Cida Ramos: do movimento estudantil ao protagonismo eleitoral em João Pessoa

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O PSB formalizou ontem a pré-candidatura da professora, assistente social e secretária de Estado Cida Ramos à Prefeitura de João Pessoa.

A escolha é uma resposta inteligente do partido aos múltiplos desafios que a conjuntura política nacional em convulsão apresenta, em ano eleitoral, às instituições estatais e à sociedade civil.

Partidos, agentes políticos, movimentos sociais, o eleitorado, todo o conjunto da sociedade, incluindo-se obviamente poderes como o Judiciário e entidades a exemplo do Ministério Público, têm à frente uma grande responsabilidade. A de assegurar renovação nos procedimentos que concretizam a escolha dos novos representantes municipais do Legislativo e do Executivo. Seja através dos controles estabelecidos pela legislação em vigor, que agora apresenta mudanças como o fim do financiamento privado de campanhas, seja através do voto em candidatos que sejam ficha limpa.

Entre os desafios mais urgentes, está a superação da frustração e do desalento de boa parte da população frente aos mecanismos eleitorais da democracia representativa por conta dos sucessivos escândalos que evidenciam a disseminação da corrupção em alturas estratosféricas e em profundidades abissais. Partidos e outras instituições políticas perderam quase que totalmente a credibilidade. Urge recuperá-la.

Nesse contexto, é de se considerar o nome da secretária Cida Ramos uma resposta inteligente do PSB a essa conjuntura devido às múltiplas notabilidades que a pré-candidata ostenta.

De origem familiar de baixa renda, portadora de deficiência, migrante que conquistou com intenso fervor e dedicação espaços privilegiados de interlocução e representação social, Cida Ramos é um símbolo de superação. Sua presença vitoriosa, de relevância local, estadual e nacional, simboliza, e isso o PSB soube interpretar muito bem, a dissolução de hierarquizações sociais ossificadas que resultam nos muros do improvável e do impossível construídos no caminho de muita gente. Ela é um símbolo de vitória, naquilo em que um símbolo tem de evocação dos princípios do reconhecimento e de identidade. E também naquilo que o símbolo associa ao afeto enquanto uma sensibilidade especial diante dos fatos do mundo que abalam, motivam e impulsionam as pessoas.

Mas Cida Ramos não é só um símbolo. E me perdoem este esquema simples, jornalístico, de uma possibilidade analítica, ao dizer que a pré-candidata a prefeita Cida Ramos é também um ícone geracional. Nessa condição, ela expressa uma escolha de viver e sentir e uma forma específica de adesão à política que motivou toda uma geração asfixiada pela ditadura militar de 1964. Geração comprometida com exigências morais e éticas relacionadas à igualdade, à solidariedade, à honestidade, e empenhada na contestação teórica e prática à opressão, ao obscurantismo, ao preconceito, ao elitismo e à exclusão social “programática” do capitalismo. Sua opção pelo socialismo significa uma aspiração por um coletivismo participativo.

Finalizo a exibição das notabilidades possíveis de identificar no nome da pré-candidata do PSB me referindo à sua condição de gestora pública que tanto pode ser definida como a de uma técnica política ou a de uma política técnica. Tanto ela atua na perspectiva das inovações incrementais das técnicas de condução das políticas públicas, quanto na articulação para a reprodução de métodos que otimizam as abordagens para a ação executiva, além de operar instâncias de participação e de diálogo que favoreçam a participação inclusiva para a cidadania ativa.

A efetividade de programas por ela geridos à frente da Secretaria de Desenvolvimento Humano do Estado atesta o caráter inovador do trabalho em curso. Ela enfrentará os desafios naturais de quem estreia na disputa por um mandato eletivo. Mas é uma política experiente forjada no movimento estudantil, laboratório de lideranças. E saberá fazer o que for preciso na hora em que a disputa precisar.

Ontem, fortes emoções dominaram todo o evento do PSB durante o qual o seu nome foi lançado. Quem esteve lá testemunhou momentos de resgate da paixão pela política, de reencantamento com a militância para fazer o trabalho da conquista do voto, mas principalmente de fixar o poder da união e da interação de forças populares e partidárias em busca do bem comum através de um projeto coletivo. Mais que a busca pela posse do poder que transforma, foi um abrir de asas. Asas da liberdade: para lutar, para fazer o melhor.

(Reproduzido de o Jornal A União, edição 03/05/2016)

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