Temer no poder: há um ano, o Brasil treme e teme o pior

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Temer no poder: há um ano, o Brasil treme e teme o piorTemer no poder. Permitam-me afirmar que o Brasil teme e treme. Treme perante o desemprego, 14 milhões de vítimas. Teme um longo e acidentado caminho até o ajuste político e macroeconômico possível que permita a expansão da produtividade média capaz de ampliar espaços para a igualdade distributiva.

Até agora, a concentração é a espora para acelerar a estabilização, ferramenta anacrônica e cruel. Até agora, o Brasil continua a ser um dos países mais desiguais do mundo. Reproduzo trecho de reportagem da revista Carta Capital (janeiro de 2016) “de 1933 a 2013, concluiu (a pesquisa), que o 1% mais rico do país detém hoje 27% de toda a renda tendo havido uma concentração média de 25% da renda nas mãos desse 1% desde o meio da década de 70. Isso significa que, nos últimos 40 anos apenas 1/100 das pessoas dispõe de 1/4 de toda a renda”. É verdade: pobres conquistaram dignidade desde a posse de Lula na Presidência.

Um ano de governo Temer. Até parece que foi ontem que nos invadiu esta convulsão que sacode o corpo surrado da nação aflita. Temer assumiu a Presidência da República.

Placas tectônicas da corrupção em movimento. Rompimento das barragens do cinismo. Erupção dos gêiseres da propina institucionalizada. Dolinamento de credibilidades. Eis alguns fenômenos geográficos da nossa tragédia política contemporânea, ilustrada por prisões, marchas de coxinhas e de mortadelas, vazamentos de segredos de polichinelo, pirotecnia investigativa, midiatizações obtusas, frustração e ressentimento, muito ressentimento.

Temer no poder há um ano. Pior para nós, [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected] e [email protected] Não confundir com colloridos, pois estes malufaram e ficam PT da vida quando escutam alguém dizer que Temer é o pior para o Brasil.

O Brasil está aflito. Muitos afirmam que a culpa dessa aflição é do PT. Houve um pessoal do PT que não soube praticar o jogo simples da ética na política por ele próprio anunciado e proposto.

O mais simples teria sido: governar para incluir, crescer e multiplicar; administrar para a transparência, gerir sob a orientação das leis, praticar o Estado para o bem comum. Papo reto.

Outros afirmam que a culpa é do PT que soube, até demais, praticar o jogo da ética a menos na política.

O PT é culpado por ter convocado o PMDB para compor o núcleo duro de captação de votos e de contratos a qualquer preço…melhor dizendo… a preço altíssimo? Você decide. Mas a conta chegou num envelope de escândalo fabricado com a corrupção plantada na fazenda da impunidade.

O país treme entre o abismo das pcfarias historicamente organizadas e reeditadas, muitas das quais o presidente réu no TSE é um dos não-vi-nada-sei mais afoitos, e as armadilhas estrategicamente pensadas, armadas para resgatar em futuro próximo um passado não muito distante. Um tempo em que a produtividade do capitalismo da competitividade individualista saltava indiferente sobre a herança histórica da injustiça cometida contra as populações indígenas e principalmente os filhos transplantados a ferro e fogo das nações africanas saqueadas por escravagistas.

O PT no poder nos trouxe, através de uma agenda de há muito pensada pela esquerda latino-americana, a prática de uma consciência histórica embutida em teorias como a da Justiça do politólogo estadunidense John Rawls.

Em seu clássico tratado “Uma teoria da Justiça”, Rawls, o ex-professor de Harvard que nasceu na mesma cidade de Edgar Allan Poe, a partir da tradição contratualista da política rousseauniana, estabeleceu a equidade como medida para uma distribuição de justiça. Um dos seus princípios formula que “cada pessoa deve ter um direito igual ao sistema mais extenso de iguais liberdades fundamentais que seja compatível com um sistema similar de liberdades para as outras pessoas”.

Inevitável na atual conjuntura, que poderia retratar um pesadelo de Bosch, a evocação do memorável desabafo de Cícero: “o tempora, o mores”. Nada a ver com o tempo de Moro.

E nessa história de lembrar, uma coisa puxa a outra, e me chega a lembrança da também célebre frase do baianíssimo Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Temer, há um ano de poder. O que se pode dizer, ainda? Se ao menos meu apartamento falasse…

Reproduzido de o jornal A União, edição de 14 de maio de 2017.

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