Taís Araújo e Lázaro Ramos falam de empoderamento e igualdade racial

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Se perguntarmos para jovens atores negros brasileiros quais são suas inspirações, a resposta quase sempre será a mesma: Lázaro Ramos e Taís Araújo. Também, pudera, o casal, é referência na dramaturgia e na militância pelo empoderamento e igualdade do povo negro. Na televisão, eles protagonizam a série Mr Brau. Já no teatro, os dois estão em cartaz com o espetáculo ‘O topo da montanha’, que reinventa a última noite de vida de Martin Luther King. Ambos os textos trazem reflexões para o público e a questão do empoderamento dos negros.

Na semana em que é festejado o dia consciência negra – comemorado em 20 de novembro – o EGO conversou com os atores, que falaram sobre os objetivos já alcançado, as metas que ainda têm pela frente e a relação delas com os dois trabalhos artísticos atuais. Para Taís Araújo, tanto ‘Mr Brau’ quanto ‘O Topo da Montanha’ faz com que as pessoas percebam que a história do negro foi distorcida ao longo dos anos.

“Sempre foi uma história mal contada, acho que a gente agora já entendeu que o objetivo das pessoas era quase a extinção de um povo, era não dar poder a esse povo. O que a gente está tentando fazer é reverter essa situação. Falar: ‘Ô, calma, a gente está aqui, a gente existe e merece respeito, amor, compaixão. Já fomos muito maltratados pelo mundo ate, então e estamos aqui pra reverter essa situação. E mais do que isso, a gente não está aqui para lutar contra, queremos lutar com vocês por um mundo melhor para todos nós, inclusive para vocês, que sempre foram beneficiados’.Nosso objetivo maior é sensibilIzar o outro e mostrar como nossa história foi mal contada, como nosso povo sofreu até então, como a gente tem uma história linda na construção desse pais. O objetivo é sensibilizar todas as pessoas. Vivemos em sociedade, em elo, um é fundamental para a existência do outro”, diz.

Para Lázaro, que também é diretor da peça, é um privilégio trazer empoderamento através da alegria de Mr Brau e do orgulho, presente no texto de ‘O topo’. “É uma satisfação enorme poder ser escutado, ainda mais depois de tanto tempo de experiência no trabalho, onde você vai só ampliando seus desejos. Poder falar nos tons e conteúdos que a gente fala é um privilégio. Através da comédia a gente sabe que transforma muitas coisas, o Mr Brau traz esse empoderamento através da alegria, que é também uma bandeira. E o orgulho que a gente tem de fazer o ‘Topo’ é inimaginável. Foi uma experiência muito importante dirigir esse espetáculo, a gente consegue levar esse assunto para que pessoas que nunca pensaram sobre isso se sintam motivadas e se identificam”, comemora. “É muito gratificante porque a gente acredita que a autoestima gera segurança, que a segurança gera poder e que o poder vai fazer com que as pessoas caminhem, acreditem em si e partam para as suas vidas com mais coragem e ousadia”, completa Tais.

Teatro, TV, casamento, filhos…
Em cartaz neste fim de semana no teatro Pedro II, em Ribeirão Preto, Taís e Lázaro contam ainda como estão fazendo para equilibrar o trabalho da TV com o teatro, o casamento e o cuidado com os filhos João Vicente e Maria Antônia. “Na verdade fico tentando equilibrar os pratinhos. Me sinto um artista do circo, são muitas coisas e a gente tem conseguido. Às vezes algumas coisas se perdem um pouco, às vezes a gente vê pouco os meninos, mas tem a nossa família que está ali dando essa segurança para que a gente consiga trabalhar. Tem semana que gravo menos e quando não gravo meu tempo é 100% dos meus filhos, a gente vai tentando equilibrar”, explica Tais.

Os atores estão gravando a terceira temporada de Mr Brau, com previsão de estreia para março de 2017 e querem levar a peça para outros estados. Lázaro, que quase chegou a desistir do texto, também falou da importância de que todos possam ter acesso ao teatro. Para isso, os atores fizeram algumas sessões gratuitas para estudantes de escola pública e militantes do movimento negro.

“Foram dias muito emocionantes, parto da crença que o teatro é pra todos, que todos tem que ir e nosso desejo é fazer pra plateias distintas que dá mais sentido a existência dessa peça que fala sobre justiça, igualdade e coragem”. Já Taís, tem o sonho de lotar um dos maiores teatros do país. “Meu maior sonho – mas pra isso eu preciso de patrocínio – é fazer essa peça no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, de graça. Só que o teatro é caro, levar essa peça não é barato. Eu precisava de algum patrocinador que se sensibilizasse com a causa e quisesse proporcionar isso para o público do Rio. Queria fazer de graça, encher o municipal de pessoas que nunca tiveram a chance de entrar no municipal, que nunca nem sonharam com isso, para que elas entrem e assistam essa peça que tem um grande poder de transformação”, sonha Lázaro.

Informações do Ego.

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