Um dia após o presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati (CE), defender o desembarque do partido do governo Michel Temer e lançar simbolicamente o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (Dem-RJ), à Presidência da República, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) disse que os tucanos terão de escolher entre suas bases e os “cargos confortáveis” no governo.

Em entrevista nesta sexta-feira, o senador, que exerce interinamente a presidência do Senado enquanto Eunicio Oliveira (PMDB-CE) ocupa a presidência da República, defendeu que a cúpula da legenda siga os deputados, que são majoritariamente favoráveis à saída do governo.

– O que não podemos é abandonar o país. O que o PSDB deve fazer é não abandonar os seus. Se é para fazer uma escolha entre abandonar nossa bancada na Câmara e abandonar cargos confortáveis no governo, prefiro abandonar os cargos confortáveis no governo e ficar solidário à minha bancada na Câmara. Tem que respeitar os deputados, são eles que estão mais expostos, na linha de frente – afirmou o tucano.

O senador disse que Tasso Jereissati vem defendendo há algum tempo que os ministros do PSDB entreguem seus cargos, sem que isto signifique deixar de apoiar as reformas trabalhista e da Previdência. Isto mostra uma mudança de posição, já que, em maio, como primeiro ato após assumir a presidência interina do PSDB, Tasso Jeressati pediu aos ministros do partido que permaneçam em seus cargos até a divulgação das gravações envolvendo o presidente licenciado do partido, senador Aécio Neves (MG), e o presidente Michel Temer.

– O presidente do partido já vem defendendo há algum tempo que ministros entreguem seus cargos sem que necessariamente o PSDB se afaste da agenda de reformas. Queremos chegar à reforma trabalhista e, ouvindo os deputados, essa votação pode ser um marco importante para que isso (o desembarque) aconteça – defende o senador.

Cássio destacou ainda que o governo dá sinais de preocupação com o resultado da votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara sobre o acatamento da denúncia, tanto que está promovendo trocas de integrantes no colegiado para garantir uma votação mínima que permita a Michel Temer escapar. O senador afirma que um relatório favorável à continuidade do processo provocará um “efeito dominó” que pode causar um “colapso” no governo.

– O governo já dá sinais de que começa a ter preocupação com o resultado na CCJ quando incia o processo de substituição de alguns nomes. Isso revela dúvida e fragilidade do governo. Um relatório favorável ao andamento do processo pode ter um efeito dominó, um efeito cascata e provocar um verdadeiro colapso no governo – afirma Cássio.

– Podemos estar diante do início do fim com a posição do relator do PMDB porque Temer não tem nenhum apoio popular, ele se sustenta basicamente com apoio parlamentar. Se no seu próprio partido esse apoio estremece, claro que poderemos ter o acolhimento da abertura da ação penal – pontuou.

Para Cássio, os deputados do PSDB votarão em peso a favor da denúncia contra Temer.

– Se o partido tiver o mínimo de espírito de auto-sobrevivência, terá que respeitar a decisão dos seus deputados. Ouvi-los e acatar sua decisão. A contabilidade mais precisa é da CCJ, onde dos sete deputados, seis já se manifestaram favoráveis à abertura da denúncia e a tendência é que essa maioria se confirme também no plenário. É momento do partido ouvir não os caciques, os cardeais, mas ouvir os que estão no enfrentamento do cotidiano do problema – defendeu. As informações são de O Globo.

 

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