Vídeo: Defensor de Cunha, deputado paraibano rejeita pecha de protelador

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    Eles negam vigorosamente que estejam trabalhando para impedir que o relatório do deputado Fauto Pinato (PRB-SP) seja votado no Conselho de Ética. Pinato pede que a representação contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prossiga, mas isso só acontecerá depois que esse relatório seja votado pelos membros do colegiado. Na prática, porém, a habilidade regimental e a disposição incansável faz de um certo grupo de deputados fieis guardiões de Cunha no Conselho de Ética. O grupo se reúne mais uma vez nesta quarta-feira para tentar votar o parecer de Pinato.

    Nos bastidores, Manoel Júnior (PMDB-PB) é um dos nomes que são apontados como escudeiro de primeira linha de Cunha. Durante a sessão de ontem, ele fez questões de ordem, pediu a palavra diversas vezes e protocolou um dos requerimentos de adiamento de votação do relatório preliminar de Pinato (outros dois foram protocolados). Sua atuação gerou a revolta de alguns deputados interessados em agilizar a votação.

    O deputado paraibano também contesta a legalidade de Pinato em relatar o processo. Ele alega que o PRB fazia parte do mesmo bloco parlamentar do PMDB e que, por isso, o deputado paulista estaria impedido de exercer a função. Sobre ser infantaria de Cunha, Júnior se defende. “De forma alguma. Desde o início dessa sessão, como membro suplente aqui nem votar eu voto, estamos cumprindo o regimento da Casa. O regimento precisa ser cumprido sob pena de futuramente cometermos injustiça”.

    Veja o que diz Manoel Júnior:

    Autor de um dos pedidos de adiamento de votação, João Carlos Bacelar (PR-BA) foi outro com atuação destacada. Foi apontado nos bastidores como outro integrante da tropa de choque de Cunha. Ele rejeita tal afirmação. “Em hipótese alguma”. Na prática, porém, Bacelar, como Júnior, abusou do cuidado com o regimento e fez várias intervenções, com uso da palavra, numa clássica abordagem de obstrução, que num processo que luta contra o tempo, ganha contornos ainda mais fortes.

    Ele nega ser um tropeiro de Cunha. “Defendo a tese de que o Conselho de Ética tem, acima de tudo, cumprir o regimento. O regimento da Casa e o do Conselho de Ética”, afirma ele. Bacelar admite ter votado em Cunha para presidência da Câmara, mas nega qualquer pedido do colega para que atue de forma a protelar o andamento da ação.

    Carlos Marun

    Carlos Marun (PMDB-MS) também rebate a acusação de contribuir para o atraso da votação. “Não é protelamento é o devido processo legal, regimental e ampla defesa”, resume ele. Marun ironiza os que o acusam e aos seus correligionários de proteladores. “Temos de parar com essa conversa. Falaram 20 oradores (na sessão de ontem). Dez falaram para reforça a acusação contra o deputado Eduardo Cunha. Eles que falaram para reforçar a acusação não protelaram. Nós que falamos para defender estamos protelando? Se eles não tivessem falado a votação teria acontecido”, afirma Marun.

    Paulinho da Força

    Ao contrário de Júnior, Bacelar e Marun, Paulinho da Força (SDD-SP) é titular do Conselho de Ética. Uma espécie de cristão novo, é bem verdade, afinal sua titularidade veio especialmente para fazer a defesa de Cunha. Algo que Paulinho nunca escondeu e que aliás, faz questão de reforçar. “Desde o início decidi que votaria a favor de Eduardo Cunha em qualquer situação”, disse o deputado.

    Paulinho usou seu tempo de líder na sessão de ontem, mas não fugiu de eventuais discussões com governistas. Chamou petistas de “assaltantes” e interrompeu a fala de Geraldo, provocando um princípio de bate-boca. Também fez questão de ordem e incentivou a ação protelatória de outros colegas. “Sei qual o jogo que está aqui nessa Casa. A partir da eleição dele (Cunha) virou uma guerra contra o Eduardo”, declarou Paulinho.

    Vinicius Gurgel

    Outro titular que contribuiu para os protelamentos, especialmente na sessão de ontem foi Vinicius Gurgel (PR-AP). Ele tem uma história curiosa. Gurgel foi um dos escolhidos para ser o relator do processo contra Cunha no Conselho de Ética. Junto com Zé Geraldo e Pinato, compôs a lista tríplice de onde o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD), retirou o nome do relator.

    Sua empolgação trabalhou contra si. Logo depois do sorteio da lista tríplice, deu entrevista e não escondeu o desejo de relatar o processo. O tiro de misericórdia veio no dia seguinte, quando Gurgel bateu na porta do presidente do conselho e fez uma ampla defesa sobre seu potencial para relatar o caso. Foi o único dos três a fazer essa abordagem e desagradou Araújo. Havia ali uma empolgação que sinalizava a fome pelo cargo que Araújo queria evitar. Acabou rejeitado.

    A partir de então, Gurgel passou a trocar farpas com o presidente de forma pública e ostensiva durante as sessões do Conselho de Ética. Na sessão de ontem, pediu a palavra e não foi atendido. Chamou Araújo de ditador e fez repetidas intervenções tentando encaminhar uma questão de ordem, contribuindo para o arrastar da sessão que fracassaria em votar o relatório preliminar de Pinato.

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