O laudo pericial feito pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão Orelha, ocorrida em 11 de fevereiro, não identificou a causa da morte do animal comunitário agredido na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro.
O documento, no qual o repórter Jean Raupp, da NSC TV, teve acesso com exclusividade, descartou qualquer fratura no esqueleto do animal, mas citou que a conclusão “não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou mesmo em outras partes do corpo”.
O laudo tem 19 páginas e é parte de uma série de novos pedidos de informações à Polícia Civil feitos pelo Ministério Público de Santa Catarina.
O documento concluiu o seguinte:
- Houve a morte do animal.
- A análise dos restos mortais não permitiu afirmar qual foi a causa da morte.
- Não foram constatadas quaisquer fraturas nos ossos do animal.
- A ausência de fraturas não implica ausência de ação contundente contra a cabeça do cão — como apontou a Polícia Civil, que disse que a morte de Orelha teria sido causada por um golpe na cabeça com objeto contundente e sem ponta.
- O texto cita que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, porém ainda são capazes de levar os animais à morte.
- Não foi constatado qualquer vestígio que sustente a hipótese de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal, como chegou a ser veiculado nas redes sociais.
- Constatou-se na região maxilar esquerda do crânio uma área de porosidade óssea não observada no lado oposto, compatível com osteomielite (infecção óssea). A forma como a porosidade foi observada revela um processo crônico, “não havendo qualquer relação com a ação traumática a qual o animal foi submetido”.
- Na coluna vertebral, foi observada presença abundante de osteófitos (resposta do corpo ao processo de sobrecarga e desgaste), compatíveis com espondilose deformante — uma doença degenerativa crônica comum em animais idosos, sem relação com o possível trauma recente.
No texto, os peritos destacaram limitações importantes para a realização do trabalho. O animal, por exemplo, já estava em fase de esqueletização, comprometendo a análise de tecidos moles. “Assim, o exame se limitou à minuciosa avaliação óssea dos remanescentes mortais”, diz o documento.
Porque o MP solicitou novas diligências à Polícia Civil
Um mês depois da morte de Orelha, em 4 de fevereiro, o MP recebeu a conclusão das investigações. No dia 10, o órgão solicitou informações complementares à Polícia Civil após apontar que o material reunido apresentava lacunas que impediam a formação de uma opinião sobre o caso.
As diligências solicitadas foram enviadas na última sexta-feira (20). Foram 35 novas ações solicitadas pelo MP, além de outros 26 atos de investigação e mais 61 diligências extras. Entre os pedidos, estava a exumação do corpo do animal.
Agora, o MPSC segue a análise do material para decidir se acolhe o pedido de internação do adolescente apontado como autor, se pede mais investigações ou se arquiva o caso.
A investigação está em segredo de Justiça por envolver adolescentes, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Entenda o caso
Orelha foi agredido em 4 de janeiro e morreu no dia seguinte após ser resgatado por populares. Comunitário, o animal recebia cuidados de vários moradores na Praia Brava, bairro turístico da Capital.
Em um laudo inicial, baseado no atendimento veterinário que o animal recebeu, a Polícia Civil apontou que a morte de Orelha teria sido causada por um golpe na cabeça com objeto contundente e sem ponta.
O MP recebeu o documento e solicitou a exumação do corpo do animal para a realização de um novo laudo. A exumação foi realizada em 11 de fevereiro.
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