Representantes de ato pelas mulheres em JP contestam criminalização do movimento

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Na noite da última quarta-feira (01) um protesto contra a violência infligida às mulheres e contra a cultura estupro, conduzido por grupos feministas, gerou polêmica ao inserir com tinta guache palavras de ordem no letreiro “Eu Amo Jampa”, localizado no Busto de Tamandaré, na Praia de Cabo Branco, em João Pessoa.

Várias manifestações contrárias ao ato foram registradas na redes sociais, algumas classificando o protesto de “criminoso”, “vandalismo” e “depredação do patrimônio público”.  A página Hipster Pessoense, que tem quase 50 mil curtidas, fez um post exaltado contra o protesto.

“Esse é o resultado do letreiro de João Pessoa após o protesto realizado pelos grupos feministas hoje. Não somos contra se manifestarem de forma pacífica e tranquila, mas sim contra essa atitude covarde de gente criminosa. Tenham mais respeito pela nossa cidade, isso aqui não é casa de mãe joana não. Tomem vergonha na cara”, é o texto da página que acompanha foto do monumento com a inscrições em tinta guache.

Representantes de ato pelas mulheres em JP contestam criminalização do movimento
Post da página do facebook Hipster Pessoense criticando o protesto.

Após várias críticas contra o conteúdo do post, a página fez um outro post onde faz uma espécie de mea culpa e destaca a importância da publicação ter gerado debate.

Na tarde desta quinta-feira (02),  em entrevista a Rádio Arapuã, o advogado Robson Jampa, assessor dos movimentos que conduziram o protesto, rechaçou a tentativa criminalizar o ato. Segundo ele, não houve qualquer ilegalidade ou atitude violenta por parte dos manifestantes.

“Estavam presentes representantes da Polícia Militar, agentes municipais e da Polícia Civil, inclusive uma delegada que deu aval ao que estávamos fazendo. Se estivéssemos errados, ela teria nos dado voz de prisão na hora”, rebateu.

“Fizemos uma intervenção artística, onde cada mão daquela representava uma mulher violentada no nosso país. Usamos tinta guache, facilmente removível, tanto é que o monumento está mais limpo agora do que antes”, acrescentou.

A artistas gráfica Lívia Costa, que participou do ato, justificou o uso da tinta guache no monumento e citou os casos de violência sofridos pelas mulheres.

“No Brasil, as mulheres são estupradas a cada onze minutos. O Nordeste é a região onde os índices desse tipo de violência são mais alarmantes. Quando um movimento colore com tinta guache um monumento e é taxado de vandalismo, fica explícito que o conservadorismo é seletivo em sua indignação”, criticou.

 

Representantes de ato pelas mulheres em JP contestam criminalização do movimento
Meme publicado no facebook ironizando as críticas ao protesto. (Via Pedro Granjeiro)

Sobre a seletividade da indignação, Lívia citou outro caso onde de fato houve depredação do patrimônio público e repercussão disso foi pífia.

“Especialmente quando recentemente tivemos depredação na estátua de Iemanjá e nenhuma repercussão. Nenhuma luta conquista espaço sem voz e sem exposição. Não calarão nossas lutas enquanto um monumento for mais importante que a vida das mulheres!”, afirmou.

Representantes de ato pelas mulheres em JP contestam criminalização do movimento
A artista Lívia Costa durante o ato contra a violência às mulheres e a cultura do estupro. (Foto: Rafael Passos).

 

 

 

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