A agenda das conspirações cotidianas traz marcado em vermelho para esta semana o seguinte. Estão quase definidos os parâmetros do acordo que vem sendo costurado há mais ou menos um mês entre Lula, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e Aécio Neves, com apoio luxuoso de Gilmar Mendes. Juntos, eles vão finalizar a operação Lava Jato.

Caso a operação continue, o prazo previsto até agora para o término é de mais 24 meses a partir de dezembro, no mínimo, especulam os escudeiros de Deltan Dallagnol. Ainda tem muita lama a jorrar desse chão petrolífero, acreditam.

Por falar no procurador coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan, como se sabe, foi alvo de duras críticas na semana passada. Não era pra menos, depois que ele disse nas redes sociais que a estabilidade de Temer era provisória, além de profetizar um novo escândalo envolvendo o presidente capaz de fazer tartaruga subir de costas em coqueiro de tão impactante.

Resgato o fato como registro necessário para quem não acompanhou a polêmica. O intuito é oferecer subsídios para a formação de uma consciência a respeito das repercussões de uma operação policial que seguramente está entre as maiores caçadas a políticos supostamente corruptos já empreendidas na história. Só os documentos fornecidos pelos empresários da J&F dão conta de maracutaias comprovadas de 1.800 políticos.

Quanto à polêmica, o jornalista Kiko Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, definiu assim o procurador:

“Nele se unem a megalomania, a ambição, a arrogância, a fama, a fé evangélica e a falta de noção, resultando num pacote de autoconstrangimento e vergonha alheia. Dallagnol embarcou numa ego trip que ninguém mais controla. De Silvio Santos a Elton John, passando pelo dono da Riachuelo, é comum o sujeito perder o senso do ridículo, mas depois de um certo tempo. Deltan está passando por isso precocemente, aos 36 anos. Vive cercado de yes men que não o censuram mais”.

Amigos, admiradores e colaboradores de Deltan garantem, no entanto, que ele é um jovem inteligente, afetuoso, estudioso, metódico, sossegado, e que desempenha as tarefas com o mais aguçado espírito republicano. São esses que planejam um desagravo público ao procurador federal esta semana.

Retomando a agenda da conspiração para imobilizar a Lava Jato. Os personagens desse drama são por demais conhecidos. O operário odebrechtiano líder imbatível como nunca houve antes na história desse país, o intelectual que meteu o pé na cozinha e pediu que esquecessem o que escreveu, o constitucionalista que enfiou os pés pelas mãos dentro de uma mala com 500 mil reais, e o herdeiro que vendeu a santa da fazenda do avô depois de o seu capital político ter virado pó. Todos têm, teria na teoria, o auxílio luxuoso do juiz coronel, ministro, empresário líder político.

No liquidificador da história, eles são vitamina de mamão com sal, a cara do Brasil das contradições e desigualdades, o que resta de um modelo que se autocanibalizou. Se é verdade que esse acordo está em evolução, que a Lava Jato está com os dias contados, e que vai rolar impunidade para quem ainda não foi fustigado pelo juiz Sérgio Moro, mesmo assim, se deve atentar para o passo gigantesco que o aparelho coercitivo conquistou nesses últimos três anos, à frente do trabalho a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

Mas dificilmente será possível barrar o que está por vir, porque há muito material acumulado. Repito, só Joesley Safadão entregou malas de documentos que incriminam 1.800 políticos, afirmou o procurador-geral Rodrigo Janot. O rolo compressor do processo de apuração das denúncias da JBS ainda vai se mover por muito tempo na contramão dos interesses do presidente Michel Temer. Ninguém perde por esperar. Palavra de Dallagnol.

Retrocesso

A tradição esotérica fala das reencarnações conscientes e imediatas, que acontecem através de um planejamento que é feito numa instância cósmica transcendental sobre a qual não podemos dizer muita coisa de concreto.

Um caso sempre referenciado é o do Nicolau Copérnico (1473-1543). Afirmam os especialistas que o astrônomo que disse que a Terra girava ao redor do Sol teria sido a reencarnação do filósofo Nicolau de Cusa (1401-1464). Escritos do cardeal e pensador renascentista antecipam muito do que afirmou Copérnico.

Nessa linha de raciocínio, é possível inferir que a militância populista biruta de Donald Trump tem a ver com uma tentativa de reencarnação, parcialmente exitosa, de Hugo Chavez. Depois de deambular pelo limbo em que a morte o hospedou, Chaves viu na personalidade do presidente dos Estados Unidos uma alma-irmã e tratou de se enfiar no corpanzil do galego desbocado. Dentro do corpo, as almas populistas em conflito geraram um curto-circuito que foi essa decisão de Trump de anular o acordo firmado entre Obama e Raul Castro para o degelo das relações EUA-Cuba. O zumbi Trump, caricatura de Chavez, não sabe o mal que faz ao país que (des) governa. Uma lástima.

Reproduzido do jornal A União, edição de 18 de junho de 2017.

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