O nosso português é algo muito interessante, principalmente nas múltiplas facetas que uma só palavra pode ter. Um exemplo simples é o termo depressão. Na geografia, são consideradas as regiões mais baixas de uma área. Já na psicologia, é um dos principais males deste século. Mal que, como dizem por aí, até mesmo o prefeito Luciano Cartaxo anda padecendo diante da exposição do laudo pericial que a Polícia Federal elaborou sobre a revitalização da Lagoa.

A depressão do prefeito tem tudo a ver com as 200 mil toneladas retiradas do fundo do Parque Solon de Lucena, principal monumento do coração da capital. Uma lagoa, cheia de segredos, aos poucos sendo desvendados, revelou para a Controladoria Geral da União (CGU), para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Ministério Público Federal (MPF) e agora à PF que é possível realizar milagres míticos em pleno século 21. Falo da multiplicação de lama retirada de lá.

Uma lagoa com perímetro relativamente raso dada a proporção do que foi publicizado. Somente as notas fiscais da empresa Compecc, o processo de empolamento (aumento de volume do resíduo sólido) tentam ainda tornar crível o montante assombroso de 200 mil toneladas de lama.

O milagre se configura pela forma em que as muitas toneladas foram transportadas. Além de caminhões basculantes, 33 motocicletas ajudaram nesta etapa.

Ouvi dizer por aí que o prefeito teria contratado um psicólogo paulista para tentar sair da depressão, que o abateu desde a primeira fase da Operação Irerês.

Os sintomas de que Cartaxo não anda de bem com a vida foi a pausa abrupta nas suas excursões de finais de semana pelos rincões de tantos e tantos municípios paraibanos para bater aquela foto em diversas festividades e se projetar como expoente positivo para a agenda eleitoral em 2018.

A depressão se instalou e há duas semanas que o prefeito anda recolhido, sem uma agenda de inauguração de manutenção e conservação de escola municipal ou fiscalização do programa “inovador” Coração de Bairro, que nada mais é que serviços corriqueiros e obrigatórios de toda e qualquer prefeitura, tais como operação tapa buraco, coleta de lixo, poda de árvores e manutenção de praças. Só saiu à luz do dia para viagens para além Paraíba, para bem longe dos ecos de corrupção, desvio de recursos públicos e improbidade administrativa da obra da Lagoa dos Irerês.

Também, pudera, a pressão é grande. Ouvi burburinhos pelos corredores da CGU e da PF questionando sobre o que motiva Cartaxo a manter o cara que o afunda cada vem mais para o fundo da Lagoa. Não seria esta a gestão da transparência e da correção?

O ato de instalação de uma comissão para investigar a si mesmo, no âmbito da Prefeitura de João Pessoa, poderia até ser heróico, exemplar, se os membros integrantes desta não fossem todos subordinados ao prefeito. É tapar o sol com a peneira. Um leve desespero. Típico dos depressivos.

As denúncias de superfaturamento, desvio ético-moral-jurídico no processo de licitação, envolvimento de empresa fantasma em uma obra que enche os olhos do povo são potenciais gatilhos para que pessoenses também entrem em transe com o cenário local, não apenas com as novidades cotidianas da efervescente Operação Lava Jato. É preciso, mais do que nunca, em respeito ao eleitor que referendou sua reeleição, que Cartaxo admita que a depressiva trama dramática que envolve toda a obra, existe. Com todas as irregularidades que já foram descobertas e aquelas que apenas ele pode revelar. Só assim, João Pessoa viverá tempos de transparência e bem-estar social.

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