Análise: Violência contra a mulher: vivenciando a sororidade e a empatia pela vida

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Análise: Violência contra a mulher: vivenciando a sororidade e a empatia pela vida
Imagem Ilustrativa

*Por Valquiria Alencar

Diante do crescimento assustador da violência contra a mulher em todo o país, cada vez mais essa tragédia assusta e vulnerabiliza todas as mulheres e a sociedade, especialmente o crime de feminicídio, a forma mais extrema de violência. Afinal, 21.458.206 mulheres foram vítimas de violência, em 2024, no Brasil. O que significa, 37,5% das mulheres brasileiras.

Esses dados trazem uma reflexão: como o ódio às mulheres pode ser tão forte a ponto de maltratar e até matar alguém da sua relação, do seu afeto, (muitas vezes) a mãe dos seus filhos? Na educação doméstica, na escola, no trabalho, nos dogmas religiosos, na mídia, na sociedade. Nos espaços da longa caminhada de construção do ser humano homem.

Por isso, o Cendac idealizou a campanha ‘Por Todas Nós e Por Elas também – Pela Vida das Mulheres’, junto com várias parcerias, que visa a prevenção da violência contra a mulher. Ela traz propostas de dar visibilidade a essa tragédia familiar cotidiana, de mudança de atitude e de comportamento em relação às mulheres e propiciar informação de prevenção e de assistência às vítimas. E isto não se faz sozinho (a), é preciso atravessar pontes, construir laços e fortalecer a ação coletiva. Uma campanha ampla e propositiva, com a diversidade de setores que atuem firmemente identificados com este propósito.

“A violência contra a mulher é democrática”, já dizia a professora Helleieth Saffiotti, pois afeta as mulheres na sua diversidade, qualquer que seja a sua condição de classe social, raça, etnia, idade, religião, orientação sexual, situação econômica ou pessoa portadora de deficiência, entre outros.

A construção de comportamentos legitimados socialmente para homens e mulheres cria e perpetua espaços para que as violências aconteçam sempre que uma pessoa não se encaixa nos padrões esperados ou nos comportamentos diferenciados. Diferenças, então, são transformadas em desigualdades e não em pluralidade.

A desvalorização e a discriminação para com as mulheres agem para a manutenção da situação de violência. Fazem com que, muitas vezes, a violência sequer seja reconhecida por quem a pratica e por quem sofre. Mas, também para que, quando reconhecida e identificada, permaneça silenciada e negada.

O palco mais comum dessa tragédia é o espaço doméstico, a casa, o que possibilita o silêncio da vítima, a total liberdade para o agressor e a omissão e até a conivência da família e vizinhos.

Por isso, é preciso informar e sensibilizar a sociedade sobre esta temática tão plural, para que as mulheres se apercebam das manifestações da violência, em todas as suas formas. Se apercebam dos sinais, identifiquem as atitudes agressivas e entendam que é uma vítima e que se fortaleçam. E, mais importante, procurem ajuda!

Uma ferramenta importante para ajudar, enfrentar e prevenir a violência doméstica é a informação – precisa, acessível e objetiva, que traga luz sobre esse fenômeno complexo e multifacetado que destrói as relações entre mulheres e homens (e a família como um todo) em todos os âmbitos da vida das mulheres, desde crianças até o seu extremo ou o seu suspiro final, o feminicídio.

*Presidente do Cendac

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