Luzes no Vale do Sabugi

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Pode parecer estranho falar de luzes em tempos de treva. Afinal, se é verdade que a operação Lava-Jato recuperou 10 bilhões de reais desviados pela corrupção, também é verdade que suas consequências causaram um rombo de mais de 140 bilhões no Produto Interno Bruto – PIB. Graças a crise de credibilidade, inclusive jurídica, que desmantela a economia brasileira. Não vamos entrar nesse mérito. Os portais dão as notícias cotidianas do caos em que a irresponsabilidade de alguns, enfiou o Brasil. A crise é de democracia principalmente, mas não apenas. Até a razoabilidade está fora da pauta. O desemprego já é uma realidade dura. A paralisia maquiada do governo golpista de Temer coloca em risco até mesmo os serviços públicos essenciais. Tudo é motivo de negociata. Principalmente a verdade. Brasília se transformou num balcão de distribuição de farelos aos aliados. Temer, fragilizado pelo próprio veneno, nos mostra exatamente com quem não podemos contar. Diante do quadro sinistro em que se transformou o horizonte pós-golpe há uma equação que precisa ser resolvida. A vida segue. Mas, os reflexos das irresponsabilidades planaltinas provocam um forte impacto nos pequenos e médios municípios principalmente.

No entanto há uma clara disposição de reação ao caos em algumas regiões. Os efeitos negativos da crise econômica abrem a perspectiva para as potencialidades regionais. Algumas regiões paraibanas se organizam em fóruns e consórcios para a ocupação racional dos territórios. Buscam parcerias, seja com o SEBRAE, com o Governo do Estado ou com quaisquer instituições que possam ajuda-los a catalogar potencialidades e empreender ações de qualificação do turismo cultural, principalmente. O Brejo tem dado o tom na organização do turismo e apontado para a diversidade cultural enquanto grande alimento de uma nova cadeia de desenvolvimento econômico e social. No Vale do Sabugi uma articulação envolvendo inicialmente três municípios, Santa Luzia, Várzea e São Mamede, começa a apontar caminhos e já com a perspectiva de colocar a mão na massa imediatamente. Depois de criado o Fórum de Cultura do Vale do Sabugi, as articulações começam a dar frutos e os caminhos apontam para novas descobertas.

Certamente que não começaremos imediatamente uma colheita.  Mas, o pasto já começa a ficar verde. Tivemos o momento de arar a terra, a  semeadura foi feita e agora nos cabe  saudar a chegada das águas,  regando as boas ideias fertilizadas pela rica cultura sertaneja. O patrimônio arqueológico, o patrimônio material e imaterial, a culinária tradicional, a geografia e a história das cidades nos permitem acreditar que o Vale está preparando seu carteado para despontar numa perspectiva de desenvolvimento real, com base na sua sólida cultura e nas descobertas de um turismo cujos roteiros passam pelas comunidades quilombolas e pelas diversas trilhas que conduzem ao abraço do povo sertanejo. A cidade de Santa Luzia, por exemplo, ao reabrir o seu museu com uma gestão comprometida e qualificada, sinaliza que está de portas abertas para receber visitantes de qualquer rincão. Várzea e o dinamismo da sua gestão cultural, já mapeou suas potencialidades. São Mamede, ao criar uma Secretaria de Cultura e Arte, mostra o caminho que pretende seguir. No Vale do Sabugi, portanto, acenderam as luzes da esperança. Não há disposição nos agentes locais em mergulhar nas trevas oferecidas pelo descompasso histórico dos representantes das oligarquias no Senado e na Câmara Federal. As Capitanias Hereditárias que tratem guardar seus herdeiros no lixo da história.

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