Abraham Weintraub recebe título de ‘persona non grata’ pela Câmara Legislativa do DF

Documento, de autoria do deputado distrital Chico Vigilante (PT), cita "notória incompetência na condução das políticas educacionais"

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (12) o título de ‘persona non grata’ ao ex-ministro da Educação Abraham Weintraub. A moção de repúdio significa “pessoa não querida”. O G1 tenta contato com o ex-ministro.

O documento, de autoria do deputado distrital Chico Vigilante (PT), cita “notória incompetência na condução das políticas educacionais” e “completa falta de educação e de respeito à democracia e às instituições”.

“Não merece consideração desta cidade. Veio para trabalhar aqui, mas é incompetente, ingrato e mal educado. É persona non grata”, escreveu o distrital.

Vigilante mencionou ainda que Weintraub teria se referido ao DF e habitantes como “porcaria e cancro de corrupção e privilégio”.

O sistema da CLDF aponta que, desde 1998, houve outras três moções de persona non grata aprovadas. Conforme os registros, Abraham Weintraub ganha o título após de:

  • Augusto Pinochet, ditador chileno, em 1998;
  • Jean Pierre Juneau, embaixador do Canadá, devido a proibição de importação de carne bovina brasileira, em 2001;
  • George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos, com moção aprovada em 2003.

Críticas e multa

Além de persona non grata pelo Legislativo brasiliense, Weintraub já foi alvo de críticas também por parte do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB). Em entrevista ao G1, em junho, o chefe do Executivo se posicionou contra a gestão do então ministro. “Se ele já não tiver caído, já deveria ter caído há muito tempo. Aliás, ele nunca nem devia ter chegado lá”, disse.

Ainda em junho, Ibaneis pediu providências ao DF Legal, órgão de fiscalização da capital, para que multasse Weintraub por não usar máscara de proteção durante uma manifestação de apoiadores do presidente Bolsonaro (veja abaixo). O acessório é obrigatório por decreto na capital. Ainda no cargo, ele foi cobrado em R$ 2 mil pela infração sanitária.

No dia da manifestação, a Esplanada dos Ministérios estava restrita, com proibição de manifestantes, devido a ameaças de ataques contra os Poderes. O protesto que contou com o apoio do então ministro descumpria a ordem.

“Ele, deliberadamente, foi participar de uma manifestação em um ambiente que já estava fechado, eu já tinha decretado o fechamento da Esplanada. Ele foi sem qualquer tipo de máscara, ou seja, não mostrou nenhum sinal de respeito”, disse Ibaneis.

Exoneração

Weintraub deixou o governo em junho deste ano, depois de se envolver em uma série de polêmicas e de ofender ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é alvo de investigação na Corte, que apura responsáveis por fake news, além de processo na Justiça do DF sobre declarações racistas contra o povo chinês.

O próprio ex-ministro anunciou a saída, em 18 de junho, em um vídeo ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, disse que deixaria o posto para assumir como representante do Brasil na diretoria do Banco Mundial, onde foi aprovado no mês seguinte.

O ex-ministro chegou a dizer que, quando saísse do governo, deixaria o país o “mais rápido possível”. Dois dias após anunciar a exoneração, ele foi para Miami, nos Estados Unidos.

Do G1.

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