Quase 20 anos após morte, Renato Russo ainda tem lançamentos

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Filme, musical, biografia, diário, coletânea de regravações, caixas especiais, materiais extras e exposição de objetos pessoais. Esses são só alguns dos lançamentos previstos em torno do nome e da obra de Renato Russo para os próximos meses. Uma maneira de a memória do líder da Legião Urbana continuar viva, mesmo depois de 20 anos da morte dele, que se completará em 11 de outubro.

“Renato jamais será esquecido por falta de preservação, felizmente”, diz Arthur Dapieve, autor do livro-perfil “Renato Russo, o Trovador Solitário”. “Tanto a família dele quanto os outros integrantes da banda fazem de tudo para manter a obra dele a salvo do esquecimento. E a quantidade de fãs, muitos dos quais nem eram nascidos quando o Renato morreu, faz o resto”.

Ainda neste mês será lançado o livro “The 42nd St. Band – Romance de Uma Banda Imaginária”, que reúne cadernos e folhas soltas que foram escritas em inglês pelo então garoto de 15 anos, Renato Manfredini. Uma curiosidade: Russo, o sobrenome emprestado, veio do líder de sua banda imaginária, o personagem Eric Russel, que dividia o palco com o ex-guitarrista dos Rolling Stones, Mick Taylor.

“Para os fãs do Renato Russo, este romance mostra que ele já projetava o que viria a ser a Legião Urbana e tudo que a cercava. E o público em geral poderá observar como Renato já tinha perspectiva de tudo que ele iria enfrentar no showbusiness como um todo. Relações contratuais com gravadora, turnês, relação com empresários, com a imprensa e a mídia, enfim, a própria cena do rock dos anos 1980, que revolucionou a indústria fonográfica e o entretenimento no Brasil”, comenta Ronaldo Pereira, diretor artístico da Legião Urbana Produções.

Também chegará às livrarias ainda neste ano a edição revista e ampliada da biografia “Renato Russo – O Filho da Revolução”, de Carlos Marcelo. “A memória de Renato vem sendo preservada por meio de iniciativas concretas, como o trabalho minucioso que está sendo feito de preparação para a exposição planejada para o MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo, em 2017”, adianta o autor.

“Acredito que a exposição vai atrair milhares de fãs e deve se tornar um marco na preservação do legado artístico do líder da Legião. E há o trabalho espontâneo dos fãs, que se renovam a cada década. Eles também se encarregam de manter a chama acesa”, diz Carlos Marcelo. A exposição contará com manuscritos, diários, discos, livros, esculturas, quadros, desenhos, fotos, instrumentos musicais e roupas, entre outras relíquias guardadas no antigo apartamento em Ipanema, no Rio de Janeiro.

Carlos Marcelo é também autor do texto de apresentação de uma caixa com os quatro álbuns solo de Renato Russo, que ganhou o nome de “A Força de Uma Vida” e promete trazer uma série de extras. Ao mesmo tempo, está sendo preparado outro CD, esta uma coletânea com regravações de sucessos feita por 12 jovens artistas e bandas de diferentes regiões do país, como Vespas Mandarinas e Selvagens a Procura da Lei; Uh La La, de Curitiba; Supercordas, de Paraty; Plutão Já Foi Planeta, de Natal; a cantora potiguar Cris Botarelli; e Codinome Winchester, de Campo Grande, entre outras. Com o nome de “Viva Renato Russo – 20 anos”, a coletânea será distribuída gratuitamente em outubro no formato físico e estará disponível em streaming digital no Spotify.

Pouco depois, em 11 de outubro, estreia no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, “Renato Russo, o Musical”, a remontagem de “Renato Russo, a Peça”, que ficou em cartaz entre 2006 e 2009 pelo Brasil, com a produção e atuação do ator Bruce Gomlevsky. Está em fase de produção também o longa-metragem “Eduardo e Mônica”, baseado na canção de mesmo nome e que contará com direção de René Sampaio, o mesmo que, em 2013, levou às telas a trajetória de João de Santo Cristo, o protagonista da letra de outro clássico da banda de Brasília, “Faroeste Caboclo”.

Já a edição comemorativa dos 30 anos do primeiro álbum, chamado de “Legião Urbana”, foi lançada no início de 2016 como um CD duplo.

Obra resiste ao tempo

E a que se deve tanto interesse em torno da vida e da obra de Renato Russo? Arthur Dapieve garante que seja a qualidade do trabalho. “Essa qualidade confere o status de clássicos aos álbuns da banda e solo dele. O Renato construiu de caso pensado uma obra que sofresse o mínimo possível com a passagem do tempo. Não há referências cronológicas claras nas canções, intencionalmente. Isso as atualiza perpetuamente na sensibilidade de todo e qualquer ouvinte”.

Já Carlos Marcelo acredita que essa longevidade da obra se deve também ao fato de o Brasil, em termos políticos e sociais, ter mudado muito pouco nestas três décadas. “Mesmo as letras escritas por Renato na primeira fase da carreira, ainda nos anos 1970, como ‘Que País é Este?’, continuam atuais. As desigualdades brasileiras, décadas depois do surgimento do Aborto Elétrico, continuam a atormentar a nossa realidade. Versos como ‘vamos sair, mas não temos mais dinheiro, os meus amigos todos estão procurando emprego’, de ‘O Teatro dos Vampiros’, poderiam ter sido escritos em 2016”, diz.

O escritor não deixa de considerar também a atemporalidade das letras mais existencialistas, que falam de ética, amor e perdão. “Continuam e continuarão a fazer sentido, em especial para os jovens, quando eles perdem a inocência da infância e chegam à fase dos questionamentos e das descobertas íntimas”.

O que ainda falta ser feito?

Ronaldo Pereira diz que os produtos envolvendo Renato Russo não pararão por aí. “Nos últimos três anos, não me surpreendi ao acessar o apartamento de Ipanema, onde Renato viveu os seus últimos anos, e ver a quantidade de manuscritos que incluía de peças de teatro a diários, de livros a desenhos e pinturas criados pelo artista, enfim, um acervo riquíssimo. E, mais do que isso, pipocam entre os fãs material inédito de Renato que detecto diariamente através das redes sociais”.

Ao ser questionado a respeito do que ainda pode ser feito com relação à memória de Renato Russo, Carlos Marcelo é taxativo com relação a um livro que reúna todas as letras do compositor, incluindo os rascunhos de versos conhecidos. “Ajudaria os fãs a entender o método de composição do Renato, que, entre outros procedimentos, anotava e guardava frases soltas por décadas, até encaixá-las em alguma música inédita”, conta. “Também acho que Brasília, apesar de possuir o Espaço Cultural Renato Russo e de algumas iniciativas isoladas, ainda pode e deve fazer mais para preservar a memória do cantor que foi decisivo na divulgação de uma cidade além do poder e ajudou a consolidar a alma cultural brasiliense”.

O apartamento onde Renato Russo morou entre 1990 e 1996 (ano de sua morte), no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, parece um museu em si, já que permaneceu fechado e praticamente intacto por quase 20 anos. Está tudo do jeito que Renato deixou: seus discos de vinil, CDs, livros, móveis, esculturas, quadros, desenhos, fotos, discos de ouro e platina, porta-retratos, roupas e até três espingardas, que decoram uma das paredes da sala.

Texto e Foto: Folha

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