Barragem em Barão de Cocais, nas Minas Gerais, pode se romper

A barragem da mina do Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), pode se romper a partir de domingo (19). É o que aponta documento da Vale a que o Ministério Público do estado teve acesso. A estrutura fica a 100 km de Belo Horizonte e a 144 km de Brumadinho, onde o rompimento de uma barragem da Vale em janeiro deixou 240 mortos e 30 desaparecidos.

Em recomendação emitida hoje, o MP deu prazo de seis horas para a mineradora informar ao órgão como fará para alertar dos riscos a população que pode ser atingida e o apoio que prestará no caso de o rompimento se concretizar. Em nota enviada ao UOL, a Vale disse que “não há elementos técnicos” para afirmar que a barragem pode ser comprometida, mas que está tomando providências e realizará um novo simulado de evacuação no sábado (18) para reforçar o treinamento da comunidade.

Segundo o MP, a mineradora verificou que há uma deformação no talude norte da cava de Gongo Soco, na mina de Gongo Soco, e que, se esse talude se romper, provocará vibrações que poderão comprometer a barragem Sul Superior e levar ao seu rompimento. Ainda segundo o MP, no documento, a Vale estima que, na velocidade em que está a movimentação do talude, a ruptura poderá ocorrer entre domingo (19) e o dia 25 de maio.

“De acordo com os dados atuais de monitoramento pelo radar instalado na cava, existe a possibilidade de deslizamento do talude norte da Cava de Gongo Soco. As trincas no talude estão evoluindo e os dados de monitoramento demonstram que a movimentação no talude norte da cava está aumentando”, diz o MP.

A própria Vale informou nesta semana que uma movimentação no talude a fez colocar a barragem em nível de alerta para rompimento.

Talude é a estrutura semelhante a uma escadaria, em grandes proporções, que se forma ao redor da cava, que é de onde se retira o minério de ferro. A barragem Sul Superior, local de depósito do rejeito da produção da mina, fica 1,5 quilômetro à frente da cava.

‘Faltam elementos técnicos’

A mineradora disse, no comunicado enviado, que “não há elementos técnicos até o momento para se afirmar que o eventual escorregamento do talude desencadeará gatilho para a ruptura da barragem”. Mas que, “mesmo assim, está reforçando o nível de alerta e prontidão para o caso extremo de rompimento” e “monitorando a cava 24 horas por dia”.

A empresa disse ainda que intensificará a veiculação de informações em rádios da região e por meio de panfletagem. O novo simulado de evacuação será realizado às 15h deste sábado. “As equipes da Vale vão apoiar a realização do simulado, que será conduzido pela Defesa Civil”, disse a empresa.

Alerta constante

A população de Barão de Cocais está em alerta desde 8 de fevereiro, quando 433 pessoas foram retiradas de suas casas durante a madrugada depois que uma empresa de consultoria negou declaração de estabilidade à estrutura da Vale.

Pouco mais de um mês depois, em 22 de março, a sirene do sistema de segurança da barragem da mina da Gongo Soco foi acionada durante a noite. Na ocasião, o município afirmou que “por orientação da Agência Nacional de Mineração (ANM)”, o nível de alerta da barragem havia passado para 3, que é o grau máximo.

Apoio à população

Na recomendação de hoje, o MP pede que a Vale esclareça os riscos a que a população está sujeita, informando por meio de carros de som, jornais e rádios sobre possíveis riscos, potenciais danos e impactos de um eventual rompimento.

Além disso, o MP pede que a empresa forneça às pessoas eventualmente atingidas apoio logístico, psicológico, médico, bem como insumos, alimentação, medicação, transporte e tudo que for necessário, mantendo posto de atendimento 24 horas nas proximidades dos centros das cidades de Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo. Com informações do UOL.

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