Aprender inglês pode ser fator de inclusão para crianças com deficiência

Estudos e relatos de profissionais sobre o dia a dia na sala de aula comprovam como o idioma pode contribuir para o desenvolvimento dos alunos.

Portrait of teacher looking at a drawing schoolgirl’s copybook at lesson

O ensino de inglês para crianças com deficiência é capaz de promover a inclusão e ampliar as oportunidades. Estudos e relatos do dia a dia na sala de aula comprovam que o contato do aluno com outro idioma contribui para o processo de socialização e o desenvolvimento cognitivo.

Estudo sobre o tema realizado pelo pesquisador da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) Marcos Venicio Esper e publicado pela revista científica Construção Pedagógica, em 2021, esclarece que a linguagem é uma função mental que permite a compreensão de informações por meio dos canais sensoriais. A partir disso, há o processamento dos estímulos recebidos pelas diferentes regiões cerebrais.

O pesquisador afirma que entender a função da linguagem é fundamental para quem dá aulas de inglês para crianças com deficiência. Segundo ele, trata-se de um conhecimento  mais aprofundado, pois é necessário compreender como o aluno expressa vontades, sentimentos e intenções.

Para isso, os profissionais que dão aulas em escola de inglês e no ensino regular devem ter o preparo para trabalhar não só com o ensino do idioma, mas com a competência da linguagem. Assim, além de currículos adaptados, haverá a motivação necessária para o aprendizado das pessoas com deficiência. 

O pesquisador defende que o ambiente escolar é importante não só para a socialização, como também para a constituição do aluno como sujeito. As pessoas com deficiência podem realizar as atividades propostas, mesmo que com limitações e em um tempo diferente das demais. 

De acordo com o pesquisador, essas diferenças devem ser abraçadas por familiares, psicopedagogos, profissionais da educação e da saúde, responsáveis por traduzir o contexto individual e subjetivo das pessoas com deficiência quando necessário.

Dia a dia na sala de aula 

Em depoimento concedido ao projeto Observatório Ensino da Língua Inglesa, o professor Genivan Belo Jesus contou como foram as experiências de ensino para estudantes com deficiência ao longo de sua trajetória acadêmica no estado do Espírito Santo.

Ele relata que, quando deu aulas de inglês para uma aluna com deficiência auditiva, a escola disponibilizou uma intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras). A profissional ajudava com a interação em sala e a realização de perguntas para o esclarecimento de dúvidas. As avaliações escritas não eram diferenciadas e a estudante tinha um bom desempenho.

Em outro momento, o professor lecionou aulas para uma aluna sem diagnóstico específico. Ela apresentava dificuldades na fala e não escrevia. Mas o professor reconheceu a facilidade dela em associar imagens com as palavras em inglês. Assim, ele passou a trabalhar mais elementos visuais durante as aulas, apresentando desenhos, fotos e vídeos.

Segundo ele, a iniciativa contribuiu para o sentimento de pertencimento ao grupo e, também, para o aprendizado, pois mesmo com as dificuldades na fala, ela reconhecia os objetos mostrados e pronunciava da sua forma as palavras em inglês. 

Educação inclusiva é direito

Doutora em Direito e responsável pela produção de dados sobre educação inclusiva no país, Luiza Corrêa reafirma que diferentes estudos mostram haver resultados positivos tanto para os estudantes, quanto para as instituições de ensino que abraçam a diversidade.

No artigo “A inclusão de pessoas com deficiência na educação”, publicado em 2021, ela afirma que alterar as práticas educativas para direcioná-las a um formato inclusivo promove o impacto positivo na aprendizagem de forma geral, além de assegurar um direito garantido em lei.

Ela destaca que a Constituição Federal e a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência garantem uma educação inclusiva, em que os alunos com e sem deficiência compartilham o mesmo ambiente escolar. 

Na avaliação da especialista, o modelo de ensino que homogeneiza os alunos está defasado. As escolas devem abraçar a diversidade de forma a reconhecer e fomentar os potenciais de cada estudante.