Saúde incrementa ações para desobstruir atendimento no Hospital Arlinda Marques

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O Complexo Pediátrico Arlinda Marques vai disponibilizar dois pediatras no acolhimento das crianças a partir da próxima semana. Além disso, mais um consultório estará disponível, totalizando quatro consultórios médicos. Também será realizado o mapeamento da origem das crianças para investigar porque não receberam atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS).

Estes foram os principais pontos acordados nesta sexta-feira (5), durante reunião realizada no Ministério Público Estadual para formalizar as ações a serem executadas para desbostruir o atendimento no Hospital Arlinda Marques. Participaram da reunião a secretária estadual de Saúde, Claudia Veras, a secretária executiva de Saúde do Estado, Maura Sobreira, o gerente de Planejamento da SES, Marcelo Mandú, além da promotora da Saúde, Maria das Graças Azevedo, e a diretora geral do Hospital Municipal do Valentina (HMV), Carmen Gadelha.

Na ocasião, a secretária estadual de Saúde, Claudia Veras, explicou que a divisão de reponsabilidades financeiras na saúde não é justa com o Estado, uma vez que 92,5% do valor do teto financeiro global dos recursos SUS na Paraíba estão alocados nos municípios, e apenas 7,5% no Estado. Observou que, entretanto, este continuará a cumprir o seu dever.

“O Governo do Estado nunca deixou de cumprir o seu papel de cuidar da saúde da população paraibana. A saúde é uma prioridade da gestão. O que acontece é que o atendimento pediátrico está concentrado no Arlinda Marques, resultando na superlotação, porque houve o fechamento, por parte das gestões municipais, de 504 leitos de pediatria, inclusive de UTI. Cada um sabe sua responsabilidade e deve cumprir o seu papel. Daí a necessidade de definir, com urgência, um fluxo e encontrar soluções, em curto prazo”, disse Claudia Veras.

A promotora Maria das Graças destacou o perfil de atendimento do Hospital Arlinda Marques e disse que não cabe ao Estado contratar leitos extras. “O Arlinda Marques é um hospital de alta e média complexidade, o perfil é específico para cirurgias neurológicas e cardíacas. Porém, estava sendo criada ali uma entrada de clínica médica pediátrica. Como é um hospital 24 horas, muitas mães levavam seus filhos para lá com febre ou diarreia, por exemplo, quando na realidade essa demanda deveria ser atendida nas UPAs ou nas Unidades Básicas de Saúde. Talvez por desinformação, ou porque algumas mães acham que é melhor ir direto para um hospital em caso de algum problema, mas essa ideia está errada. É preciso respeitar o perfil da unidade”, explicou a promotora.

Maria das Graças disse ainda que é importante a união de esforços entre Estado e Município para fazer o atendimento fluir normalmente. Ela afirmou que na quinta-feira (4), após a visita, dois pacientes foram admitidos no HMV. Já na sexta-feira (5), após a audiência no MP, outros cinco pacientes foram transferidos.

Preocupação – Desde os dias 4 e 5 de abril, a Secretaria de Estado da Saúde demonstrou a preocupação com a superlotação do Complexo Pediátrico Arlinda Marques, realizando reuniões em sua sede e no Ministério Público Estadual, para tratar da questão com representantes da Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa; das UPAs de Cruz das Armas e Valentina; Hospital Municipal do Valentina (HMV); Conselho Regional de Medicina e Conselho Municipal de Saúde.

No último dia 26 de abril, após solicitação da direção do Hospital Arlinda Marques, o Ministério Público convocou uma reunião da qual participaram representantes da rede de atenção pediátrica. Ficou definido, pela Promotoria da Saúde, que nessa quinta-feira (4) haveria um novo encontro para pactuar as soluções imediatas e de médio prazo e desobstruir o atendimento no Arlinda Marques.

A reunião realizada na manhã da quinta-feira (4) foi conduzida pela secretária de Estado da Saúde, Claudia Veras, e contou com a participação da secretária executiva, Maura Sobreira e equipe técnica da SES. O secretário de Saúde do Município de João Pessoa e representantes do Hospital Universitário Lauro Wanderley, que compõem a rede de atenção pediátrica na região metropolitana, não compareceram.

Entre as definições, ficou acertado que o Arlinda vai disponibilizar mais dois médicos para os atendimentos às urgências, e inclusive na supervisão do acolhimento e classificação de risco. Houve a solicitação para que a Prefeitura da capital avalie a possibilidade de contrato de emergência de leitos privados e uma visita ao Hospital do Valentina, para observar as condições da unidade para dar suporte ao Arlinda Marques.

No período da tarde, a secretária executiva de Saúde do Estado, Maura Sobreira, participou de uma visita ao HMV, na qual estiveram presentes também representantes do Conselho Regional de Medicina, Ministério Público Estadual, Hospital Arlinda Marques, Secretaria Municipal de Saúde, além da direção do HMV e Núcleo Hospitalar da SES.

Na visita, foi identificado que o serviço apresenta capacidade instalada subutilizada e com condições de dar a devida retaguarda para internação clínica, dispondo no momento da visita de dois leitos disponíveis nas enfermarias da Ala A, dois leitos disponíveis nas enfermarias da Ala B, além de uma enfermaria com cinco leitos vagos, segundo a equipe, para atendimento psiquiátrico. Na observação pediátrica foram encontrados mais dois leitos disponíveis.

Ficou acordado, então, que o Núcleo de Internação e Regulação (NIR) do Hospital Arlinda Marques deverá acionar o NIR do Hospital do Valentina e que este irá disponibilizar vagas para internação, tendo em vista as nove vagas clínicas, uma (1) de UTI, bem como duas de observação disponíveis.

O Hospital Arlinda Marques -HAM é um hospital de alta e média complexidade sendo ainda o único do Estado em referência para cirurgias cardíacas e neurológicas. Não está classificado como hospital de porta aberta, pois possui 81 leitos e atende crianças de 140 municípios da Paraíba. Está classificado como hospital de retaguarda, portanto, não é referência de atendimento de urgência e emergência, contudo, a Secretaria de Estado da Saúde determinou não deixar de atender pacientes de cerca de 140 municípios, sendo 70% destes atendimentos de pacientes residentes no município de João Pessoa. Dos atendimentos realizados no setor de urgência do hospital nos meses de março e abril, cerca de 60% são classificados como baixa complexidade, ou seja, são atendimentos que deveriam ser realizados pelas unidades como PSFs e UPAs.

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