Nada de riso! Morte do humorista paraibano Shaolin completa um ano neste sábado

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Nada de riso! Morte do humorista paraibano Shaolin completa um ano neste sábadoHoje completa-se um ano da morte de Shaolin, o humorista que nasceu Francisco Jozenilton Veloso mas, como gostava de mudanças – e talvez por causa da sua feição oriental dotada de olhos oblíquos e cabelos lisos-, ficou conhecido como o famoso mestre chinês, principal astro dos filmes de artes marciais dos anos 80. Cartunista político, ator e imitador, ele nasceu em Coremas, no sertão paraibano, em 8 de maio de 1971 e faleceu no dia 14 de janeiro do ano passado.

Na escola primária, Shaolin já gostava de fazer todos gargalhar. Imitação era seu ponto forte. Os cantores Leonardo e Zezé de Camargo elogiavam suas imitações. Zezé o chamava de “Carbono”. E Leonardo se limitava a rir às escâncaras, quando via o baixinho imitá-lo no “Domingão do Faustão”, ou nos programas de Ana Hickman. “Acho que quando São Pedro abriu a porta do céu e viu quem tinha chegado, quase perde a auréola de tanto gargalhar”, comenta a dona de casa Maria Elizabeth da Silva Gouvêa de Araújo, fã incondicional do artista.

Quando começou a carreira de ator no Teatro Municipal Severino Cabral, em Campina Grande, Shaolin ainda não era conhecido como o perfeito imitador, também, da cantora Joelma, da ex-Banda Calypso. E nem pensava em fazer aparições no Programa de TV do Tom Cavalcanti, ao lado de Tiririca e do próprio Tom, matando o público de rir. O cantor Leandro, da banda KLB, certa vez quase saiu de cena num programa da TV Record, porque Shaolin, num gesto engraçadíssimo, o chamou de “pegador de miss”.

Na época, Leandro era noivo da Miss Brasil 2007 Natália Guimarães, com quem casou. Joelma, ao ver o humorista imitá-la, vestido com um saiote e plumas, caiu no riso e exclamou: “ah, Deus, eu sou assim, é?” O cantor Luciano não gostou, mas deu um riso amarelo ao ouvir Shaolin chamá-lo de “anão gigante”. O homem era irreverente: ao imitar um homossexual no “Domingão do Faustão”, Jozenildo provocou risadas por causa de uma inusitada justificativa, dirigida à sua genitora: “mãe, eu sou homem, mas preciso ganhar o leite dos meninos”.

Ana Hickman, ciente da irreverência do ator, levava tudo em tom de brincadeira. Até quando Shaolin ajeitava o saiote com trejeitos, ao descer de um escorregador instalado no palco, ao lado de uma linda moça. Após o acidente que sofreu, ao ser abalroado pelo caminhoneiro Jobson Clemente Benício, em 18 de janeiro de 2011, Shaolin teve seu braço esquerdo recuperado, mas foi colocado em coma induzido. Conseguiu sobreviver apenas ouvindo e reagindo com o piscar dos olhos, graças a um aparelho sueco que Ana Rickman arranjou.

Veia cômica no ambiente de trabalho

Nos anos 90, Shaolin tinha pouco mais de 20 anos e trabalhava como ilustrador do jornal A Palavra. Paralelamente, inaugurou um programa de humor na TV Borborema, mas o seu nome artístico, Francisco Veloso, nada tinha de atrativo, nem de sonoro. Foi quando o jornalista e professor da UEPB, Atalmir Guimarães, sugeriu que o humorista estreante adotasse o pseudônimo artístico de Shaolin. Estavam em voga os filmes de artes marciais e Veloso tinha uma certa aparência com Jack Shan, que fazia o papel de um monge budista chinês, o solitário da província de Henan, que combatia as injustiças aplicando seus terríveis golpes de Kung-Fu.

“Francisco gostou, o apelido pegou e Shaolin evoluiu artísticamente com este nome, fazendo sucesso nas TVs do Sudeste”, explica o jornalista Chico José, da Sucursal de A União em Campina Grande. “Ele exercitava a sua veia cômica até no ambiente de trabalho”, explica. Shaolin era a animosidade em pessoa na redação do jornal A Palavra. No calçadão, onde era cativo nos finais de tarde, ninguém o chamava mais pelo nome de batismo. E ele gostou tanto que, quando apresentado a um desconhecido, respondia: “muito prazer, Shaolin.”. Dalí por diante, o menino de Coremas começou a fazer o Brasil inteiro rir. O filho dele, Lucas Veloso, fez papel coadjuvante na novela Global Velho Chico. Hoje, também faz shows como humorista.

*Texto escrito pelo jornalista Hilton Gouvêa e publicado no Jornal A União.

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