Coronavírus leva Nova York a abrir valas comuns para enterrar mortos

O alto número de mortes causadas pelo coronavírus na cidade de Nova York levou a prefeitura a usar valas comuns para enterrar as vítimas.

Imagens capturadas por meio de um drone nesta quinta-feira (9) mostram coveiros com trajes especiais de proteção enquanto enterram caixões em grandes valas abertas em Hart Island, na costa leste do distrito do Bronx.

O local vem sendo usado pela prefeitura desde o século 19 para enterrar corpos de nova-iorquinos sem parentes próximos ou cujas famílias não estejam em condições de organizar um funeral.

A pandemia de coronavírus colocou os Estados Unidos no topo da lista de países que registram a maior quantidade de contaminações no mundo. Até a manhã desta sexta-feira (10), mais de 466 mil casos foram confirmados, e quase 17 mil mortes, registradas, de acordo com a universidade Johns Hopkins.

Só na cidade de Nova York, são 5.150 mortes.

Em circunstâncias normais, cerca de 25 corpos são enterrados por semana em Hart Island. O número, entretanto, começou a aumentar desde março, na medida em que as mortes por coronavírus também aumentavam na metrópole americana.

De acordo com Jason Kersten, representante do departamento que supervisiona os enterros, a demanda atual é de mais de 20 corpos por dia, cinco dias por semana.

A abertura de valas e os enterros geralmente são feitos por detentos do sistema penitenciário de Nova York. Um surto da Covid-19 na principal prisão da cidade, entretanto, levou a prefeitura a contratar trabalhadores temporários para executar o serviço.

“Por motivos de distanciamento social e segurança, as pessoas sob custódia sentenciadas na cidade não estão ajudando nos enterros enquanto durar a pandemia”, disse Kersten.

Antes do enterro, os mortos são embrulhados em sacos para corpos e colocados dentro de caixões de pinho. Os nomes dos falecidos são escritos em letras grandes na tampa de cada caixão, o que ajuda se um corpo precisar ser desenterrado posteriormente. Depois, os caixões são enterrados em grandes valas abertas por escavadeiras.

A ilha também pode ser usada como um local para enterros temporários, caso as mortes ultrapassem a capacidade dos necrotérios de Nova York, mas esse é um limite que ainda não foi alcançado.

“Todos esperamos que não seja necessário chegar a isso”, disse Kersten à Reuters. “Ao mesmo tempo, estamos preparados se isso acontecer.” A notícia é da Folha.

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