Da música ao teatro e à carreira solo, Escurinho fala de sua trajetória artística

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Jonas Neto nasceu em Serra Talhada, interior de Pernambuco, mas se paraibanizou ainda na infância: foi morar em Catolé do Rocha, no alto Sertão da Paraíba. Lá, ele se tornou amigo do cantor e compositor Chico César, hoje um dos seus ilustres parceiros, com quem ele criou o grupo Ferradura, de música alternativa.

Há anos vivendo em João Pessoa e com um trabalho consolidado no circuito regional de música e participações no teatro, ele é conhecido pelo apelido de infância que acabou adotando como nome: Escurinho. Ele explica a origem da alcunha:

“Na minha vida a música sempre caminhou junto com o futebol – o’Escurinho’ veio do futebol. Na minha infância, havia um jogador de futebol chamado Escurinho no Internacional de Porto Alegre (RS) que era um fenômeno na época, era um cara que todo mundo queria ser, todo jogar negro que jogava na ponta esquerda queria ser Escurinho. E eu, por coincidência, jogava na ponta esquerda e batia um bolão com meus amigos”, revela. Abaixo o vídeo com a entrevista completa:

“A primeira vez que fui chamado de escurinho ficou”, complementa dizendo também que não vê nenhum recorte de discriminação racial no mome que adotou. “E uma forma altamente humana e carinhosa de ser Escurinho”, defende.

Vau da Sarapalha

Músico respeitado no circuito independente, Escurinho teve uma única participação no teatro, mas que foi marcante. Ele integrou, em 1992, o elenco do espetáculo Vau da Sarapalha. Realizada pelo grupo de teatro da Piollin, a montagem teatral circulou toda a América Latina, ganhou diversos prêmios e se tornou um dos maiores ícones do teatro moderno no Brasil

Escurinho conta que, à época, tinha de conciliar a atuação no Vau da Sarapalha com apresentações em shows, até que o espetáculo ganhou uma projeção muito grande e chegou um momento em que ele teve de escolher entre os palcos do teatro e os da música.

“Eu tive de optar e o Vau da Sarapalha foi uma das opções mais maravilhosas que eu fiz”, relembra.

Primeiro álbum solo

Escurinho conta que teve a oportunidade de construir um trabalho musical próprio através da experiência com o Vau da Sarapalha.

“Como eu viajava muito (com o espetáculo) aproveitava as viagens para compor, para pesquisar e para conhecer coisas, pessoas e nisso eu consegui realizar meu primeiro trabalho solo como músico. O teatro me deu coragem”, ressalta.

Antes sempre com projetos musicais liderados por outros músicos, as vivências proporcionadas pela turnê do espetáculo lhe deram a matéria prima artística para lançar sua carreira solo com o álbum autoral Labacé.

Ele lembra da repercussão desse trabalho, que ultrapassou as fronteiras da Paraíba.

“O Labacé chegou em Recife num momento em que o Mangue Beat estava detonando, e eles tinham, um respeito muito grande pela gente”, relembra.

Banda Labacé

Junto com a carreira solo veio a parceria com banda Labacé, que se prolongou durante três álbuns. “Trabalhamos juntos durante 18 anos, produzimos três discos e por algum motivo sentimos que estava na hora de nos separar”, relata Escurinho, que explica que se tratava de um projeto construído coletivamente, apesar de o projeto musical levar seu nome.

Nas Estradas de Bom Nome

Em 2012, Escurinho venceu o primeiro lugar no II Festival de Músicas do Cangaço, realizado em Serra Talhada (PE), sua terra-natal. A canção vencedora foi “Nas Estradas de Bom Nome”, que fala da força e da resistência do sertanejo com uma alusão aos ícones do cangaço, como Lampião.

“Quando eu fiz a música me deu uma segurança tão grande, quando eu cantava a frase ‘sozinho nas estradas de bom nome’, aquela cosia me dava uma segurança e eu dizia ‘essa música vai dar certo”. Escrevi no festival e foi tiro e queda, a música ganhou todos os prêmios do festival: melhor letra, melhor intérprete, melhor canção”, relembra.

 

 

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