Frente Parlamentar pela Cultura potencializa integração e promove agenda positiva

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A Assembleia Legislativa da Paraíba instalou quinta-feira passada a sua Frente Parlamentar em Defesa da Cultura. A decisão vai ao encontro de necessidades sociais urgentes. Nada mais urgente do que mobilizar instituições no sentido de promover visibilidade para o fenômeno da cultura.

Cultura como um prisma polissêmico, palavra-valise de muitos sentidos. Tanto é a instância em que nos produzimos espiritualmente através da descoberta de um sentido moral e do pensamento mítico de cada gesto, em que conquistamos conceitos como os de linguagem, tempo e espaço, de individualidade e de coletividade, como é o processo contínuo da prática múltipla da cotidianidade material e simbólica.

A frente parlamentar pode funcionar como lente de aumento para novos focos de visibilidade de necessidades, repito, urgentes, relativas à promoção das atividades culturais que ampliem inteligências e provoquem sensibilizações por toda a sociedade.

Frente Parlamentar pela Cultura potencializa integração e promove agenda positiva
As quadrilhas juninas são uma das principais tradições culturais da Paraíba, que detém o título de maior São João Mundo para a cidade Campina Grande. Com incentivos cada vez menores, elas se esforçam para se manter em atividade.

A sociedade requer a construção pactuada com o poder público de uma agenda por parte da Frente que contemple aspectos como o financiamento de atividades culturais na perspectiva do empoderamento do setor para a expansão de políticas públicas.

Há recursos, mas eles são insuficientes para a dinamização de processos importantes como o atualmente executado pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado. Refiro-me à interiorização dos procedimentos de incentivo através de projetos e programas de qualificação para as atividades, tanto ao nível da infraestrutura como ao do protagonismo.

A Frente pode operar também no sentido de uma revisão da legislação em vigor em busca de prover mais acesso da população às práticas culturais e suas expressões, seu patrimônio imaterial, paisagístico, arquitetônico, seus produtos e serviços, sejam eles artísticos, turísticos ou educacionais. A promoção da memória cultural, a integração estadual através de uma agenda com as câmaras de vereadores. Há uma necessidade de um trabalho que a Frente poderá realizar.

Frente Parlamentar pela Cultura potencializa integração e promove agenda positiva
A atriz Zezita Matos em cena no teatro. Ícone da teatro paraibano, ela foi convidada a participar da novela das nove da TV Globo, Velho Chico. Um dos muitos exemplos do vigor artístico da produção teatral na Paraíba.

É claro que simplesmente institucionalizar uma intenção não deve ser a consequência da audiência pública em que a Frente foi instalada, iniciativa do deputado Bosco Carneiro, autor do projeto, e que foi apoiada naquele momento pelos também deputados Anísio Maria, Branco Mendes, Ricardo Barbosa, e pela deputada Estela Bezerra. Uma agenda integrada deverá ser definida. E realizada.

Outra urgência que a decisão da Assembleia contempla, no sentido de atendê-la no possível, é quanto ao necessário resgate da credibilidade e da legitimidade da atividade política e dos parlamentos.

O fato de o Congresso Nacional acolher na atualidade um grande número de deputados e senadores processados por diversos crimes de corrupção e a amplitude de escândalos como os mensalões do PT e do PSDB e o do pluripartidário petrolão são circunstâncias decisivas para o agravamento da crise da representação.

E é no sentido de sinalizar para possíveis positividades da política que se apresenta a Frente Parlamentar em Defesa da Cultura.

Agora, saímos da dimensão da instituição política em defesa da cultura para a defesa cultural que faz de si mesma a instituição política.

Frente Parlamentar pela Cultura potencializa integração e promove agenda positiva
Audiência de instalação da Frente Parlamentar pela Cultura na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Em tempos de baixa representatividade da classe política, a ação pode trazer maior credibilidade junto a população.

A análise histórica da política também enquanto uma verificação das implicações sociais, geracionais e institucionais das práticas de poder se dedica já há algum tempo à cultura política. Analisa e discute cientificamente, o que pressupõe teorias e métodos, portanto, sua dimensão antropológica quanto à representação na constituição da mentalidade das épocas, constituindo um imaginário específico que se elabora a partir de marcos míticos, de ritos, da linguagem, e de uma prática específica concreta. A dimensão sociológica, obviamente, é contemplada a partir da macroanálise da evolução do Estado e de sua estrutura formal através da história e de como a política se torna um fenômeno de massa e midiático.

Representação na democracia e na república, vida partidária, heroificação, personalismo e carisma, massa e poder, permeabilidade à participação da sociedade, mecanismos de controle social entre outros subjazem à criação da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura. Iniciativa positiva que redefine para melhor a relação do Legislativo com a sociedade.

(Reproduzido do jornal A União, 10/05/2016)

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