Vandré, Lima Duarte e outras estrelas da cultura brasileira brilham no Fest Aruanda

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    A décima edição do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro começou com clima informal e descontraído. O público chegava aos poucos e se aglomerava no hall de entrada do Cinépolis do Manaíra Shopping. Artistas, cineastas, equipe de produção e pessoas em geral se misturavam, como se fosse tudo uma grande confraria.  Algumas figuras conhecidas, no entanto, chamavam atenção e despertavam um certo assédio, mas nada perto de histeria e ostensividade. Era o caso do ator e diretor Guilherme Fontes, do ator Marco Ricca e, em menor proporção, do biógrafo Fernando Moraes. Também estavam presentes figuras como o ator consagrado Lima Duarte e músico Geraldo Vandré, figura emblemática da história e da cultura brasileiras. Esses últimos, porém, ficaram mais reservados, permanecendo na sala onde aconteceria a cerimônia oficial de abertura e as exibições, uma IMAX com amplo espaço para o público e uma tela com 22 metros de largura por 16 de altura.

    Os três vieram a João Pessoa participar do início 10º Fest Aruanda por um motivo singular: o filme Chatô. Dirigido por Guilherme Fontes, interpretado por Marco Ricca e cujo roteiro é baseado no best seller de Fernando Moraes, a produção abriu essa edição do Festival.

    A cerimônia oficial de abertura contou com uma homenagem póstuma a Walfredo Rodrigues, paraibano pioneiro do cinema, sendo entregue a sua família o Troféu Aruanda. Foi exibido em seguido um documentário de curta-metragem produzido pela organização do Festival em tributo à memória de Rodrigues. O escritor Fernando Moraes também foi homenageado e recebeu o Troféu Aruanda pela sua contribuição com argumentos que se transformaram em produções cinematográficas.

    Em seu agradecimento, Moraes citou Guilherme Fontes e a confiança que sempre teve em seu trabalho como realizador do filme baseado na sua biografia de Assis Chateaubriand. Fazendo o relato da resposta que deu a uma pergunta feita por um jornalista sobre se, diante da espera 20 anos para ver o resultado da adaptação do seu livro aos cinemas, ele se arrependia de ter vendido os direitos de adaptação da obra, Moraes disse ter respondido que confia tanto em Fontes que vendeu os direitos de outro de seus livros a ele e que aguardava entusiasmadamente para “o lançamento do filme em 2035”. A plateia foi ao delírio com a irreverência do biógrafo e intelectual paulista.

    Com o atraso da programação, o filme de abertura do Festival começou às 21;20hs. A expectativa era grande, mas Chatô além de não frustrar, superou as expectativas do público presente nessa sessão de abertura do Fest Aruanda. A forma como Guilherme fontes construiu a narrativa do filme junto às excelentes sacadas do roteiro e performances grandiosas do elenco – destaque para Marco Ricca no papel-título e para Andréa Beltrão, co-protagonista, ambos brilhantes em cena – produziram uma cinebiografia diferente de tudo que já foi feito no cinema brasileiro. Um filme envolvente, dinâmico, com linguagem arrojada e cuja história permanece atual e dialoga de forma muito latente com a conjuntural cultural e política do Brasil de hoje.

    Uma obra notável cuja qualidade ameniza a polêmica gerada em torno do retumbante atraso na conclusão e lançamento do filme e abre discussões sobre a figura ambivalente que retrata e relação que ela estabelece com país na contemporaneidade. Além disso exemplo construção narrativa singular no cinema brasileiro. O Fest Aruanda começou em grande estilo.

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