Há um toque irônico de originalidade dos deuses da política nesta votação de hoje da denúncia contra Michel Temer na Câmara dos Deputados. A sessão acontece quando se agrava mais uma crise, que não é a econômica, nem é a ética, muito menos a política.

A crise é preocupante. Atualmente está no pico de agravamento numa verdadeira espiral ascendente: é a crise das tornozeleiras eletrônicas. Crise tanto social quanto política e econômica.

Há um movimento nacional dos usuários desses gadgets, inclusive já com várias dissidências. Esses cidadãos (i)mobilizados exigem do Governo mais sofisticação tecnológica, chips aromáticos nas tornozeleiras, e compatibilidades multiplataforma via bluetooth.

Já encaminharam ao Planalto também exigências quanto a conexões com PDAs, celulares, smartphones, leitores de MP3, games com performances de makoto niijima e alguns fotogramas transcodificados e digitalizados para projeção holográfica extraídos do clássico Spaeed Racer. A agenda é enorme. A crise, no entanto, atrapalha o avanço tecnológico.

Desde o início de julho que órgãos interessados a exemplo da Presidência da República, Ministérios, Fundações, Institutos e gabinetes da Câmara e do Senado se mobilizam na tentativa de conter uma das maiores crises já registradas no Brasil.

O problema não é a demanda. Esta vive um aquecimento considerado salutar pelos órgãos encarregados de mapear, denunciar e processar o público consumidor específico. A demanda está saindo pelo ladrão. A crise é mesmo de oferta.

A PF não possui tornozeleiras, já que “trata-se de equipamento relacionado à execução penal, nas suas modalidades cautelar ou definitiva”, explicou o órgão em nota.

O problema se agravou no Distrito Federal depois de ser debelado em outros Estados. No início do ano, faltavam tornozeleiras em Goiás, no Espírito Santo e no Piauí. O problema foi superado. Mas no Distrito Federal a crise permanece sem solução.

“Nunca vivemos este impasse provocado pelos aloprados do golpe e pela Rede Globo com toda a mídia golpista”, observou candidato a um teste drive que prefere permanecer no anonimato para não atrair delações premiadas.

O especialista garante que “a oferta global, se o quadro persistir, poderá ter dificuldades em se igualar à demanda até 2018, quando o resultado do declínio nos investimentos da produção poderá deixar muita gente sem os novos modelos já requisitados”. Depois da crise dos passaportes, mais essa.

Até agora, a Spacecom, principal fabricante do produto no Brasil, não deu o ar de sua graça, permanecendo fechada, sem trocadilho, em copas, sem que a opinião pública saiba
se vai ter ou não tornozeleira para todo mundo que precisa.

Há uma esperança no ar para garantir a expansão da oferta desse verdadeiro fetiche nacional, mas tem a ver o fornecimento com nova reunião do Pacto Andino e o acordo
fechado ontem pela Odebrecht com o Panamá.

A player globalizada da construção civil brasileira, que além de construir usinas nucleares produz e exporta líderes odebrechtianos, em modelos compatíveis com qualquer população e regime político, vai pagar multa de duzentos e vinte milhões de dólares ao Panamá por práticas criminosas, mas aproveita essa janela de visibilidade mundial para lançar seu protótipo de tornozeleira.

Os marqueteiros Duda Mendonça e João Santana batizaram de Projétil Joesley o modelo que Marcelo Odebrecht promete que irá disputar prestígio com o iPhone e com as Malas Rocha Loures.

Os deputados federais, ao chegarem para votar hoje ao plenário da Câmara, estarão com a responsabilidade histórica nas mãos de estabilizar a oferta e garantir a demanda. Em nome das melhores tradições políticas mundiais.

Intriga Internacional

Como nem tudo é pós- verdade nesta vida, chamo a atenção para este relatório conjunto da Interpol com FBI-PF-NSA-GCHQ –SHIELD-GRU-DGSE-ANONYMOUS sobre este caso da inteligência artificial desligada pelo Facebook.

Os dois robôs, Alice e Bob, desenvolveram linguagem própria e termos como “pixuleco” , “é bom manter isso aí”, “amigo”, “golpe”, “Brasília”, “emendas”, entre outros, foram utilizados
por eles para desvios do padrão de programação originário.

Numa expedição à deep web, as agências de inteligência em conjunto descobriram num script criptografado que “a ideia original por trás desses chatbots era criar inteligências artificiais capazes de negociar emendas, justificar propinas, lavar dinheiro desviado dos cofres públicos: sem oferecer limites, concessões, regras e compromissos, da mesma forma que os humanos fazem”.

Os expedicionários da República de Curitiba estão confirmando suposições para responsabilizar na forma da lei os robôs Alice e Bob. Pretendem pressioná-los para que façam delação premiada. Aí, o mundo finalmente saberá o nome do verdadeiro dono do tríplex no Guarujá.

Reproduzido de o jornal A União, edição de 02 de agosto de 2017.

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