Cássio Cunha Lima promete oposição sem trégua à presidenta Dilma

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    Ao assumir uma bancada recheada de figurões, como os senadores Antonio Anastasia (MG), Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), promete uma oposição mais combativa, sem trégua à presidente Dilma Rousseff.

    “Não haverá nenhum minuto de trégua para quem tem responsabilidade com o que é público e trata o público como se fosse privado”, disse em entrevista ao blog do Noblat.

    Enquanto conta com o reforço de uma bancada definida como uma constelação, Cássio tem a árdua missão de amainar as vaidades, que inevitavelmente aparecerão. Ele garante, no entanto, que os interesses individuais não serão sobrepostos aos coletivos.

    O senador refuta a hipótese de que o pedido de impeachment de Dilma, que voltou a circular no meio político, seja uma tentativa de golpe.

    E recorda que, quando o ex-presidente Fernando Collor de Melo foi cassado, o PT não falou em golpe. “O impeachment é uma previsão constitucional”, rebate.

    Na opinião do parlamentar, Aécio, pela votação que obteve no ano passado (51 milhões de votos) na disputa para presidente da República, desponta como referência. Mas, segundo ele, o momento é de discutir as crises que assolam a sociedade.

     

    Confira a entrevista na íntegra 
    Qual a orientação da nova oposição ao governo Dilma? O que muda neste mandato?

    Com a legitimação que o senador Aécio Neves teve das urnas, nós teremos uma oposição mais combativa e aguerrida, principalmente diante dos desmandos que estamos verificando no governo. O tripé da nossa liderança será: fiscalizar, criticar e propor. Mostraremos que o PSDB tem um projeto para o Brasil.

    Como fazer oposição com o governo tendo uma base esmagadora no Congresso?

    A lógica da nossa ação será a vinculação com a sociedade brasileira. As pessoas estão perplexas com o que vem acontecendo. E o PT não pode mais jogar a culpa no passado. Quando o ex-presidente Lula assumiu, ele encontrou um país em ordem, equilibrado e com perspectiva para avançar. Dilma sucede a seu próprio governo, em um ambiente de caos.

    Como figurões da estatura de José Serra, Tasso Jereissatti e Antonio Anastasia atuarão?

    Costumo dizer que estou liderando uma constelação, com nomes qualificados. Todos são homens públicos experientes e sintonizados com o novo momento do Brasil. Vamos fazer a diferença, como fizemos na semana passada na votação da Mesa Diretora do Senado. Perdemos em plenário, ficamos fora da Mesa, mas ganhamos o respeito das ruas do Brasil pela postura firme e coerente que tivemos em não nos curvarmos às manobras do governo.

    Como ser líder de uma bancada com tantas estrelas?

    Basicamente, vou aproveitar o talento de cada um deles. Por exemplo, Antonio Anastasia é um dos melhores quadros do Brasil. Formado em gestão pública, com experiência administrativa, com postura ética e correta e com sensibilidade política. Anastasia é o exemplo dessa constelação que o PSDB tem para apontar o caminho futuro que o Brasil irá trilhar.

    Como o partido tratará as dissidências, como a ocorrida na eleição da Mesa do Senado, quando Lúcia Vânia apoiou Renan Calheiros?

    Com respeito à posição de cada um, mas sempre com comando partidário. Parafraseando Luiz Carlos Prestes, na “Carta aos comunistas”, nossos dramas individuais nunca poderão ser colocados num patamar de prioridade aos interesses do Brasil. Vamos respeitar as opiniões divergentes, que devem ser encaradas com tranquilidade e na base do diálogo de cada tema.

    O partido já trabalha para a candidatura de Aécio Neves para presidente da República em 2018?

    O partido tem, naturalmente, no senador Aécio a grande referência por causa do resultado das eleições de 2014. No entanto, não vamos antecipar disputas, nem discussões, sobretudo porque não é a prioridade do Brasil. O povo está preocupado com a crise de energia, a crise de abastecimento de água, com a falta de crescimento econômico, com o aumento de impostos e de tarifas, com inflação alta e com ameaça de desemprego. Essa é a nossa pauta.

    Após quatro derrotas consecutivas, o que o PSDB aprendeu para não repetir daqui a quatro anos?

    É difícil preparar um receituário. Mas precisamos nos aproximar cada vez mais da sociedade, para que o povo brasileiro identifique no PSDB o partido que tem experiência, compromisso ético e proposta para mudar o quadro desolador do Brasil. O PT, para ganhar eleição a todo custo, quebrou o Brasil. Hoje, o Partido dos Trabalhadores se distanciou por completo do seu ideário, o que ficou claro na recente nomeação do novo presidente da Petrobras. Dilma tinha dois caminhos: escolher alguém para reerguer a Petrobras ou nomear um tarefeiro, que está com a tarefa de limpar a cena do crime. Entre o interesse nacional e o do PT, mais uma vez a presidente optou pela linha de defesa dos crimes cometidos.

    Voltou a circular o suposto impeachment da presidente Dilma. É uma tentativa de golpe, como o PT vem defendendo?

    O discurso de golpe do PT é mais uma forma de desviar o tema. O impeachment é uma previsão constitucional para ser utilizado em situações em que a sociedade precisa de uma saída para uma crise que se agrava. Quando o ex-presidente Fernando Collor foi cassado, o PT não falou em golpe. Estamos com absoluta tranquilidade, cumprindo nosso papel. Vamos aguardar o desenrolar dos fatos. Qualquer que seja o cenário, o PSDB estará sempre atento à Constituição, que prevê o impedimento do presidente da República.

    Como a oposição encontrará um discurso contra a política econômica do governo, sendo que o ministro Joaquim Levy segue a linha ortodoxa do PSDB?

    O caminho que o ministro está percorrendo não é o caminho que nós faríamos. Infelizmente, o ministro Levy está olhando só pelo lado da receita. Ele só tem autonomia para aumentar impostos, mas não para cortar despesas, que era o caminho que nós iríamos percorrer. Não faz sentido cobrar do brasileiro mais impostos e manter a estrutura perdulária e inchada de 39 ministérios, com milhares e milhares de cargos. O PT abraça o seu projeto de poder.

    Por manobra do Renan Calheiros, a oposição ficou sem cargo na Mesa do Senado. Como será a relação com o presidente do Senado a partir de agora?

    Assistimos na semana passada os senadores Fernando Collor e Renan Calheiros atropelando a oposição, não em um movimento de ataque. Alguns pensaram que o senador Renan estava apenas se vingando daqueles que não votaram nele para presidente. Foi um movimento de defesa. Eles estão se preparando e montando as trincheiras para os embates que virão. Tivemos uma batalha onde trincheiras foram abertas para a guerra que está por vir.

    A oposição dará uma oportunidade para o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, ou partirá para o ataque?

    Não. Marcação firme. Não há mais paciência, nem tolerância por parte do povo brasileiro. O PT teve 12 anos de trégua e oportunidade para fazer o que prometeu quando o partido foi fundado. E o partido está afundado por ter se distanciado do seu discurso. O PT, que surgiu com a bandeira da ética, está afundado na maior crise de corrupção do Brasil. Estamos aqui para defender a sociedade. Não haverá nenhum minuto de trégua para quem tem responsabilidade com o que é público e trata o público como se fosse privado.

    Do Blog do Noblat

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