Poluição aumenta em 27% o risco de morte para não fumantes, alertam pesquisadores

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    No que se acredita ser o maior e mais detalhado estudo do gênero nos Estados Unidos, cientistas da NYU Langone Medical Center e de outros locais confirmaram que pequenas partículas químicas contidas no ar que respiramos estão diretamente ligadas ao aumento do risco de morte.

    Os pesquisadores dizem que esse tipo de poluição atmosférica envolve partículas tão pequenas que são invisíveis aos olhos humanos. Na pesquisa publicada online nesta terça-feira (15) no periódico Environmental Health Perspectives, os cientistas concluem que mesmo um minúsculo aumento de quantidade dessas partículas (de 10 microgramas por metro cúbico de ar, por exemplo) leva a um aumento de 3% no risco de morte por todas as causas e 10% de aumento do risco de morte por causa de problemas cardíacos. Para não fumantes, o risco aumenta para 27%, em casos de morte por causa de doenças respiratórias.

    “Nossos dados acrescentam informação a uma grossa massa de evidência que essas partículas são danosas à saúde, aumentam a mortalidade total e a maioria das mortes por doenças cardiovasculares, bem como mortes por problemas respiratórios em pessoas que não fumam”, diz o epidemiologista condutor do estudo, George Thurston, que é professor de saúde pública e ambiental na NYU Langone.

    “Nosso estudo é particularmente notável porque todos os dados usados nas nossas análises vêm do governo ou de fontes independentes”.

    De acordo com Thurston, pequenas partículas podem contribuir para o desenvolvimento de doenças potencialmente fatais no coração e pulmão por causa da diminuição das defesas do corpo, além da possibilidade de serem absorvidas profundamente nos pulmões e corrente sanguínea. Essas partículas não são expelidas pela coriza ou pela tosse, como a maior parte das partículas grandes.

    Além disso, Thurston diz que essas partículas pequenas são normalmente feitas de produtos químicos danosos ao organismo, como o arsênico, o selênio e o mercúrio, e elas também podem transportar gases poluentes, inclusive o óxido sulfúrico e o nitrogênio, conduzindo-os ao pulmão.

    Para a pesquisa, Thurston e seus colegas avaliaram dados de um questionário detalhado sobre saúde e dieta, conduzido pelo National Institutes of Health (NIH) e pela Associação Americana de Pessoas Aposentadas (AARP). O estudo do NIH-AARP envolveu 566 voluntários de vários estados americanos, de ambos os sexose entre 50 e 71 anos.

    Analisando a informação reunida sobre os participantes entre 2000 e 2009, os pesquisadores calcularam o risco de morte pela exposição às pequenas partículas em cada censo nacional, cruzando a informação sobre a quantidade e tipo de partícula que havia sido detectada no local.

    Os cientistas então, estatisticamente, descartaram outras variáveis que poderiam impactar a saúde e a longevidade, incluindo idade, raça ou etnia, nível de educação, estado civil, compleição física, consumo de álcool, o quanto cada um fumava (ou não) e fatores socioeconômicos, como a renda média e quantas pessoas no bairro não havia completado o ensino médio.

    De fato, os cientistas não encontraram diferenças significativas no efeito da exposição às partículas entre homens e mulheres, idades diferentes ou níveis de educação.

    Eles também notaram que, limitando a análise para o estado da Califórnia, em que há um controle mais rigoroso sobre a poluição do ar, não houve muita diferença no nível de risco; em vez disso, eles descobriram a mesma associação entre a exposição às partículas e o aumento do risco de morte para todas as causas não acidentais de doenças cardíacas.

    O pesquisador e epidemiologista Richard B. Hayes disse que o próximo plano do grupo é estudar quais componentes dessas partículas são mais danosos e se eles são provenientes de escapamentos de carros, indústrias químicas ou indústrias que queimam carvão.

    “Precisamos nos informar melhor sobre políticas públicas sobre os tipos e fontes de determinadas poluições, então nós poderemos focar na regulação”, diz Hayes, professor de saúde pública e ambiental da NYU Langone. “É especialmente importante continuar monitorando os riscos à saúde, assim como os padrões nacionais para a poluição do ar devem ser fortificados”. As informações são do iG.

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