Colunista do JP repercute matéria do Paraíba Já sobre quantidade de ‘lixo’ retirado da Lagoa

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    O jornalista Rubens Nóbrega, em sua coluna no Jornal da Paraíba desta quarta-feira (14), repercutiu a reportagem do Paraíba Já, publicada na semana passada, sobre o “erro” de informação nas placas do entorno da Lagoa, em que dizem que foram retiradas 200 mil toneladas de lixo, dado desmentido pelo secretário de Infraestrutura de João Pessoa, Cássio Andrade. 

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    O jornalista atenta para o fato de que até agora, as placas não foram removidas e não houve uma retratação pública. Ele ainda afirma que é “inimaginável a remoção e despejo” deste montante de resíduos, sem causar algum impacto ao meio ambiente.

    Leia texto na íntegra

    Uma cordilheira de Lixo

    Se não admitir publicamente que exagerou na propaganda nem fizer a devida correção na placa em que anuncia a retirada de uma cordilheira de lixo da Lagoa, a Prefeitura de João Pessoa precisa explicar bem direitinho ao distinto público como removeu e onde colocou 200 mil toneladas de areia, lama, pedra, mato e entulho de toda qualidade. Precisa explicar, por exemplo, como realizou tamanha proeza sem causar impacto ambiental algum.

    Sim, porque são absolutamente inimagináveis a remoção e o despejo de 200 milhões de quilos de lixo sem causar qualquer dano ao meio ambiente ou a todo o ambiente onde foram jogados os detritos. Quero acreditar que tenha sido providenciado o licenciamento ambiental e, se foi, o cidadão tem o direito de saber qual órgão autorizou a operação e em quais condições. Ou será que fizeram o serviço ‘na tora’, como dizem lá em Bananeiras?

    Os questionamentos são muitos; as dúvidas, para não dizer suspeitas, maiores ainda. A Prefeitura deve informar também, por exemplo, quanto e a quem pagou para fazer o serviço ou se tudo estava incluído no contrato da obra da Lagoa como um todo, que abrange a dragagem do leito coberto pela água de modo a recuperar a profundidade original. Sobre esse ponto, até aqui a única informação disponível a respeito de custo é a de que teriam sido pagos R$ 6,2 milhões a um aterro sanitário para receber o material. Daí emerge mais uma questão: que aterro? Escolha do local e contratação do depósito foram feitas sem licitação? Ou isso ficou por conta da empresa responsável?

    Mas as 200 mil toneladas não seriam todas de lixo, que representaria apenas 10% do volume total. A maior parte do material escavado, empilhado nas bordas e depois levado ninguém sabe pra onde seria formada por sedimento, material sólido acumulado ao longo do tempo que deixou bem raso o fundo do lago. Assim explicou o secretário Cássio Andrade, da Infraestrutura Municipal, em entrevista ao Paraíba Já (paraibaja.com.br) publicada no último sábado (10).

    Segundo aquele portal, Doutor Cássio classificou como ‘infeliz’ a frase publicitária. Mas convenhamos: para o entendimento leigo, ou seja, no popular, seria complicado botar ‘sedimento’ em vez de ‘lixo’. Complicado mesmo, no entender do colunista, é o secretário manter como reais, plausíveis, retiráveis e removíveis as 200 mil toneladas ou os 200 milhões de quilos de resíduos. É tanto assim mesmo, Doutor?

    Desculpem a insistência ou a impertinência, filha do cruzamento do meu espanto com a minha completa ignorância no assunto. Mas, principalmente em função do meu desconhecimento, pesquisei na Internet e vejam só o que descobri, para meu particular assombro e, acredito, também dos leitores menos crédulos que tomarem conhecimento do que vai a seguir.
    • Nos cálculos do vereador Renato Martins, do PSB da Capital, para transportar 200 mil toneladas de lixo (ou sedimento, como queiram) a Prefeitura (ou a empresa encarregada) precisaria mobilizar pelo menos 100 caçambas trabalhando 24 horas por dia durante quatro meses.
    • Segundo o Guia dos Curiosos (guiadoscuriosos.com.br), a cada 24 horas o Brasil produz 240 mil toneladas de lixo, sujeira que seria suficiente para lotar 1.160 aviões cargueiros do tipo Boeing 747.
    • A Prefeitura precisaria, então, de 996 aeronaves do porte de um 747 para carregar as 200 mil toneladas que teria arrastado de dentro da Lagoa.
    • De acordo com a ficha técnica que peguei na Wikipédia, a ‘Enciclopédia Livre da Internet’, um 747 transporta cerca de 500 pessoas e no seu compartimento de carga cabem 84 mil quilos de bagagem.
    • No caso em discussão, para levar suas 200 mil toneladas de lixo – e sem ocupar o bicho todo – a Prefeitura precisaria fazer 2.380 viagens num avião daquele tamanho.

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