“Romeu na Estrada”, novo livro de Rinaldo Fernandes, será lançado no dia 20

Para Rinaldo de Fernandes, a estrada da criação é uma amarelinha cortaziana: às vezes é preciso voltar muitas casas até que se possa dar o salto final. Foi assim com Romeu na Estrada (Garamond), ficção que está prevista para chegar às livrarias no próximo dia 20 e que retoma dois contos de seus livros anteriores, O Professor de Piano (2010) e O Perfume de Roberta (2005). Prestes a cumprir a movimentada agenda de lançamento do segundo romance, o escritor assumiu um autêntico “leitor da própria obra”, definição data por Sônia van Dijck quando Rinaldo ainda estreava no gênero, em 2008.

“É uma frase que define muito bem a poética do meu romance, que está sempre fazendo uma intratextualidade com a minha contística”, capitula, promovendo novamente o encontro dos seus leitores com o personagem Romeu, um professor de música que rouba o carro de um aluno e cai na estrada em uma viagem aparentemente sem rumo (leia o trecho divulgado pela editora, no box).

Tal qual o protagonista do seu ‘road book’, Rinaldo prepara-se para viajar de João Pessoa para Campina Grande, Recife (PE), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). A rotina de autógrafos vem depois de quatro anos debruçado sobre a obra, período durante o qual Rinaldo se dedicou com afinco ao texto, que recebeu sua última vírgula recentemente, durante o processo de revisão.

“Tenho esse perfeccionismo. Para mim, o romance tem que estar bem talhado e bem acabado quando chega às mãos da editora”, reflete, comparando a labuta do escritor com a de um escultor. “Gosto da associação entre os dois ofícios. São artesanatos que se parecem muito.”

O mármore que é parte constituinte do romance de Rinaldo, porém, não vem de um bloco apenas. De estrutura fragmentária, Romeu na Estrada parte de pequenas matrizes exaustivamente trabalhadas até o desfecho que (ele promete) tem tudo para surpreender os leitores: “Gosto da fragmentação, mas tenho a preocupação de não incorrer no problema histórico das vanguardas, que na busca pelo experimental acabam prejudicando a comunicabilidade.”

O enredo se remete diretamente aos contos, mas ambiciona a autonomia dos gêneros que Rinaldo exercita em sua prosa. “Os contos e o romance têm absoluta independência”, garante. “O romance é um gênero com outra estatura e outra peculiaridade. Além de ser mais longo, é mais totalizador.”

Apesar da emancipação dos dois tipos de narrativa, enquanto escrevia ‘A poeira azul’ (o conto de O Perfume de Roberta que se embrenha nas páginas de Romeu…), Rinaldo já erguia os andaimes em torno da escultura que voltaria a modelar, muitos anos depois. No trânsito entre os gêneros, permanece como proposta uma literatura centrada no personagem, segundo ele “a grande categoria do romance moderno”. E Romeu não rejeita a sua gênese Shakespeariana: o livro é uma história de amor, embora um amor que, nas palavras do autor, é “cheio de curvas” e de “idas e vindas”.

Depois de um ano produtivo, em que lançou também o e-book A História de Chico Buarque: Guia Para o Fã, o Professor e o Estudante (Amazon), Rinaldo de Fernandes sai da jaula de onde alimentou a fera romanesca com as iscas deixadas pelos seus textos breves e suspira: “Estou com saudades de escrever contos.” Quem sabe se, na infinita leitura da própria obra, não surjam agora contos baseados em romances?

Colaboração Jornal da Paraíba

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