Título de Medina é chance para estruturar o surfe no Brasil, avalia dirigente

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    O inédito título de campeão do mundo de surfe profissional que o brasileiro Gabriel Medina conquistou hoje (19), no Havaí, pode abrir uma “janela de oportunidades” para a estruturação da modalidade no país, beneficiando atletas de alto rendimento e atraindo novos adeptos. A opinião é do presidente da Confederação Brasileira de Surf (CBS), Adalvo Argolo.

    “O Medina é a pessoa certa, no momento certo. O esporte já teve outras oportunidades semelhantes no passado, mas que não receberam a mesma atenção que vimos nos últimos meses. Então, para nós dirigentes, a preocupação é saber aproveitar o momento para não cometermos o mesmo erro que o tênis cometeu com o Gustavo Kuerten, que popularizou o esporte sem que nada fosse feito para garantir a continuidade”, disse à Agência Brasil.

    Empresário da indústria do surfwear, Argolo reconhece que uma das falhas do setor é não ter informações confiáveis sobre o número de praticantes, do quanto em dinheiro a indústria do surfe movimenta no Brasil e dos benefícios do esporte para os atletas e para a sociedade. Segundo o dirigente, esses dados seriam importantes para superar a “miopia” do Poder Público e de muitos empresários que ainda não enxergam o potencial econômico e social dos esportes de ação.

    “Minha geração, quando jovem, só jogava bola. Agora, os garotos jogam futebol, mas também surfam, andam de skate. É fácil constatar isso em cidades como o Rio de Janeiro, Guarujá e Florianópolis, mas os esportes de ação, inclusive o surfe, também têm muitos adeptos em cidades distantes do litoral, como Brasília”, disse Argolo, lembrando que muitos atletas brasileiros são mais conhecidos no exterior do que no Brasil, como o campeão de skate, Pedro Barros.

    “Os governos ainda não enxergaram essa mudança. Eles ainda nos veem como amadores. Quem sabe a vitória do Medina e a atenção da imprensa não especializada mudem isso e em vez de eu ir a Brasília em busca de apoio, alguém do Ministério do Esporte não venha nos procurar para discutirmos como aproveitar esse bom momento para atrair mais jovens para o esporte e apoiar nossos atletas”, ressaltou.

    O dirigente citou ainda o caráter inclusivo do surfe, que conta com escolinhas gratuitas espalhadas por várias cidades do país. “O surfe é hoje um dos esportes que mais favorecem à inclusão social. Há projetos em praticamente todas as grandes cidades do litoral brasileiro, e muitos atletas da elite mundial, como o paulista Adriano Mineiro [atual oitavo colocado do ranking], encontraram no esporte um caminho saudável de ascensão social.”

    Professor da primeira escola pública de surfe do Brasil e da primeira faculdade de Educação Física a incluir a modalidade na grade curricular, o surfista santista Cisco Araña acredita que a maior atenção ao surfe em decorrência da vitória de Medina pode atrair oportunidades para o surgimento de futuros atletas profissionais, além de estimular a prática amadora.

    “O interesse pelo surfe independe da vitória do Medina. Em 24 anos de existência, a procura pela nossa escola só cresceu. A sociedade deixou de estigmatizar os surfistas, o interesse das mulheres em praticar o esporte cresceu bastante – elas são, hoje, 60% dos alunos que frequentam nossas aulas – e já há famílias em que os pais, surfistas, incentivam os filhos a pegar onda. Agora, estamos dando um novo passo”, destacou o esportista.

    Araña também acredita que a vitória de Medina atrairá mais atenção das empresas de outros setores e do próprio Poder Público. “Para que isso se torne realidade é necessário um olhar mais atento por parte dos governantes, das empresas e dos nossos dirigentes, pois jovens talentos o país tem muitos.”

    O segundo melhor brasileiro classificado no ranking geral 2014 foi o paulista Adriano de Souza, o Mineiro, que terminou na oitava colocação. Os também paulistas Filipe Toledo e Miguel Pupo ficaram, respectivamente, na 17ª e 19ª posições. Já o potiguar Jadson André ocupa o 22º lugar. O argentino radicado no Brasil Alejo Muniz terminou o ano em 26º e Raoni Monteiro em 35º, do Rio de Janeiro.

    Da Agência Brasil

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