Cartaxo e secretários de Saúde são investigados por coagirem servidores a trabalharem em campanha eleitoral

O promotor de Justiça do Patrimônio Público, Ádrio Nobre Leite, instaurou um inquérito civil para investigar o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), e os secretários de Saúde Adalberto Fulgêncio (titular) e Ana Giovana Medeiros (adjunta) por coagirem servidores da Prefeitura de João Pessoa para atuarem na campanha eleitoral do irmão gêmeo do prefeito, Lucélio Cartaxo (PV), candidato a governador em 2018.

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De acordo com as investigações, 70 servidores teriam, durante o período eleitoral, sido postos em situação de desvio funcional. Maioria destes seriam contratados por excepcional interesse público e atuavam nos distritos sanitários de João Pessoa.

No inquérito civil público, instaurado em abril deste ano, é relatado que, na primeira semana de agosto de 2018, houve uma reunião no gabinete da secretária adjunta da Saúde, Ana Giovana, com as cinco diretoras dos Distritos Sanitários Kaligia Deininger (DS I), Joyce Lane Braz (DS 2), Camila Sousa (DS 3), Katherine Alves (DS 4), Fabíola de Oliveira (DS 5) e a gerente de Atenção Básica Naedina Gomes. A reunião teria o aval do secretário Adalberto Fulgêncio e do prefeito Luciano Cartaxo e teria sido organizada pelo secretário adjunto do Desenvolvimento Social, Vítor Cavalcante.

A pauta da reunião teria sido o mapeamento da folha de pessoal dos Distritos Sanitários para poder definir 14 servidores de cada unidade que para realizarem “diariamente, durante 45 dias de campanha, visitas qualificadas, ou seja, visitar residências individualmente, aplicando um questionário pré-definido”.

Ainda de acordo com as investigações, o objetivo das visitas qualificadas era “tentar modificar o voto dos entrevistados quando a resposta do voto se dava em desfavor do candidato Lucélio Cartaxo”.

Os servidores que teriam sido coagidos pela gestão do prefeito Luciano Cartaxo faziam este trabalho de campo na campanha e o expediente nos Distritos não eram cumpridos. O trabalho seria “travestido em férias simuladas com períodos de 15 dias ou 30 dias” e depois, acrescia mais 15 dias, “com início no dia 20 de agosto”.

Após serem convocados e coagidos, os servidores também eram obrigados pelos diretores dos Distritos Sanitários a preencherem os formulários de requisição de férias. Ao assinarem, também recebiam um “kit visita qualificada”.