Opinião: Cinema em tempos de cidadania audiovisual traz temas de caráter sociopolítico

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    Muitas são as funções que a Sétima Arte exerce no meio social. Desde o mero entretenimento, capitalizado pela chamada indústria cultural, até a catarse – a reação emocional e transcendente – e a reflexão acerca dos temas e questões presentes na sociedade.

    Desde os primórdios da realização cinematográfica, temas políticos foram objeto de filmes, ainda que sob a forma de alegorias e metáforas. Com o passar dos anos o potencial da linguagem audiovisual foi sendo melhor explorado, com obras engajadas e/ou de cunho altamente crítico. Cineastas como o grego Costa-Gravas, o francês Jean-Luc Godart e brasileiro Glauber Rocha se destacaram nesse cenário.

    O apelo emocional, a simbologia do signo imagético e suas caraterísticas narrativas contribuem para que a linguagem audiovisual seja um extraordinário instrumento de crítica e de problematização social. O filme exerce um efeito imediato no espectador, é possível se inteirar e se identificar com a temática apresentada em pouco tempo. O cinema é dinâmico e envolvente.

    Inciativas como a mostras de cinema, cineclubes, festivais e outras são oportunidades de utilizar a narrativa audiovisual como eixo de discussão, reflexão e tomada de consciência sobre questões tradicionalmente relegadas a obscuridade – devido a fatores diversos. A luz da projeção cinematográfica ajuda a elucidar o que está envolto nas sombras da ignorância.

    Suscitar o diálogo e o questionamento sobre si e sobre o meio em que se vive é um dos papéis sociais da Arte. Complementado por outros gêneros artísticos, como a literatura e sendo originado diretamente da fotografia, o cinema é um espaço de livre expressão de ideias e, como tal, pode ser utilizado como instrumento de afirmação política e identitária.

    Com a democratização do acesso aos meios de produção e projeção de cinema, hoje temos anualmente centenas filmes de curta e longa-metragem que colocam em evidência assuntos de caráter político e social.

    Um exemplo recente é o curta “Recife, Cidade Roubada”, do jornalista Scheneider Carpejane, sobre a ocupação predatória do espaço urbano do Recife ocasionada pela especulação imobiliária. Desde que foi lançado, o filme tem tido destaque expressivo e ajudado de forma substancial a fortalecer movimentos políticos pró-democratização do território nas grandes cidades, como o Ocupe Estelita. São tempos de cidadania audiovisual.

     

     

     

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