Caso Lagoa: Para defender família, auxiliar de Cartaxo desmonta defesa da PMJP

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Para defender esposa, cunhada, concunhado da acusação de tráfico de influência que envolve Caixa Econômica, Prefeitura de João Pessoa e a empresa Compecc, o secretário de Infraestrutura, Cássio Andrade, desmontou o único documento que tinha para se defender do relatório da Controladoria Geral da União (CGU). A fiscalização da CGU constatou um desvio de mais de R$ 10 milhões nas obras de reforma do Parque Solon de Lucena (Lagoa).

De acordo com Cássio, durante entrevista a uma rádio local, na tarde desta quinta-feira (08), ele admitiu que o ofício da Gerência de Governo (Gigov) da Caixa não tinha poder fiscalizador. “A minha esposa trabalha na Caixa e começou sua carreira em Fortaleza, é engenheira, e aqui em João Pessoa ela apenas supervisiona a equipe (do Gigov), até porque, a Caixa não tem poder fiscalizador”, declarou.

No ano passado, durante audiência pública, nota da Prefeitura de João Pessoa e entrevista à imprensa, foi o próprio secretário Cássio Andrade que tentou desqualificar o relatório da CGU apresentando como contraponto o ofício do Gigov enviado ao Ministério das Cidades para justificar as irregularidades apontadas pela CGU.

 

Tráfico de influência

Como dizem, parece que o buraco pode ser mais embaixo quando se trata da obra de revitalização do Parque Solon de Lucena (Lagoa). Isso porque o líder da oposição Bruno Farias (PPS) denunciou na Câmara de João Pessoa (CMJP), na manhã desta quarta-feira (07), um esquema de tráfico de influência para facilitar a liberação de recursos destinados à execução da obra, que tem mais de 90% custeio pelo Governo Federal.

De acordo com o parlamentar, durante o período de execução da obra, havia parentes do secretário de Infraestrutura de João Pessoa, Cássio Andrade, como funcionário da empresa Compecc, que foi quem realizou a etapa de drenagem e dragagem, em que foram constatadas pela Controladoria Geral da União (CGU) desvio de mais de R$ 6 milhões; funcionária da Gerência de Governo (Gigov) da Caixa Econômica Federal; e servidor da Seinfra.

Os documentos apresentados pela oposição apresentam uma situação no mínimo inusitada, para não dizer suspeita. A esposa do secretário Cássio Andrade, Luciana Maroja,  é servidora do Gigov de João Pessoa, setor da Caixa responsável por fiscalizar obras que possuem recursos liberados pela instituição, como no caso da reforma da Lagoa.

Na Prefeitura de João Pessoa, mais especificamente na Seinfra, secretaria em que Cássio é titular, sua cunhada, Flaviana Maroja Santos, é prestadora de serviços. Já o seu marido, que por conseguinte é concunhado de Cássio, foi funcionário da Compecc até dezembro de 2016 e exercia a função de gestor de obras da empresa. De acordo com a denúncia de Bruno, era Marcos quem levava os boletins de medição na Seinfra, secretaria em que sua esposa e concunhado trabalhavam. Atualmente, ele é prestador de serviços da pasta.

Além disso, a esposa de Cássio, a Luciana, que é lotada no Gigov como Engenheiro Civil Junior, também é sócia de Marcos em uma empresa. “Ela, então, trabalha no setor da Caixa que gerencia os contratos governamentais e autoriza a liberação do pagamento das medições. Ela pode até ter se averbado suspeita no processo da Lagoa, podendo ter se esquivado de assinar qualquer documento, mas tá na cara que ela fez uma forcinha para liberar o dinheiro das medições de uma obra, cujo responsável era o marido e um dos beneficiários, o cunhado e sócio”, afirmou.⁠⁠

Caso Lagoa: Para defender família, auxiliar de Cartaxo desmonta defesa da PMJP
Documento com assinatura de Luciana, esposa de Cássio.

Bruno explicou como poderia ter funcionado o esquema. “Cássio era a pessoa que, por parte da PMJP, fiscalizava a obra da Lagoa. O concunhado dele, que hoje é assessor da Seinfra, à época da obra da Lagoa, era funcionário da Compecc, empresa que executava a obra. A esposa de Cássio Andrade trabalha no setor de Gigov da CEF, a instituição que  atestava as medições e por meio da qual se faziam os pagamentos”, pontuou.

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