Clube de leitura de quadrinhos se reúne pela primeira vez nesta quarta no Espaço Cultural

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    A Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), por meio da Coordenação de Quadrinhos, lança o projeto HQ Leituras. A ideia é permitir que o público conheça melhor os quadrinhos disponíveis na Gibiteca Henfil, além de cativar o leitor de HQ por meio da criação de um clube de leitura no qual as pessoas devem se reunir, uma vez por mês, para discutir sobre a obra de um quadrinista. A obra escolhida para a edição de estreia da ação é “Piteco – Ingá”, do quadrinista paraibano Shiko, além de outros títulos de sua autoria. O clube se reúne pela primeira vez na quarta-feira (21), das 19h às 20h.

    Excepcionalmente neste caso, por ser a abertura do projeto, o autor marca presença no evento para conversar com o público sobre a obra e seu processo de produção. A ideia de criar um projeto nesse formato para a ocupação da gibiteca partiu do próprio Shiko e foi acatada pela Coordenação de Quadrinhos da Funesc.

    “A gibiteca é de extrema importância para a formação do público leitor de quadrinhos. Contudo, muitas pessoas não têm disponibilidade para frequentá-la durante a semana e mesmo entre os que frequentam, muitos não conhecem a variedade do seu acervo”, justifica Thaïs Gualberto, coordenadora de Quadrinhos da Funesc.

    O objetivo da ação é apresentar o acervo da Gibiteca Henfil ao público, além de estimular a leitura de HQs e diversificar o conhecimento de quadrinhos entre leitores ao mesmo tempo em que se busca ocupar o espaço. A proposta é possibilitar o acesso à parcela do público que não pode frequentar a gibiteca durante o horário comercial, além de criar um espaço de troca e interação entre o público.

    A obra – Em Piteco – Ingá, o povo de Lem precisa migrar porque o rio próximo à aldeia secou. No dia da partida, Beleléu e Piteco descobrem que Thuga foi raptada pelos homens-tigre. Com a ajuda de seus amigos, Piteco inicia a busca pela xamã da tribo.

    Em sua releitura dos personagens criados por Maurício de Sousa, Shiko mistura seres fantásticos do folclore brasileiro, elementos da cultura nordestina e locais que realmente existem, como a Pedra do Ingá. Primeiro monumento arqueológico de inscrições rupestres tombado pelo patrimônio histórico nacional (1944), a Pedra do Ingá tem 24 metros de comprimento por 3,5 metros de altura. Ninguém sabe o significado dos desenhos e inscrições.

    Criando um cenário de magia e encantamento, criaturas mitológicas são revisitadas pelo artista paraibano. O Curupira, chamado nessa aventura de Arapó-Paco, o Boitatá, chamado de M-Buantan e o Anhanguera, um Pterossauro encontrado no Brasil e na Europa.

    Mas a arte é mesmo o grande destaque de Piteco – Ingá. Tudo foi pintado com aquarela. O resultado são páginas cheias de detalhes e que merecem uma contemplação mais dedicada do leitor. Nesta graphic novel, Shiko demonstra a influência dos quadrinhos europeus. O traço rebuscado e pitoresco, o uso das aquarelas e o imaginário de seres fantásticos lembram o famoso quadrinista francês Moebius. Os closes e as poses das personagens femininas lembram o artista italiano Milo Manara.

    Para deixar a gente ainda mais impressionado com a arte de Shiko, Piteco – Ingá traz ainda a reprodução de alguns rascunhos, estudos dos personagens e uma amostra das etapas do trabalho do artista: lápis, arte-final e cores.

    O artista – Shiko – Artista plástico, ilustrador, grafiteiro, roteirista, quadrinista e diretor de curtas-metragens. Natural de Patos, interior da Paraíba, Francisco José Souto Leite começou trabalhando com publicidade, mas hoje alcança todas as áreas de arte.

    Shiko já expôs em feiras e exposições, individuais e coletivas. Na área de quadrinhos, editou e publicou a revista indie Marginal Zine. Colaborou com revistas independentes, como Café Espacial e Graffiti 76% Quadrinhos. Como ilustrador, Shiko colabora regularmente com revistas, jornais e agências de publicidade e já realizou exposições em Recife, no Instituto Europeu de Design (Holanda), no Salão do Livro de Paris, além de Lyon e Florença.

    Em 2014, o Shiko conquistou dois dos mais importantes prêmios do quadrinho nacional. Foi eleito o melhor desenhista do ano pelo Prêmio Ângelo Agostini e ganhou o 26° Troféu HQMix nas categorias Melhor Desenhista (por Piteco – Ingá e O Azul Indiferente do Céu) e Melhor Publicação de Aventura/Terror/Ficção (Piteco – Ingá).

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