Operação Jararaca em ação: expectativas para “milagres” do ministro Lula

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Operação Jararaca

Por Walter Galvão, do jornal A União

 

Escrevo neste momento em meio à zoeira causada por uma possibilidade cada vez mais possível: Lula no Ministério da presidente Dilma. “Vai ou não vai, vai ou não vai”… O estribilho soa nos vales e montanhas da pátria educadora. Mexe e remexe em rodas de conversas, está nos debates, ocupa programas de rádio, de televisão e as telinhas de blogues e portais por toda a rosa dos ventos, no rumo do Siroco e da Tramontana, do Levante ao Ponente.

Mesmo depois da explosiva revelação, devidamente negada, de que o ministro Mercadante teria prometido fazer lobby no Congresso para aliviar a barra do mais temerário dos delatores da República, o senador Delcídio Amaral Silvério dos Reis, mesmo com isso persistiu a questão “Lula no Ministério”.

O que será que será que combinaram no breu das trocas, nos tríplex e nos porões das malocas de Brasília? Essa foi uma pergunta que rolou lindo antes e depois do almoço de ontem, nos lares, bares, botecos, mansardas e mansões.

O que eu sei e posso responder é o que ouvi do compositor paraibano Herbert Viana: “Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou, são trezentos picaretas com anel de doutor. /Eles ficaram ofendidos com a afirmação/que reflete na verdade o sentimento da nação./É lobby, é conchavo, é propina e jeton,/variações do mesmo tema sem sair do tom./Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei/uma cidade que fabrica sua própria lei”.

Para muitos, a questão deixou de ser “se Lula voltar…” e agora é “quando Lula voltar”. Mas esse voltar pode ser já, nesta quarta-feira, talvez até já tenha sido, ou quando o tempo for bom, mas todas as especulações têm a ver principalmente com a volta do eterno torneiro-mecânico à disputa pela Presidência da República.

Foi Luís Inácio quem disse, Lula avisou sobre o próprio retorno ao palanque presidencial na condição de astro príncipe. O aviso em tom de advertência aconteceu durante o depoimento à Polícia Federal naquela manhã em que o Brasil tremeu e parou.

Estremeceu e se espantou o mundo político, administrativo, eclesiástico, popular, militar, de classe média, proletário, dos excluídos e das elites com a ousadia (seria prepotência, um ato ilegal?) de um juiz caladão que arrancou gritos de espanto da garganta do país incrédulo ante a condução coercitiva para depor numa delegacia daquele que encarna, projeta e confirma o símbolo máximo de tudo o que importa no poder: história, vitórias e glórias. E riqueza. Lula: o homem de R$ 300 mil por duas horas de palestra. Tem grana pra comprar sítio, vila e solar.

Caso ele assuma, aí se pode dizer: prego batido, ponta virada; senhas codificadas e grampos magnetizados. Tá tranquilo, tá favorável. Brasil selado para mais uma cavalgada do churrasco contra a coxinha. Aí então estará em ação total a Operação Jararaca.

O mapa mental da estratégia da operação indica vários eixos de ação, cada eixo com várias frentes, e cada frente com centenas de alas de combate. Lula pretende seguir neste primeiro momento a clássica formação das legiões romanas em trânsito, uma vanguarda peso-pesado para o ataque. Desta vanguarda, a cavalaria de choque terá quatro coortes de primeira linha e cada linha o seu general. Estes podem ser, num primeiro momento, Nelson Jobim, Henrique Meireles, Jacques Wagner e Gilberto Carvalho.

Atuarão esses cavaleiros do após-calypso concentrados no Congresso, na Justiça e Ministério Público, no Partido dos Trabalhadores e na economia

O que Lula pretende é a estabilização política para a governabilidade apressando o desfecho do caso Cunha na Câmara dos Deputados, fonte de trepidações que impedem a blindagem da presidente, o que acontecerá também com a argamassa do PMDB interessado em participar da nova cozinha que está sendo montada.

A recomposição da base aliada no Congresso, com o auxílio luxuoso do presidente do Senado é um alvo prioritário. A tática, Lula já avisou, é a de sempre, não preciso explicitar, o Brasil conhece. E por isso confia e vota no Lula. E nos seus recomendados.

Varrido este terreno, a próxima fase da Operação Jararaca, já batizada de Escamas e Espinhos, intentará a “despartidarização” da investigação do Ministério Público e Polícia Federal sobre supostos desvios de recursos da Petrobras para pagamento de propina. Ontem, o economista Luiz Gonzaga Beluzzo, falando ao Sistema Globo de Rádio, disse que, realmente, só Lula poderá conseguir o que parece, permitam-me o neologismo, inconseguível na atual conjuntura: restabelecer a confiança na economia brasileira através de um arranjo político. E colher os frutos doces da retomada da estabilização.

A tarefa pode parecer difícil. Mas para quem declarou que “não tem uma viva alma mais honesta do que eu”, o difícil obrigatoriamente terminará sendo fácil. Quem viver verá.

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