Opinião: “Cinema é vida em movimento, é arte que sublima as horas”

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    A Arte existe porque a Vida não é suficiente. Não uma apenas. Essa máxima pode ser também uma ótima definição para o papel do cinema no cotidiano e na memória afetiva das pessoas. Aquele filme que você lembra ter visto num momento delicado, o que te emocionou, o que te fez refletir e repensar alguns valores, aquele que marcou uma vivência romântica, o que provocou risos hilariantes.

    Desde que foi realizada a primeira projeção de imagens em movimento na tela, em 1895 (portanto há 120 anos atrás!), numa sala improvisada pelos irmãos Lumière (considerados os pais do cinema), a conexão com o público é imediata, provocando reações diversas. Hoje o cinema cresceu, se tornou uma grande indústria e seu apelo sensorial se amplificou assim como sua abrangência.

    O mundo vê e faz cinema. Quase todas as pessoas que conhecemos tem alguma relação com a Sétima Arte. É a modalidade de maior convergência entre as linguagens artísticas: imagem, som, texto. Transmite seus signos, códigos e mensagens numa dinâmica sem paralelo entre as artes reproduzíveis em larga escala.

    Walter Benjamin, um dos grandes estudiosos da cultura e dos meios de comunicação no Século XX, com sua visão ultra-purista, não considerava o cinema uma categoria de Arte porque é reproduzido, pode ser a um mesmo filme com igual qualidade em qualquer sala de cinema bem equipada. Benjamin teorizava sobre a perda da “aura” artística, defendia que se um quadro como a Monalisa de Da Vince, por exemplo, fosse reproduzida em jornais, revistas ou outras telas se perdia a essência. Para apreciar verdadeiramente uma obra de arte, segundo ele, tinha de ir ao Museu do Louvre, em Paris, e ver a pintura ao vivo, sentir sua força e magnitude.

    Apesar de um admirador de Benjamin, discordo com veemência dessa visão dele sobre o cinema. A Sétima Arte leva esse título justamente pela força, simbolismo e apelo direto aos sentidos, pela estética e técnica que através da reprodução de fotogramas, som e luz em continuidade exercem o poder da catarse, do transbordamento de emoções e dos insights criativos e reflexivos.

    Essa é o critério maior de uma modalidade artística: envolver com ética, estética e emoção. E o cinema é tudo em grandes proporções, acessível a um volume imensurável de pessoas. Cinema é Vida em movimento, é arte que sublima as horas, humaniza, diverte, entretém, suscita questionamentos, conscientiza, inspira.

    É como uma janela mágica e indiscreta que captura um recorte, um ângulo do mundo e através dele te leva a viajar por “mares nunca dantes navegados”. Como diria um outro poeta, navegar é preciso. E dessa navegação eu encontro boa parte da beleza e da instigação do cotidiano. Cinema para não sucumbir nesses tempos líquidos.

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