Presidente do Treze abre o jogo e fala sobre a realidade do clube

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    Terceiro lugar no Campeonato Paraibano de 2015 e eliminado na Série D do Brasileiro, o Treze Futebol Clube vive a incerteza de um futuro digno de suas tradições. Sem Copa do Nordeste e Copa do Brasil para disputar – e incrementar suas receitas -, e sem segundo semestre garantido, a diretoria do Galo, que já enfrentou uma dura crise financeira ao longo desta temporada, mostra-se de mãos atadas diante do cenário que espera o time em 2016.

    A reportagem do Portal Voz da Torcida procurou o presidente Bebeto Silva para apurar melhor a situação atual do clube. O mandatário trezeano fez um balanço geral sobre a temporada, analisou sua gestão e mostrou preocupação com o futuro do Galo da Borborema.

    Presidente, dado o ponto final para o Treze na Série D, como você avalia a temporada do clube na sua gestão?
    – Quando fui eleito ninguém queria ser candidato a presidente do Treze. Coloquei meu nome à disposição e fui eleito. Fui eleito com a certeza de que todos os abnegados me apoiariam. Quando eu assumi, se afastaram. Tentaram fazer com que eu pedisse licença do Campeonato Paraibano, e eu disse que não faria pois o Treze seria punido, e ficaria dois anos afastado, voltando nas disputas da segunda divisão. Fizemos um time três vezes mais barato do que o do ano passado e ainda chegamos em terceiro lugar. Ainda está na justiça, podemos ainda ficar em segundo. Ninguém sabe o que vai acontecer. Terminado o estadual, na última partida no Amigão, o diretor Ivandro Cunha Lima Filho chegou em mim e disse que não poderia mais ficar por falta de condições, seus afazeres, enfim. Outros diretores pediram para que eu pedisse licença do Campeonato Brasileiro da Série D. Eu disse que não faria, pois o Treze seria punido, assim como no estadual. Ficaríamos distantes de competições nacionais e estaduais por dois anos. Era isso que eles queriam que eu fizesse. Eu me tornaria um incompetente. Agradeço aos atletas como Nonato, André Beleza, Léo Rodrigues, Marcelo Godri, Alexandre Bindé, entre outros, que resolveram reduzir pela metade os seus salários, confiando no nosso projeto. Ficamos com um time só para participar. E esse time foi dando liga. Apareceram torcedores que quiseram ajudar, mas que forçaram para tirar o treinador (referindo-se a Luiz Carlos Mendes). Falei para eles que o nosso problema não era treinador, era trazer três ou quatro peças de melhor qualidade para subirmos. Forçaram tanto, com o apoio do presidente do conselho, que ele chegou até mim e disse que era melhor aceitar. Contratamos o Humberto Santos e ele viu que se trouxéssemos algumas peças chegaríamos à Série C. Como não tínhamos dinheiro, tivemos que terminar a série D com o mesmo plantel que iniciou. Vejam que não fizemos uma má campanha. Tivemos 15 pontos e só perdemos uma partida. Dentre os 40 times, apenas sete fizeram mais pontos que nós. Mas é critério de CBF.

    Até aqui, qual o ponto mais positivo que pode-se destacar em sua gestão? E o maior erro?
    – Errei em acreditar naqueles que diziam que iam me ajudar. Acertei em falar a realidade deste clube. A torcida é a única que não poderia ficar isenta e enganada. Tive a coragem de enfrentar, e mexi com alguns que estavam se dando bem no Treze, mesmo sem ser funcionários ou diretor, só torcedor. Isso fez com que eles tentassem jogar a torcida contra mim. Mas eu volto a repetir: qualquer um que queira administrar o Treze, e que sejam homens de caráter, que tenham condições de ajudar, não teria problema algum, entrego o meu cargo ainda hoje, a minha carta de renúncia. Agora, para entregar nas mãos de pessoas de má índole, eu prefiro sofrer o dano e continuar no Treze. Estou aqui porque sou apaixonado e torcedor do Treze. O Treze, hoje, está vivendo de mendigar ajuda de um ou de outro.

    Bebeto, como você vê a atual situação administrativa e financeira do Treze?
    – O Treze deve apenas um mês de salário, que venceu no último dia 10. Estou fazendo o possível e o impossível, pedindo ajuda a um e a outro, para que a gente possa pagar essa folha. 70% deste elenco quer ficar no clube. Mas como vão ficar se não temos condições de ficar? Tem alguns ex-dirigentes que estão tentando se juntar para me ajudar. Eu já disse que só fico no Treze se me ajudarem. Para ficar sozinho e ser julgado pelos canalhas que se dizem trezeanos, eu prefiro entregar a minha carta renúncia, e que o conselho tome conta.

    Então existe uma possibilidade de renúncia da sua gestão como presidente do Treze Futebol Clube?
    – Existe sim. Se houver quem venha tomar conta e queira que eu saia, eu saio. A outra possibilidade é que se esse grupo que está se juntando não ficar do meu lado, eu também entrego.

    Bebeto Silva, você se arrepende de ter aceitado o desafio de ser presidente do clube?
    – Jamais me arrependeria. Eu me arrependo de ter confiado nas pessoas. Assumi pensando que se todos se unissem levantaríamos o Treze. Foi o contrário. Os abnegados são pessoas de bem. Cansaram porque não tinham mais condições de por dinheiro ali dentro, e ser um saco sem fundo. Se não fosse o conselho deliberativo do Treze, o clube teria fechado.

    O que esperar da instituição Treze Futebol Clube em um curto e médio prazo?
    – Hoje temos 80% de chances de sermos campeões paraibano em 2016. Temos uma base. Se continuarmos com essa base, já teremos 50% do caminho percorrido. Tenho apoio do presidente do Bahia, do Ceará, do Santa Cruz e do Atlético-PR, que nos ajudarão e nos darão jogadores sem ônus nenhum para sermos campeões no ano que vem. Fazendo um time com jogadores aqui da nossa região Nordeste e com o acordo destes outros clubes, nós seremos campeões. Só farei isso se eu ficar com esse grupo que está se juntando para me ajudar. Peço a todos os trezeanos de verdade, que me apoiem e me ajudem. Se acham que eu sou um mal no Treze, eu entrego o meu cargo hoje, se for para o bem do Treze. As informações são do blog Voz da Torcida.

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