudo isso. Lógico que existe um risco maior com as pessoas idosas, que já são mais vulneráveis. Imagino que seja algo ligado a reduzir a força de algumas potências mundiais, como a Europa e a China. Mas acredito que seja tenha algo que não esteja sendo contado, e que ainda não sabemos, mas não creio que isso tudo tenha só a ver com a natureza”.

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