“Memórias de Cão”, baseado em textos de Machado de Assis, estreia em maio

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    Levantam-se as cortinas dos teatros paraibanos. Passado o Carnaval, alguns dos principais grupos locais preparam novos espetáculos ou circulam com montagens já prontas, mesmo ainda sem duas das principais casas de espetáculo da cidade. Enquanto o Santa Roza continua em reforma, o Teatro Paulo Pontes ainda espera pela resolução de detalhes técnicos para retornar e abrir sua pauta.

    O Alfenim Coletivo de Teatro já está ensaiando sua nova montagem, Memórias de um Cão, baseada em textos do escritor Machado de Assis. As primeiras apresentações devem acontecer até o início de maio, em uma temporada de dois meses na sede do grupo, a Casa Amarela, localizada no Centro Histórico de João Pessoa. O diretor do Alfenim, Márcio Marciano, conta que a peça ainda está sendo montada. “Atualmente, estamos em processo de formalização da encenação”, complementa.

    Parte do projeto Figurações Brasileiras, que tem o patrocínio de manutenção da Petrobras, o espetáculo gira em torno da ascensão e queda de Rubião, um mestre-escola interiorano que às vésperas da abolição da escravatura, se muda para a Corte, após receber uma herança de seu benfeitor, Quincas Borba, um típico escravocrata que se autointitula filósofo. No entanto, para poder usufruir do dinheiro, ele precisa cuidar do cão de Quincas, que tem o mesmo nome do falecido – daí o nome do espetáculo.

    Como não poderia deixar de ser, o espetáculo faz uma crítica à sociedade, inerente às montagens do Alfenim. Enquanto Milagre Brasileiro tecia um retrato soturno da época da ditadura, a ambientação escolhida para Memórias de um Cão é a “nova-rica” Rio de Janeiro imperial, onde o interiorano Rubião tenta se inserir em uma sociedade encharcada de preconceito de classe e do culto à futilidade. “É um espetáculo teatral que parte do estudo da obra de Machado de Assis para propor uma abordagem crítica das estratégias de dissimulação, engodo e autoengano que marcam no campo subjetivo e político as relações sociais do Brasil contemporâneo”, resume Marciano.

    Durante o ano passado, o Alfenim realizou uma série de ações de pesquisa, como o seminário “A atualidade de Machado de Assis”, que reuniu estudiosos da obra machadiana, além de uma série de oficinas de capacitação, que auxiliou a construção dos personagens e do enredo do espetáculo em si. O maior desafio, na opinião do diretor, foi conseguir deixar clara a atualidade do texto de Machado, evitando uma “leitura museológica” de sua obra ou uma simples reconstituição de sua época. “Precisamos colocá-lo em perspectiva histórica, ir além da crônica de costumes, das sutilezas e do humor de Machado. É preciso estabelecer a relação dialética entre dois tempos de um mesmo processo de modernização do Brasil, processo que Machado soube apreender e descrever como poucos”, completa Márcio Marciano.

     

    Clássicos infantis adaptados

    Quem também está com novo espetáculo na ponta da agulha é a Cara Dupla Cia. de Teatro. O ator e diretor Romildo Rodrigues explica que, após o encerramento da temporada do espetáculo O Mágico de Oz – em cartaz no Teatro Ednaldo do Egypto durante todos os finais de semana de março –, o grupo pretende estrear em julho uma adaptação de Pinóquio. “A gente vai trazer uma adaptação para o teatro, mas seguindo o roteiro original à risca”, adianta.

    Curiosamente, a Agitada Gang também se inspirou em Pinóquio em seu novo espetáculo, intitulado Se Mentir, o Nariz Cresce, mas buscando um olhar mais contemporâneo. “É uma nova montagem da fábula do Pinóquio, mas trazendo a história para uma linguagem mais atual”, salienta Edilson Alves, um dos integrantes do grupo. A previsão é que a peça circule a partir do segundo semestre deste ano.

     

    Recarregando as baterias

    O Ser Tão Teatro e o Piollin Grupo de Teatro, dois dos principais grupos de teatro da Paraíba, estão em processo de pesquisa, sem previsão de um novo espetáculo para entrar em cartaz. O momento é de criação coletiva. “Queremos convidar duas pessoas de fora para nos guiar no processo de construção de uma nova dramaturgia coletiva”, explica Thardelly, do Ser Tão Teatro.

    Nanego Lima, do Piollin, explica que, embora não tenham um novo texto, irão realizar um experimento teatral no fim deste mês, durante o lançamento de um livro que reúne textos, críticas e uma espécie de diário do primeiro Projeto Teatro Piollin, realizado entre 2012 e 2013. “Estamos correndo contra o tempo para fazer esses ensaios. Em meio a isso, estamos fazendo leituras e discutindo novas possibilidades de texto”, comenta.

     

    ‘Pastoril Profano’ e ‘O Mágico de Oz’

    O Pastoril Profano encerrou sua tradicional temporada de verão na Capital, mas agora, em parceria com o Marcos Frota Circo Show, faz uma turnê pelas principais cidades do interior do estado. A partir desta terça-feira (3), a trupe apresenta Pastoril Profano in Concert, um mix dos principais espetáculos da série, em Santa Rita, local onde o circo está montado. Depois, o grupo segue por Sapé, Mamanguape e Rio Tinto. Os ingressos podem ser comprados na bilheteria do circo por R$ 15 (cadeira normal/ meia), R$ 30 (cadeira normal/ inteira), R$ 20 (cadeira especial/ meia) ou R$ 40 (cadeira especial/inteira).

    O Mágico de Oz começa sua nova temporada neste sábado, no Teatro Ednaldo do Egypto. As apresentações são nos sábados e domingos de março, sempre às 17h. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). “Será nossa última temporada com O Mágico de Oz. Depois disso, vamos nos concentrar na montagem de Pinóquio”, revela Romildo Rodrigues. A montagem da história de Dorothy e sua aventura pelo reino de Oz conta com um detalhe interessante: um cachorro de verdade em cena, interpretando Toto, o inseparável companheiro da protagonista.

    Com informações de André Luiz Maia – Jornal Correio da Paraíba

     

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