Festival de Monólogos revela produções teatrais contemporâneas da Paraíba

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    O Só em Cena – Festival de Monólogos é um projeto realizado pelas produtoras MoveMoinhos e Parahybólica Cultural. Em sua primeira edição, o Festival reúne seis montagens paraibanas que serão apresentadas nos dias 26 e 27 de setembro, a partir das 19h, na Sala Vladimir Carvalho, na Usina Cultural Energisa. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (estudante), por dia. O evento tem o patrocínio do Fundo Municipal de Cultura (FMC), através da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).

    No atual cenário do teatro brasileiro há uma expressiva produção de monólogos, e especialmente na Paraíba, algumas de suas montagens figuram entre as mais importantes do país. O monólogo, este gênero teatral tão multifacetado, leva o ator a encarar não somente uma cheia plateia, mas principalmente a si mesmo, em toda sua potência. Com larga tradição, os monólogos vem conquistando um espaço fundamental para a formação de atores nas últimas décadas, tornando-se instrumento de pesquisas e análises do ponto de vista dramatúrgico, onde o artista desenvolve processos de criação e montagem, permitindo uma ampla reflexão sobre a prática artística.

    Para o Festival, a curadoria selecionou seis espetáculos paraibanos, reunindo nomes consolidados e novos atores, que passam a trilhar seus caminhos. Montagens de João Pessoa, Campina Grande e Sumé configuram a programação do evento, que já em sua primeira edição toma uma proporção estadual. Dentre a sua programação, o Festival renderá homenagens à atriz Zezita Matos, pelos seus 55 anos de carreira, os quais comemora com a montagem “Brevidades”.

     

    PRIMEIRO DIA (26/9)

     

    O Só em Cena se inicia no dia 26 de setembro, às 19h, com o espetáculo “Arquitetura e Império de Lugar Nenhum”, de Dan Oliveira, numa abordagem contemporânea sobre temas como poder, rivalidade, ilusão e vida. Constantemente o ator convida e provoca o público, que é protagonista, ao decidir sobre fatos, valores de eventos, localização temporal de personagens, influenciando na trama. Ao interpretar o quê vê e escuta ou sente, o espectador conta sobre si. Diante de um espelho no escuro ou penumbra, cada imaginação cria as próprias tramas ou se ressente de sua falta.

    Em seguida, a atriz Mayra Montenegro apresenta “De janelas e luas”, espetáculo inspirado no poema “Ismália”, de Alphonsus de Guimaraens. A atriz interpreta Maria, uma contadora de histórias que apresenta a todos uma comum história de amor, permeada de sonho, dor, desespero, devaneio e esperança. A contação de Maria dá vida à história de outras mulheres, trazendo ao palco Maria das Quimeras e Ismália, dois extremos, tendo como equilíbrio a voz da contadora. Ao interpretar os três papéis, Mayra Montenegro passeia entre agudos e graves, dinâmicas de intensidade, timbres e ritmos, transportando o público ao universo da história criada.

    E finalizando a primeira noite, o espetáculo “Meu Enterro”, do ator e diretor campinense Júlio César Rolim, uma montagem da Cia. Curinga. Um homem comum tem uma revelação. Conhecerá detalhes sobre o seu velório e enterro. Retratado sob o ponto de vista do defunto, o protagonista descreve os tipos comuns em velórios e enterro, narrando em detalhes as cenas de seu funeral.

    SEGUNDO DIA (27/9)

    Abrindo o segundo dia de Festival, a atriz Zezita Matos apresenta “Brevidades”, uma montagem do Coletivo de Teatro Alfenim, sob direção de Márcio Marciano. O espetáculo narra a história de uma ex-atriz que, impossibilitada de exercer seu ofício devido ao avançado estágio do Mal de Alzheimer, mistura ao tempo real do encontro com o público evocações de seu passado, no qual personagens reais e da dramaturgia universal, como Julieta e Ofélia, de Shakespeare, se fundem e se projetam como faces de uma persona múltipla. Se leva à cena os sintomas da doença e explora-se poeticamente sua repercussão, tanto na subjetividade de seu portador quanto das pessoas de seu convívio, fazendo-o repercutir na afetividade da plateia. O monólogo marca as comemorações dos 55 anos de carreira da atriz Zezita Matos.

    Na sequência, o ator Allan Barros, de Sumé, Cariri paraibano, apresenta “O homem que virou poemas e nunca mais morreu”, com texto de Andreza Silva. A esquete aborda a surpresa de um homem que um dia se depara com uma mudança: acordou poema e precisa lidar com os dilemas dessa nova condição. O que fazer com a beleza e a tristeza de ser poesia a não ser não morrer dela?

    E para encerrar a primeira edição do Só em Cena – Festival de Monólogos, o ator e diretor Daniel Araújo apresenta “Os Malefícios do Fumo”, de Anton Tchekov, montagem da Cia. Jazztual de Teatro. Um marido subjugado e vítima da opressão econômica exercida pela esposa é obrigado a proferir uma palestra sobre os males do fumo. O que era extremamente engraçado no início transforma-se no sentimento do contrário. O histriônico professor acaba revelando a miséria escondida por trás da sua aparência, compartilhando com os espectadores os dissabores de uma vida sem sentido agravada por um casamento arruinado que o impede de ser livre. O ator partilha com o público uma experiência teatral/musical com intuito de revelar uma realidade/experiência para além daquela sugerida pelo texto de Tchekov.

    ZEZITA, 55 ANOS DE CARREIRA

    Pelos seus 55 anos de carreira, o Festival tem a honra de homenagear a atriz Zezita Matos, pela sua dedicação ao desenvolvimento do teatro e do cinema brasileiros e paraibanos. Natural da cidade de Pilar, a professora e atriz teve uma vida dedicada à arte de educar e à arte de representar. Sua paixão pela atuação começou cedo, quando ainda na cidade natal ia assistir a filmes no mercado público da cidade.

    Com uma larga história no teatro e no cinema, Zezita se mantém permanentemente ativa, participando em filmes e montagens de espetáculos com o Coletivo de Teatro Alfenim, do qual faz parte. Dentre as dezenas de peças que integrou estão Quebra-quilos e As Velhas. No cinema, participou dos premiados Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), O Céu de Suely (2006) e Baixio das Bestas (2006). Em 2014, venceu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Paulínia, por A História da Eternidade (2014).

    O poeta e secretário de cultura, Lau Siqueira, escreveu especialmente para o Festival uma bela homenagem à atriz. “Zezita Matos é um pedaço do infinito dentro do que se expressa no mundo como teatro brasileiro. Sabe que a melhor maquiagem é o próprio personagem. Sabe que o cenário mais complexo é o que se reveste de silêncio. Diferencia o palco da vida e distribui dignidade, talento e carisma por onde passa. Sabe sempre transgredir a complexidade do universo artístico com a doçura de quem transita entre a palavra e o gesto. É imensa e submersa na arte. Emociona sempre. Seja nos palcos ou nas telas. Abraça com carinho os caminhos por onde abre alas para o amanhecer. Zezita Matos é uma mulher onde o teatro faz morada”, disse o poeta.

    PROGRAMAÇÃO COMPLETA

     

    26 de Setembro

    19:00 – “Arquitetura e Império de Lugar Nenhum” – Dan Oliveira

    20:00 – “De Janelas e Luas” – Mayra Montenegro

    21:00 – “Meu Enterro” – Júlio César Rolim (Cia. Curinga – Campina Grande/PB)

     

    27 de Setembro

    19:00 – “Brevidades” – Zezita Matos (Coletivo de Teatro Alfenim)

    20:00 – “O Homem que virou poemas e nunca mais morreu” – Allan Barros (Sumé/PB)

    20:30 – “Os Malefícios do Fumo” – Daniel Araújo (Cia Jazztual de Teatro)

     

    SERVIÇO

    Só em Cena – Festival de Monólogos

    Data: 26 e 27 de setembro

    Horário: 19h

    Local: Sala Vladimir Carvalho (Usina Cultural Energisa)

    Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (estudante) (por dia)

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