Literatura: Intrigante e provocativo, Alice no País das Maravilhas completa 150 anos

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    Uma menina chamada Alice cai numa toca de coelho, que a transporta para um lugar fantástico povoado por criaturas originais e revelando uma lógica absurda característica dos sonhos. Parece um enredo simples, mas não é. Publicado originalmente em 1865, o livro Alice no País das Maravilhas vem encantando e intrigando leitores em todo o mundo há 150 anos.

    De autoria de Lewis Carrol, pseudônimo de Charles Lutwidge  Dodgson, a obra é considerada nonsense por alguns críticos e de interpretação nem sempre fácil, tanto para adultos como para crianças.

    Os 150 anos da obra não passaram em brancas nuvens no Brasil. Um grupo de Minas Gerais – Giramundo – vem encenando “As aventuras de Alice no País das Maravilhas” desde 2013. Este mês apresentou o espetáculo em Belo Horizonte.

    Na peça, quem faz a voz de Alice é a cantora Fernanda Takai, que diz ter se inspirado em Emília, a célebre personagem de Monteiro Lobato. O ex-Mutante Arnaldo Baptista emprestou voz ao Chapeleiro Maluco. A peça gerou um CD duplo, com canções compostas por Takai e John Ulhoa.

    Fernanda Takai fala sobre a peça e a obra de Carrol. “Acredito que a obra de Lewis-Carroll seja uma das mais adaptadas de todo o universo literário, seja sob a forma de animação, cinema, teatro, dança, artes visuais… Então seria um desafio enorme para mim, assim como para um grupo de teatro de bonecos como o Giramundo – consagrado internacionalmente há muitos anos. Como fazer uma montagem relevante, curiosa e inédita? Foram três anos de planejamento e trabalho que culminaram num espetáculo muito instigante. Espero que mais pessoas possam vê-lo, afinal esse texto é referência e fez parte da vida de muita gente”.

    Na Paraíba, “Alice no País das Maravilhas” continua sendo uma das obras preferidas de diversos autores. Jairo Cézar, autor de “Rapunzel e outros poemas da infância”, disse que leu “Alice…” na adolescência e ficou maravilhado.

    “A simpatia pelo chapeleiro, o medo da Rainha de Copas, enfim, não se passa impune pela mágica história de Carroll. Como li o livro em uma fase de transição na minha vida, acredito que isso contribuiu ainda mais com a identificação imediata com a personagem. Hoje leio Alice para minha filha. O livro tem um lugar de destaque na biblioteca dela”, afirma.

    André Ricardo Aguiar, autor de “Chá de sumiço e outros poemas assombrados”, não disfarça o entusiasmo ao falar sobre “Alice no País das Maravilhas”. Para ele, o livro tem tantos níveis de interpretação e avançou tanto em questões sérias – existe até obras de filosofia sobre Alice – que transcendeu seu objetivo, caso apenas Lewis Carrol queria apenas fazer uma homenagem a uma menina real, contando uma historia maluca.

    “É importante em vários campos, não só o literário, e tem uma qualidade visual, enigmática, psicodélica, que rendeu um sem número de adaptações para cinema, teatro, quadrinhos. O livro é incessantemente imaginativo, louco, de um nonsense brutal, mas nunca perde uma certa lógica (o autor era matemático também). E Alice é uma dessas personagens tão questionadora que parece avó da personagem lobatiana Emília. Enfim, é um livro que nunca se esgota e rendeu uma continuação tão boa que parece mesmo funcionar numa edição conjunta”, analisa.

    Águia Mendes, poeta que publicou “O Livro do Adivinhão”, entre outros, lembra que leu a obra ainda muito jovem, num exemplar que tomou emprestado na biblioteca da escola onde estudava. “As aventuras de Alice, assim como aquelas que vieram antes – a da turma do Pica-Pau Amarelo de Lobato -, me encantaram profundamente. Reli o livro de Carrol algumas vezes depois na idade adulta. Agora com prazer duplicado, na medida em que o amadurecimento me permitiu penetrar em certas zonas do livro então dificultadas pelo despreparo da adolescência. Mesmo com seus 150 anos, Alice no país das maravilhas segue encantando gerações, não apenas por um certo nonsense ou surrealismo que recobre toda a obra, mas sobretudo por sua linguagem inovadora, tanto do ponto de vista estético quanto moral”, comenta.

    Professor de psicologia e psicanalista, o escritor Ronaldo Monte – autor de, entre outros, “Memória do Fogo” – conheceu a história de Alice pela compilação do Thesouro da Juventude. Bem mais tarde, comprou uma edição muito bonita, com ilustrações coloridas e começou a ler para seus filhos.

    “Mesmo depois  que eles dormiam, continuava a leitura, fascinado pela narrativa vertiginosa e pelas guinadas lógicas que o texto oferecia com a maior naturalidade. Só depois fiquei sabendo das pretensões lógico-filosóficas do Lewis Carol e reli o livro com outros olhos. O país das maravilhas fica daqui a cento e cinquenta anos no futuro”, prevê, com a certeza de que a obra continuará por vários 150 anos encantando gerações.

    Por Linaldo Guedes, em A União

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