Ricardo é o único governador com origem nos movimentos sociais

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    Em 2011 Ricardo Coutinho se tornou o primeiro governador eleito da Paraíba sem ser herdeiro de família de tradição política. Ricardo tem origem na luta sindical, nos movimentos sociais. Sua trajetória é marcada por uma seqüência de conquistas nos mais diversos segmentos da sociedade paraibana. Filho de pai agricultor e mãe costureira, Ricardo não é herdeiro político de algum grupo oligárquico. E a Paraíba teve e tem várias oligarquias.

    Ricardo chegou ao mais alto cargo do Estado por seus méritos, sua conduta desde o tempo dos movimentos estudantis, e em defesa dos trabalhadores e dos interesses das classes menos favorecidas. Assim agiu em toda sua trajetória de líder sindical, vereador de João Pessoa por duas vezes, deputado estadual por dois mandatos e prefeito da capital de seu Estado eleito para duas gestões.

    Com este perfil Ricardo Coutinho foi reeleito governador agora em 2014 ano em que se registra os 125 anos da Proclamação da República ocorrida em 15 de novembro de 1889.  Com base no seu primeiro mandato deve fazer um novo governo produtivo, contribuindo com o desenvolvimento econômico, social e cultural da Paraíba.

    De fato, desde a Proclamação da República, praticamente a Paraíba tem sido governada por cidadãos com origem no oligarquismo. De acordo com o historiador e escritor José Octávio de Arruda Mello, em ‘História da Paraíba’, “na Paraíba, a República dos coronéis conheceu três etapas correspondentes às oligarquias que a controlaram”, revela o cientista político. A primeira oligarquia foi com Venâncio Neiva, primeiro presidente republicano do Estado e foi curta, de 1889 a 1891. A segunda, com o presidente Álvaro Machado, se prolongou por vinte anos (1892 a 1912). Coube a Epitácio Pessoa, que foi presidente da República, a liderança da terceira oligarquia, com ação em torno de 1915 até 1930.

    Nesses 125 anos de República a maioria dos homens que governaram a Paraíba tinha ou tem o curso de Direito. No passado, quase todos jovens de classe média e alta iam fazer curso superior na Faculdade de Direito do Recife. Mas, também administraram o nosso estado empresários, general de Exército, coronel, monsenhor, médico, professor, juiz, desembargador, dentre outros. Ricardo Coutinho é formado em Farmácia.

    A lista dos presidentes/governadores da Paraíba mostra que grande parte deles tem origem em famílias ricas ou bem influenciadas que ao longo de várias gerações se revezam no poder. O desembargador José Peregrino de Araújo foi governador de 1900 a 1904. Álvaro Machado voltou ao governo em 1904. O Monselhor Walfredo Leal, governou de 1905 a 1908. João Lopes Machado, médico sanitarista e irmão de Álvaro Machado, foi governador de 1908 a 1912. João Pereira de Castro Pinto dirigiu o estado de 1912 a 1915. O coronel Antonio da Silva Pessoa, irmão de Epitácio Pessoa, governou de julho de 1915 a julho de 1916. Solon Barbosa de Lucena era presidente da Assembléia Legislativa quando assumiu o governo de julho a outubro de 1916.

    O general e médico Francisco Camilo de Holanda foi o governador da Paraíba entre 1916 e 1924. O período de 1924 a 1928 coube a João Suassuna, nascido em Catolé do Rocha e pai do mestre Ariano Suassuna. Suassuna foi assassinado tempos depois, no Rio de Janeiro, quando era deputado federal.

    Sobrinho do ex-presidente da República Epitácio Pessoa, o presidente João Pessoa governou de 22 outubro 1928 a 26 de julho de 1930, data em que foi assassinado pelo advogado João Dantas, no Recife. João Pessoa nasceu em Umbuzeiro e era advogado. Natural de Mamanguape, o professor Álvaro Pereira de Carvalho era o vice de João Pessoa e assumiu o governo por três meses. José Américo, na primeira vez, governou por quase dois meses, depois de Álvaro. O engenheiro e geógrafo Antenor de França Navarro dirigiu a Paraíba de 1930 a 1932.

    De 1932 a 1934 dirigiu o estado o interventor Gratuliano da Costa Brito. Teve em seu secretariado o então segundo tenente do Exército Ernesto Geisel, que viria a ser um dos presidentes da ditadura militar. José Marques da Silva Mariz, de tradicional família de políticos do Sertão paraibano, governou de dezembro de 1934 a janeiro de 1935.

    O advogado campinense Argemiro de Figueiredo foi o interventor do estado de 1935 a 1940. Dentre suas ações fundou a Rádio Tabajara e construiu o atual prédio do Liceu Paraibano. Nascido em Pombal, Ruy Carneiro, formado em Direito, filho de advogado e pequeno pecuarista, governou a Paraíba de agosto de 1940 a julho de 1945. Natural de Alagoa Nova, Samuel Vital Duarte, advogado, governou de julho de 45 a novembro do mesmo ano.

    Por dois meses, Severino Montenegro também foi governador. De fevereiro de 46 a setembro do mesmo ano o estado foi governado por Odon Bezerra Cavalcanti, outro nome de tradicional família. De agosto de 46 a março de 47, José Gomes da Silva assumiu o governo. Natural de Alagoa Grande o advogado e professor Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo dirigiu o estado entre março de 1947 e janeiro de 1951.

    O escritor e advogado José Américo de Almeida, nascido em Areia, assumiu de novo o governo em 1951 e teve como substituto presidente da AL João Fernandes de Lima. Natural de Pilar, Flávio Ribeiro Coutinho governou de 1956 a 1958.

    De 58 a 60 governou o estado Pedro Moreno Gondim, bacharel em Direito e filho natural de Alagoa Nova e avô de Vital do Rego Filho e Veneziano. No período de 60 a 61, o governador foi José Fernandes de Lima, de Mamanguape. Pedro Gondim voltou ao comando do estado de janeiro de 1961 a janeiro de 1966. Nascido em Brejo do Cruz, João Agripino, advogado e filho de fazendeiro e chefe político governou a Paraíba de 1966 a 1971. Ernani Sátyro, nascido em Patos e outro descendente de políticos, governou o estado de 71 a 75.

    O cajazeirense Ivan Bichara Sobreira, escritor e advogado foi governador de 1975 a 1978. Seu vice, Dorgival Terceiro Neto, nascido em Taperoá, governou de agosto de 78 a março de 79. Assume o governo de 79 a 82, Tarcísio de Miranda Burity, professor e jurista. Seu vice, Clóvis Bezerra Cavalcanti administra de maio de 1982 a março de 1983. O governo de Wilson Braga foi no período de março de 1983 a maio de 1986. Na seqüência, passaram pelo Palácio da Redenção, Rivando Bezera Cavalcanti e Milton Bezerra Cabral.

    Burity volta ao governo, com eleição direta, em março de 1987 e conclui seu mandato em março de 1991. O poeta e advogado nascido em Guarabira, Ronaldo Cunha Lima governa a Paraíba de 15 de março 1991 a 2 de abril de 1994. O vice, Cícero Lucena, empresário, nascido em São José de Piranhas, governou até 1º de janeiro de 1995.

    Descendente de tradicional família de políticos no Sertão, Antonio Mariz é eleito governador e dirigiu o estado de 1º de janeiro de 1995 a 16 de setembro do mesmo ano, data em que faleceu, na Granja Santana, residência oficial do governador. O vice José Targino Maranhão assumiu e governou até 1999. Eleito governador junto com Roberto Paulino, Maranhão continuou a administrar o estado. Paulino assumiu até dezembro de 2002 e foi candidato a governador, quando perdeu a eleição para Cássio Cunha Lima que governou de 2003 a 2006.

    Em 2002 Maranhão foi eleito senador da República. Cássio disputou a eleição para governador em 2006 com Maranhão e foi o vencedor. Governou até 17 de março de 2009, quando foi cassado. Maranhão assumiu e concluiu seu terceiro mandato neste 31 de dezembro de 2010. Assumirá neste 1º de janeiro de 2011, Ricardo Coutinho para governar neste primeiro mandato até 31 de dezembro de 2014. Ao longo dos 125 anos de República a Paraíba teve cerca de 90 governos, entre titulares e substitutos, sendo que sete cidadãos governaram por mais de uma vez. Até agora coube a Maranhão o maior tempo no cargo de governador.

    Perdura até os dias atuais a existência de várias famílias se alternando no poder, nos municípios, nas regiões e no Governo do Estado. No passado, praticamente todos os jovens se tornavam bacharéis pela Faculdade de Direito, em Recife. Daí, o grande número de presidentes/governadores com esta formação. O primeiro presidente a partir da Proclamação da República foi Venâncio Neiva (1889 a 1891) era juiz de direito. Álvaro Lopes Machado era major do Exército e governou a Paraíba de 1892 a 1896. Criou o jornal A União.

    Ricardo Coutinho, nasceu aos 18 de novembro de 1960, na maternidade Frei Martinho, localizada no bairro de Jaguaribe. Na infância e juventude Ricardo morou em Bananeiras, Serraria e Caiçara. Foi vereador de João Pessoa de 1993 a 1999, deputado estadual de 1999 a 2004 e prefeito da capital por dois mandatos. Foi eleito pela 1ª vez em 2004 e reeleito em 2008. Renunciou à prefeitura de João Pessoa em 31 de março de 2010, durante o período de seu segundo mandato, para disputar o governo da Paraíba. Em 2010 Ricardo foi eleito no segundo turno para o cargo de governador com hum milhão setenta e nove mil, cento e sessenta e quatro votos, o equivalente a 53,70% dos votos válidos.

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