Comédia em crise: desunião e falta de espaço prejudica expansão na Paraíba

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    Encontros e debates sobre literatura, saraus poéticos, shows de bandas e cantores locais, exposições de artes visuais e até mesmo mostras de teatro. Espaços para a arte paraibana, mesmo com seus percalços, são conquistados um passo de cada vez. No entanto, ao pensarmos em espetáculos de comédia, à exceção de iniciativas isoladas, não conseguimos perceber regularidade. O que leva a isso?

    Para tentar encontrar respostas para essas questões, procuramos nomes de relevância do gênero no estado. Edilson Alves é ator e diretor da Companhia Paraibana de Comédia, uma das pioneiras da Paraíba em relação ao teatro humorístico e, para ele, a carência se deve por falta de união da classe. “Existem espetáculos, shows e apresentações de grupos, mas espaços e eventos específicos relacionados ao humor são poucos. Não acredito que seja falta de artistas de talento, mas sim de um movimento coletivo de artistas de humor”, opina.

    Espetáculo de maior sucesso da Companhia, o Pastoril Profano faz temporadas de verão há 11 anos, sempre lotando sessões durante os meses de janeiro e fevereiro. “Tem gente que diz que há espaço apenas para o Pastoril Profano em João Pessoa, o que eu discordo totalmente”, ressalta Edilson. “O pessoense adora humor e também adora teatro. Sempre quando há boa divulgação de peças teatrais, o público comparece. Há alguns anos, o Piollin fez uma mostra de grupos de teatro em geral por seis meses consecutivos. Acredito que falte divulgação, organização e iniciativa”, explica.

    O humorista Cristovam Tadeu diz que o espaço no qual os humoristas se sentem mais acolhidos é o teatro, pois o sistema de humor em bares não garante continuidade. “Minha geração, que iniciou nos anos 80, já se apresentou em bares, mas o cachê não era decente e o público desses estabelecimentos às vezes não estava disposto a ouvir piada, apenas queria conversar. O teatro foi a nossa saída para achar um publico bacana e diversificado”, relata Tadeu, que reconhece o trabalho do Pastoril Profano como uma iniciativa de humor que atrai público.

    Com a repercussão nacional de seu personagem Zé Lezin, Nairon Barreto viajou bastante e afirma que não só a Paraíba carece de um mercado interno de humor. “O Brasil inteiro sofre com isso. Muitos começam a fazer humor, mas não conseguem se manter. Quando notei que não tinha mais para onde crescer, eu fui pulando o muro para outros estados. É uma tendência natural”, diz.

    Questionado sobre as políticas culturais voltadas especificamente para os grupos de humor, o presidente da Funesc, Lau Siqueira, afirmou que é preciso pensar em estratégias. “Em termos de política cultural, não temos uma ação continuada e específica em relação ao humor. É uma falha nossa, por termos grandes talentos na área aqui na Paraíba, como Nairon Barreto, Cristóvam Tadeu, Piancó”, declara o gestor.

    Recentemente, a Funesc lançou o edital do 3º Salão Nacional de Humor José Lins do Rego. No entanto, Lau acredita que é preciso expandir essa ação para outras áreas, propondo um diálogo com os artistas da cena local. “Estou me colocando à disposição para conversar com os humoristas, para que se discuta isso e encontremos saídas, inclusive do ponto de vista profissional. O humor tem público no estado e isso propicia o desenvolvimento de um mercado local”, avalia Siqueira.

     Colaboração André Luiz Maia/Jornal A União

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