FHC diverge de Cássio e diz que não há fato concreto para o impeachment de Dilma

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    O pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), defendido pelo senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB), vem causando divergências dentro do ninho tucano. Neste final de semana, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso censurou, publicamente, a tese levantada pelo parlamentar paraibano.

    Para FHC, qualquer pedido de impeachment contra a presidente Dilma seria uma “precipitação”. Na avaliação dele, não há fato concreto para afastamento da petista. “Como um partido pode pedir impeachment antes de ter um fato concreto? Não pode”, disse o tucano, durante seminário com outros ex-presidentes latino-americanos no Fórum de Comandatuba, no Sul da Bahia.

    Segundo Fernando Henrique Cardoso, não cabe aos partidos políticos empunhar a bandeira do impeachment. “Impeachment não pode ser tese. Ou houve razão objetiva ou não houve razão objetiva. Quem diz se é objetiva ou não é a Justiça, a polícia, o tribunal de contas. Os partidos não podem se antecipar a tudo isso, não faz sentido”, declarou. “Você não pode fazê-lo fora das regras da democracia, tem que esperar essas regras serem cumpridas. Qualquer outra coisa é precipitação”, acrescentou.

    A tese de Cássio

    O senador Cássio Cunha Lima difere completamente da tese do ex-presidente. “Os partidos têm a obrigação de estar presentes nas ruas. Não para instrumentalizar nenhum movimento, como advertiu o presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas para cumprir, com humildade, sua obrigação de ouvir as pessoas, escutar seus anseios e dar respostas aos que protestam nas ruas”, enfatizou o paraibano em artigo publicado na versão online da Revista Veja.

    Para Cássio, a presidente Dilma cometeu erros imperdoáveis em uma gestão. “Ela violou a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ao atrasar pagamentos de benefícios sociais já liquidados aos bancos oficiais, contraiu empréstimos camuflados, segundo o Tribunal de Contas da União, o que a lei proíbe e pune. O governo segurou, até o fim das eleições, uma apuração de denúncias de suborno na Petrobras, o que configura crime de prevaricação. Fez “pedaladas fiscais” e financeiras – e a fatura nos chega em forma de inflação e juros em alta, ameaça de desemprego, perda de direitos trabalhistas e retração econômica”, argumentou o senador.

    Cássio finalizou seu artigo dizendo que teme o fim da democracia, caso medidas não sejam tomadas para atender à vontade popular. “Nosso desafio é evitar que a frustração com o governo se transforme em desencanto com o Brasil. E que a desconfiança com os políticos vire descrença com a política. Do contrário, as manifestações futuras talvez não apelem mais ao Congresso e aos políticos. A própria democracia sairá desacreditada. Talvez, derrotada”, concluiu o parlamentar paraibano.

     

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