Peça sobre o assassinato de João Pessoa é atração neste domingo no Paulo Pontes

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“Estamos trazendo com o espetáculo com uma linha diferente das que são apresentadas geralmente na cidade. Queremos expor o teatro político às pessoas para incitar uma reflexão histórica e contemporânea”, revelou o escritor e dramaturgo Tarcísio Pereira, que estreia na capital a peça “De João para João”. A performance teatral, que acontece neste domingo (15), às 20h, no Teatro Paulo Pontes, resgata os últimos instantes do presidente João Pessoa. A entrada custa R$ 30 inteira e R$ 15 meia-entrada.

Além das apresentações na capita paraibana, o público que não puder conferir a peça em João Pessoa, os atores Tarcísio Pereira e Flávio Melo já tem outros convites para apresentações em capitais como Recife, Natal e Maceió, além de outros municípios da Paraíba e várias escolas. As apresentações nesse final de semana marcam o início de uma temporada do grupo para o público da capital.

Sendo produzido pelo grupo Sagarana, a peça já foi passou por cidade como Campina Grande, Guarabira e Pombal, e também para estudantes em sessões privadas para escolas, em virtude de sua abordagem histórica. Mas agora, é a vez de João Pessoa receber o espetáculo.

Os presentes no espetáculo notaram que ‘De João para João’ é uma produção teatral sobre o assassinato de João Pessoa, governante do estado da Paraíba, no ano de 1930. Tento como base para dramaturgia, o escritor Tarcísio Pereira utilizou-se da carta escrita pelo advogado João Duarte Dantas, assassino de João Pessoa, para construir toda trama da peça. Além disso, esse marco histórico em nossa sociedade foi considerado um dos crimes que comoveu a sociedade da época, e que foi o estopim da Revolução de 30 no Brasil.

“Pesquisando sobre a história de João pessoa nos anos 30, um documento me chamou atenção que foi a carta de João Duarte Dantas. Em cima dele, estudei a proposta e encontrei várias revelações e surpresas que fizeram com que eu fizesse essa peça”, disse o escritor Tarcísio Pereira.

O dramaturgo ressaltou ainda que, a dramaturgia se vale de um documento público, embora desconhecido, para estabelecer um discurso dialógico que questiona, e reflete, não apenas as nuances históricas, mas também as paixões de duas vidas privadas.

Sendo encenado com dois atores nos papéis de vítima e assassino, interpretados por Tarcísio Pereira e Flávio Melo, já conhecidos de outros trabalhos no teatro e no cinema, o famoso crime de 26 de julho, ocorrido na Confeitaria Glória (Recife), é mostrado num ambiente de notícias da época, com informações curiosas da história da Paraíba naquele período tão conturbado.

“O jornal é um grande personagem na peça, inclusive A União está dentro desse contexto, porque fazemos alusões aos noticiários da época, uma forma de mostrar que, assim como ocorre nos dias atuais, as pessoas transitam entre notícias, e notícias que insuflam o ódio e destroem vidas e reputações, às vezes gerando o crime”, frisou o autor do texto e diretor do espetáculo, Tarcísio Pereira, que faz o papel de João Pessoa.

A peça utiliza trilha sonora original do compositor e maestro Eli-Eri Moura, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A iluminação é de João Batista Mendonça, operação musical de Bruno Fonseca, fotografia de Antônio David, Arte Visual de Cristovam Tadeu e coordenação técnica de Claudevan Ribeiro.

Fazendo um recorte histórico em cima da peça, Tarcísio Pereira confessou que, quis o destino que ele trouxesse à cena, nesta semana, um espetáculo que não trata apenas do assassinato de João Pessoa, mas de um momento turbulento na política brasileira em que esse assassinato acabou ocasionando a queda de um presidente da República.

“Qualquer semelhança com os dias atuais é mera coincidência, mas também foi fruto de muita pesquisa e desse modo brasileiro que sempre se repete. Com Vocês: De João para João”, disse.

Saiba mais

Histórias políticas com dramas passionais sempre andaram de mãos dadas. Em qualquer parte do mundo, episódios envolvendo o Poder Público – e que chegaram ao ápice do escândalo ou do crime – têm irrigado um amplo material na criação artística, notadamente na Literatura e no Teatro.

No Brasil de 1930, o assassinato de um governante estadual causou enorme turbulência e comoção nacional, chegando a deflagrar um movimento político que ficou conhecido como “Revolução de 30”, momento em que Getúlio Vargas assumiu a presidência da República.

O que está por trás desse crime, no entanto, não é uma luta pelo poder, mas o desespero de um homem atormentado pela mídia oficial, e que resolveu lavar sua honra com o sangue de um poderoso chefe de estado.

Até hoje, o crime gera controvérsias. A encenação desse fato, através de um texto jamais explorado, lança um novo olhar sobre a versão oficial com o testemunho legítimo do próprio criminoso, numa carta que continua inédita e que possui um potencial dramatúrgico repleto de sentimentos e curiosidades históricas.

“Tudo isso é tratado na peça que estamos levando ao Teatro Paulo Pontes neste sábado e domingo. Uma peça sobre uma história dessa política de acordos, conchavos e blablabás”, concluiu Tarcísio Pereira. As informações são do Jornal A União.

 

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