“Minha vida sempre foi ouvir e contar histórias”, diz Maria Valéria Rezende

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Maria Valéria Rezende é paulista, nascida em Santos, mas há 40 anos vive na Paraíba, mais da metade dos seus 74 anos muito bem vividos. Sim, ela confessa que viu e viveu isso através dos seus escritos. Sua figura humana é um tanto singular: ela é freira, educadora popular e é também uma escritora. Em dezembro de 2015, recebeu um dos mais importantes prêmios literários nacionais, o Prêmio Jabuti, pelo seu novo romance Quarenta Dias.

Graças a premiação, ela esteve dois meses viajando entre Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte para divulgar o livro. Bem-humorada, ela faz trocadilho com o nome do prêmio:  “Zebruti”, diz ao completar que todo mundo esperava – inclusive ela – que ganhasse o livro do Chico Buarque ou do Cristovão Tezza, nomes consagrados no circuito literário brasileiro

Quando ganhou o Jabuti, a editora teve que imprimir novas edições do título premiado e de outros da autora, uma vez que houve uma procura gerada pela curiosidade e pelo boom do prêmio. “Quando Quarenta Dias foi anunciado vencedor foi uma loucura porque praticamente não havia mais exemplares à disposição nas livrarias”, revela Maria Valéria.

Questionada sobre a sua origem regional, à despeito das classificações que sempre lhe atribuem nesse aspecto, ela não titubeia. “A (Maria Valéria) escritora é paraibana. Os meus livros foram gerados, escritos, vividos aqui”, ressalta ela para depois dar ênfase a expressividade cultural da Paraíba.

“Acho que não há um outro estado do Brasil que tenha a taxa per capita de talento da Paraíba. Tire os paraibanos da literatura brasileira, da música brasileira, da pintura brasileira, fica um rombo enorme”, destaca Maria Valéria

Ela aproveita para reafirmar sua paraibanidade. “Sou cidadã paraibana com todo direito e por escolha. Não tem dúvida: como escritora eu sou uma escritora paraibana”, é taxativa.

A escritora conhecida por retratar em seus escritos a dimensão humana como poucos na literatura contemporânea do Brasil confirma o seu envolvimento maior com as pessoas e com os ambientes que vivenciou. “Minha vida sempre foi ouvir e contar histórias, e continua sendo”, reflete.

“A vida que eu vivi me deu a matéria prima. Eu escrevo a partir do que armazenei lendo primeiro o mundo. Do que eu li do mundo agora eu pego esses ingredientes e faço a minha culinária literária”, explica Maria Valéria Rezende com sua costumeira naturalidade.

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