Tempo bom quando o carnaval não tinha voz

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Reza a lenda que o carnaval no Brasil era marcado por fantasias, marchinhas e muito humor. Em Salvador, onde a festa se popularizou por conta de um carro de som onde os músicos iam tocando em cima, não era muito diferente.

E essa mesma lenda diz também que tudo mudou quando os Novos Baianos, um dos grandes expoentes da música brasileira, abraçou a ideia da folia momesma, das jams, encontros de artistas em cima dos trios elétricos e duelos de guitarras e percussões, mas, principalmente, dos vocais.

Até então não se tinha vozes nas músicas carnavalescas. Eram marchinhas, frevos baiano e pernambucano e muita guitarra baiana. Um som peculiar e exclusivo que dominava (e na minha humilde opinião ainda domina) o que de melhor era/é feito para o nicho de evento a que se propõe.

Pois bem, a chegada de Moraes, Pepeu, Baby, Paulinho Boca de Cantor etc. alavancou ainda mais a qualidade musical oferecida e não foi só na virtuose de cada um, mas nos equipamentos que eles inseriram no carnaval de Salvador. Em um documentário sobre a banda, os integrantes chegam a narrar que o primeiro trio que eles montaram ficou tão largo com tantos amplificadores e caixas de som que tiveram de quebrar a parede para sair da garagem.

Logo depois dos Novos Baianos vieram Gil, Caetano (que lançou até disco, o Muitos Carnavais, de 1978) em quase todo o pessoal da Tropicália se juntou para fazer festa em cima do trio. A festa ficou grande e nacional. Vieram mais nomes, surgiu uma cena peculiar e cheios de ‘meu rei’, e escambou para um estilo musical lucrativo que logo foi batizado de Axé.

O Axé capitalizou a festa. Muita gente deve ganhado bastante dinheiro com isso. Mas os destinos que deram vida boa àqueles ‘meu rei’ ali de cima do texto acabou loteando o evento entre blocos – e depois camarotes – jogando aquele folião de rua que se fantasiava e fazia piada das coisas da vida durante os dias de festa na vala dos sem espaço. A festa perdeu o folião mais tradicional.

A tradição não se renovou. Os blocos, antes angariodores de diversão, só enxergaram em cifras e saturaram a fórmula. E assim chegamos. 2017 sem Chiclete com Banana e tantos outros nomes consagrados na avenida. Todo carnaval tem seu fim.
Para ouvir:

“O carnaval, quem é que faz?

O carnaval ainda quem faz é o folião”
Baiana System

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