Aulas de História teriam poupado vereador de João Pessoa de passar vergonha monumental

Confesso que não tive como acompanhar a sessão da Câmara Municipal de João Pessoa dessa terça-feira na íntegra. Mas, ao saber que tive um artigo rebatido pelos vereadores da oposição, me senti na obrigação de assistir o vídeo completo disponibilizado no YouTube.

Após escutar os discursos serenos e elegantes da oposição, outro fato me chamou a atenção e me fez esquecer por alguns instantes a gravidade do áudio envolvendo o prefeito Luciano Cartaxo (PV), tema da minha coluna ontem.

O vereador Carlão (DC). Já o conhecia por algumas bizarrices, tais quais ter proposto o título de cidadania ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), que nada fez de relevante pela Capital dos paraibanos. Aliás, pelo que me lembre, só pisou aqui na pré-campanha em busca de apoio.

Sequer tinha gravado a sua aparência física [a de Carlão]. Hoje, posso dizer que tive uma das piores experiências ao ouvir [e ver] o seu discurso em defesa do Golpe Militar de 1964, fazendo coro à vereadora ultraconservadora Eliza Virgínia.

Primeiro, ele disse que os militares foram importantes para resguardar “a verdadeira democracia” contra grupos que se organizavam para “tomar de assalto” o poder no Brasil. Mas como? Se a democracia foi interrompida justamente a partir do início do regime militar? Além disso, não há evidência alguma de que os grupos de esquerda no Brasil tivessem organização e força suficiente para tomar o poder. Se a Coluna Prestes, mil vezes mais articulada, com contingente superior de militantes e simpatizantes e com financiamento concreto não conseguiu décadas antes…

Aliás, um fato que poucos conhecem é que o general Olímpio Mourão Filho [não tem nada a ver com o vice-presidente Mourão] foi o principal arquiteto do Plano Cohen – um complô comunista fake forjado pelo próprio general que serviu de pivô para que Getúlio Vargas declarasse estado de sítio na nação e iniciasse o Golpe que culminou com o Estado Novo, que durou de 1937 a 1946. Adivinhem quem teve papel fundamental no golpe de 31 de março de 1964? Sim, ele. O mesmo general que décadas atrás forjou uma ameaça comunista para servir de bode expiatório. Coincidência, não?

Depois, ele diz que os militares, acreditem, tomaram o poder no Brasil de forma “democrática e constitucional”. O que ele esqueceu de citar foi que o presidente do Congresso Nacional na época, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a presidência com o João Goulart, presidente constitucionalmente da época, ainda em solo nacional. Um golpe na constituição, um golpe de Estado.

De fato, não houve derramamento de sangue nem resistência no dia em que os militares tomaram o poder, como bem frisou o vereador. Mas isso foi porque João Goulart já sabia da Operação Brother Sam, colocada à cabo pelos Estados Unidos da América, em caso de resistência contra a intervenção militar. O que Jango não quis foi um banho de sangue no Brasil.

Só o conhecimento pode livrar as pessoas da ignorância, do obscurantismo e da intolerância. Um povo que não conhece sua história, está fadado a repeti-la… Ou distorcê-la.