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Cotidiano

Assim como Queiroz e família, Flávio Bolsonaro também não vai depor

O senador Flávio Bolsonaro (PSL) informou, por meio de comunicado publicado em seu perfil no Facebook, que não comparecerá ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) nesta quinta-feira (10) –ele era esperado para depor sobre movimentações atípicas identificadas em conta de seu ex-assessor Fabrício Queiroz pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividade Financeiras), órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que, como não é investigado pela Promotoria, sua defesa solicitou os autos do processo para “tomar ciência dos fatos”. Ele se comprometeu a agendar uma outra data para o depoimento após ter acesso às investigações. “Reafirmo que não posso ser responsabilizado por atos de terceiros, como parte da grande mídia tenta, a todo custo, induzir a opinião pública”, afirmou o senador.

O policial militar José Carlos de Queiroz era motorista de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). O documento do Coaf, anexado à investigação da Operação Furna da Onça que levou dez deputados estaduais à prisão no Rio, revelou que depósitos feitos em espécie na conta do ex-assessor coincidiam com as datas de pagamento na Alerj. Nove assessores e ex-assessores de Flávio repassaram dinheiro para o motorista.

O senador foi convidado pelo MP no dia 21 de dezembro a depor nesta quarta-feira –na ocasião, a data fora informada pela Promotoria à imprensa. No entanto, Flávio disse hoje que só foi notificado da data do depoimento na última segunda-feira (7). Por prerrogativa parlamentar, Flávio optou por comparecer em outra data.

Em entrevista ao “SBT” exibida no dia 26 de dezembro, Queiroz disse que parte do dinheiro movimentado vem de negócios como compra e venda de carros. “Eu sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro, compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro… Sempre fui assim, gosto muito de comprar carro de seguradora, na minha época lá atrás, comprava um carrinho, mandava arrumar, revendia, tenho uma segurança”, declarou na entrevista.

Na última terça (8), a mulher e as duas filhas do Queiroz também não compareceram ao MP para prestar depoimento. Elas haviam sido intimadas para dar esclarecimentos sobre a movimentação de mais de R$ 1,2 milhão, em um período de 13 meses (entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017), na conta de Queiroz –na época, o ex-assessor recebia um salário de R$ 23 mil no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

O motivo da ausência, de acordo com o advogado Paulo Klein, foi uma cirurgia de retirada de um tumor à qual Queiroz foi submetido no dia 1º deste mês. “Os familiares precisam estar juntos nesse período, que marca o início da quimioterapia”, disse o defensor. Diagnosticado com câncer no intestino, Queiroz recebeu alta do hospital na última terça, segundo o Hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo.

Em duas ocasiões, o ex-assessor faltou a depoimento no MP alegando questões de saúde. A defesa dele encaminhou laudos médicos à Promotoria no último dia 27 para justificar as ausências.

A mulher e as duas filhas de Queiroz foram citadas no relatório do Coaf por terem depositado recursos na conta do ex-assessor. Nathalia Melo de Queiroz repassou a ele R$ 97.641,20, segundo o órgão fiscalizador. Reportagem do UOL revelou que Nathalia acumulava em 2011 emprego de recepcionista em uma rede de academias no Rio, cargo de assessora de Flávio e a faculdade de Educação Física. A reportagem não a localizou para comentar.

Ex-assessor depositou R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro

O relatório também identificou depósito de Queiroz no valor de R$ 24 mil na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente justificou que o depósito do ex-assessor do filho na conta de Michelle se tratou do pagamento de parte de uma dívida de R$ 40 mil com o próprio Bolsonaro.

De acordo com o presidente, Queiroz utilizou a conta da primeira-dama para receber o dinheiro “por questão de mobilidade”. Bolsonaro também alegou que tem pouco tempo para ir ao banco em razão da rotina de trabalho.

A comunicação do Coaf não significa que haja irregularidade na transação, mas mostra que os valores movimentados, ou o tipo de transação envolvida, não seguiram o padrão esperado para aquele tipo de cliente.

No total, o MP-RJ instaurou 22 inquéritos criminais para esclarecer suposta participação de parlamentares e servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em movimentações bancárias não compatíveis com seus salários. Do UOL.

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Redação Paraíba Já

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