Conheça mais sobre os vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos

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    Numa época em que a atenção do público volta-se para os alimentos orgânicos e práticas responsáveis na agricultura, é de se esperar que o mundo do vinho acompanhe essas transformações. Rótulos como vinhos naturais, biodinâmicos ou orgânicos ganham espaço na preferência de bebedores conscientes, que aliam prazer, saúde e cuidado com o meio ambiente.

    Lis Cereja, proprietária da enoteca e restaurante Saint Vin Saint, em São Paulo, resume em três palavras sua paixão pelos vinhos naturais: pureza, autenticidade e sinceridade. “Muitos deles podem ter gostos e aromas muito diferentes dos vinhos convencionais. É como se você só tomasse iogurte de morango industrializado e um dia alguém te desse um iogurte feito em casa, com morangos frescos. Você se surpreenderia com o gosto, que é totalmente diferente do iogurte industrial.”

    Para conhecer melhor as diferenças entre orgânicos, biodinâmicos e naturais, siga a dica dos especialistas para acertar na hora da compra –e se prepare para se aventurar em um novo mundo.

    Orgânicos
    É o conceito com o qual o público está mais familiarizado. Segundo o sommelier chileno Hector Riquelme, há cerca de 2 mil aditivos que podem ser usados na vinicultura convencional.  Nos vinhedos orgânicos, é abolido o uso de pesticidas, herbicidas e adubos industriais.

    Biodinâmicos
    A agricultura biodinâmica vai além do cultivo meramente orgânico por se tratar de uma filosofia, não apenas uma técnica. “O produtor sente-se responsável pelo entorno da vinícola”, diz Hector Riquelme. A biodiversidade é respeitada, com o cultivo de outras espécies na propriedade para renovar as energias da terra e atrair abelhas que polinizam flores e frutos.

    “O vinho biodinâmico tem um aroma mais intenso e típico, é mais saboroso e saudável. Os tintos têm mais intensidade de cor, maior quantidade de polifenóis, uma vez que as cascas das uvas biodinâmicas são mais espessas. São vinhos onde o terroir se faz presente”, diz o enólogo Jefferson Sancineto Nunes, responsável pela produção da vinícola Santa Augusta, de Santa Catarina.

    Naturais
    O vinho natural pode ser feito a partir de uma produção orgânica ou biodinâmica, mas o que o torna diferente é a ausência de leveduras artificiais ou aromatizantes na vinificação e de sulfitos, como o dióxido de enxofre (SO2), para sua conservação. Outra característica de certos naturais é a cor turva, pois eles não passam por filtragem.

    “Quando bem-sucedida, a produção de vinhos naturais pode gerar rótulos que expressam de forma significativa o lugar onde foram criados”, diz Riquelme. Mas ele alerta os adeptos dos naturais para o fator conservação: você deve conhecer seu fornecedor e saber se o vinho foi transportado e armazenado corretamente, guardado em ambiente fresco e longe da luz. Delicados, por não terem conservantes, eles podem estragar mais facilmente.

    Alguns especialistas atentam para a necessidade de decantar os naturais por uma hora antes de servi-los, para que evoluam todas as notas desejadas de aroma e sabor. “A decantação não é obrigatória, mas pode ser um benefício. Na dúvida, decante”, ensina Lis Cereja.

    Do UOL

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