Bancada de Bruno torra mais de R$ 1,6 milhão com ‘verba de reembolso’ na Câmara de CG em nove meses

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Bancada de Bruno torra mais de R$ 1,6 milhão com ‘verba de reembolso’ na Câmara de CG em nove meses
(Foto: Reprodução/Instagram)

Em um período de apenas nove meses, os 12 vereadores de Campina Grande que compõem a bancada de situação, dando apoio a gestão do prefeito Bruno Cunha Lima (União Brasil), torraram mais de R$ 1,6 milhão em dinheiro público da Verba Indenizatória da Atividade Parlamentar (VIAP). O levantamento exclusivo do Paraíba Já detalha os gastos dos parlamentares campinenses.

O valor do reembolso foi de exatos R$ 1.698.969,37, de acordo com dados oficiais da própria Câmara de Campina Grande.

Os vereadores que mais gastaram verba pública foram Alexandre do Sindicato (R$ 151,1 mil), Rafafá (mais de R$ 148 mil) e Ivonete Ludgério (R$ 148 mil).

A quantia é suficiente para:

  • pagar mais de 1110 salários mínimos;

  • pagar o salário de mais de 590 profissionais de enfermagem;
  • financiar 56 cirurgias de alta complexidade e mais de 270 cirurgias de média complexidade;

  • comprar cinco ambulâncias com UTI novas;

  • ou cobrir o orçamento de várias creches.

Confira ranking completo

ParlamentarTotal (janeiro a setembro/2025)
Alexandre do SindicatoR$ 151.165,93
RafafáR$ 148.035,69
Ivonete LudgérioR$ 148.000,00
Fabiana GomesR$ 146.000,00
Saulo GermanoR$ 145.870,88
Severino da PrestaçãoR$ 145.994,18
Pâmela VitalR$ 147.256,25
Carol GomesR$ 144.959,34
Frank Alves (corrigido)R$ 144.644,40
Saulo NoronhaR$ 135.966,69
Dinho PapaléguasR$ 129.428,46
Luciano BrenoR$ 111.647,55

Ressalte-se que não constam na transparência os gastos de Dinho Papa-Légas referente ao
mês de setembro, bem como os gastos de Pastor Luciano Breno nos meses de julho e agosto.

Enquanto a renda média do trabalhador campinense não passa de R$ 1.700 por mês, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cada gabinete governista consome R$ 15.700, quase dez vezes mais. Em nove meses, o gasto de um único vereador ultrapassa R$ 140 mil, valor equivalente a sete anos de salário de quem vive do trabalho na cidade.

Para igualar o que um vereador gasta em 9 meses, um trabalhador campinense precisaria trabalhar de 6 a 7 anos sem gastar absolutamente nada.

Nenhum dos parlamentares gastou menos de R$ 110 mil no período. Seis vereadores gastaram acima de R$ 145 mil.

Propaganda pessoal lidera gastos

A análise consolidada dos valores da VIAP apontam que a verba pública tem sido usada majoritariamente para serviços voltados à autopromoção e à blindagem jurídica dos mandatos.

Gasto total por categoria:

  • Comunicação (divulgação + redes sociais + vídeos): R$ 430.884,58

  • Consultoria Jurídica: R$ 346.200,00

  • Combustível: R$ 89.848,32

  • Consultoria Contábil: R$ 78.950,00

  • Locação de imóvel: R$ 21.000,00

Somente em propaganda e jurídico o gasto chega a R$ 777.084,58, equivalente a 45,7% de todo o gasto da bancada governista na Casa de Félix Araújo.

Ou seja: para cada R$ 10 gastos pela base do prefeito, R$ 4,57 – quase metede – vão para propaganda e blindagem jurídica.

Missão: viralizar

O bloco de apoio a Bruno Cunha Lima gastou R$ 430 mil apenas com propaganda, em itens como: publicações em redes sociais, vídeos e produção audiovisual, artes gráficas, mídias e publicidade.

Para efeito de comparação: esse valor supera o orçamento anual de várias secretarias municipais de pequeno porte Brasil afora.

Consultorias jurídicas revelam blindagem parlamentar

O gasto de R$ 346 mil em serviços jurídicos é também um dos mais expressivos.

Os gabinetes contratam advogados mensalmente, sem detalhamento público das atividades, sem transparência sobre pareceres produzidos, e muitas vezes sem vínculo direto com ações legislativas e benefícios à população.

Esse comportamento sugere que a verba pública da Câmara funciona como uma estrutura de defesa pessoal dos mandatos, e não de fortalecimento da atividade parlamentar.

Verba para combustível seria o suficiente para dar cinco voltas na Terra

Com o gasto de R$ 89.848,32 em gasolina e o preço médio de R$ 6,13, conforme pesquisa divulgada pelo Procon de Campina Grande neste mês de novembro, foram abastecidos 14.657 litros de combustível.

Em um paralelo, com um carro fazendo 12 km/L, o veículo rodaria 175.885 km. Isso equivale a 4,4 voltas completas na Terra (circunferência: 40.075 km).

Projeção total para 2025

Se mantiverem o mesmo ritmo, até dezembro a bancada de situação deve torrar mais R$ 2,2 milhões com gasto da verba pública do VIAP da Câmara de Campina Grande.

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