Historiador crê que carnavais dos anos 70 eram mais relevantes em JP

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    Centro dos eventos sociais e esportivos da cidade, os tradicionais clubes eram uma sensação em todo o país e na capital paraibana não era diferente. Até hoje, os grandes bailes que comemoravam a data deixam saudades, em pessoas de todas as camadas sociais, pois estes clubes se espalhavam por toda a cidade, desde os pequenos, localizados nos bairros, até os gigantes Esporte Clube Cabo Branco e Astrea. A festa começava na Quarta-Feira de Fogo, com a eleição do Rei Momo e da Rainha do Carnaval.

    Quem nasceu depois dos anos 1980 talvez não tenha ideia de como se brincava Carnaval até a segunda metade do século XX, mas os acontecimentos estão vivos na memória de muita gente. Os bailes mais famosos eram o Azul e Branco, do Clube Astrea, e o Vermelho e Branco, do Esporte Clube Cabo Branco.

    O historiador e jornalista Wills Leal explica um pouco de como eram as festas da época. “Até os anos 1970, tínhamos um Carnaval de fato, com importância e relevância, tanto nas ruas quanto nos clubes. Na década anterior, a gente chegava a ver 13 clubes com atividades durante o sábado de Carnaval, tanto nos maiores, quanto aqueles clubes de bairro, espalhados por Jaguaribe, Torre, Roger e Cruz das Armas”, cita.

    Para se ter uma noção da dimensão da festa, entre as décadas de 1950 e 1970, a população de João Pessoa não passava dos 100 mil habitantes. No entanto, pelas ruas e pelos clubes, mais de 60 mil foliões atiravam confete e serpentina, dançavam e cantavam marchinhas e, os mais animadinhos, arriscavam os passos mais complexo do frevo que só profissionais davam conta.

    Na época de ouro dos clubes, a axé music, gênero que domina o Carnaval hoje, ainda nem era pensado. As marchinhas carnavalescas predominavam. “Eram canções de 95 anos atrás que ainda são tocadas até hoje, preciosidades da música brasileira, nada parecidas com essa música de trio elétrico, que dão valor ao volume, cada vez mais alto”, relata Leal. “Além de perder a identidade carnavalesca, esse novo Carnaval está se tornando um produto estritamente comercial”, critica o historiador.

    Mas nem sempre as canções clássicas que conhecemos até hoje, como ‘Me dá um dinheiro aí’, ‘Allah-la-ô’, ‘Mamãe eu quero’ e ‘Abre-Alas’ reinaram. Até a década de 1920, os festejos dos clubes, especialmente os mais “chiques”, exigiam traje de gala, baile de máscaras e requinte.

    “Não lembrava em nada o Carnaval das décadas seguintes. Ao invés de frevo e marchinhas, tocava-se polca e foxtrox. Havia também uma separação entre ricos e pobres, as pessoas que tinham dinheiro festejavam o carnaval em clubes e espaços fechados. Os demais iam pra rua, cantar e dançar ao som de marchinhas e instrumentos improvisados”, relata Leal.

    No entanto, a introdução do lança-perfume, spray baseado em uma forma de cloreto de etila, quebrou essa formalidade. “O gás que a fórmula produzia enebriava as pessoas, deixando o riso mais fácil e a interação mais fácil”, explica Wills. Mas nem tudo eram flores. Em 1961, um decreto presidencial proibiu o uso do produto, por causa das substâncias tóxicas encontradas na fórmula.

    Com a urbanização da área da praia e a verticalização das cidades, com a construção de prédios cada vez mais altos, com áreas de lazer próprias, os clubes começaram a se esvaziar. “Foi uma tendência mundial, na verdade, mas aqui isso começou a acontecer durante a década de 1980”, avalia o historiador.

    Mas o que mais prejudicou nosso Carnaval, na visão de Leal, foi a competição desleal com as festas de estados vizinhos. “Com o surgimento do axé e o crescimento dos Carnavais de Salvador e do Recife, nossa cidade passou a se concentrar nas prévias carnavalescas, fazendo com que, durante a festa em si, nossa cidade fique morta”, critica.

    Baile Vermelho e Branco retorna

    Depois de um hiato de mais de uma década, o Esporte Clube Cabo Branco retomou o Baile Vermelho e Branco no ano passado, realizando-o este ano também. Em entrevista a um portal de notícias, o presidente do clube, Tavinho Santos, explicou que “é uma tentativa de resgatar um evento marcante para os festejos carnavalescos da cidade de João Pessoa”.

    De acordo com Wills Leal, o baile surgiu em 1953 quando o clube ainda funcionava no bairro do Jaguaribe. “Na época, houve uma reforma estatutária e o clube adotou um novo hino e novas cores. Para comemorar esta mudança, realizou-se o primeiro carnaval com o baile destacando estas cores. O evento foi realizado anualmente até 2002 e após isso passou 12 anos sem ser realizado, voltando no ano passado”, conta o historiador.

     Com informações de André Luiz Maia – Jornal A União

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