Cartaxo deveria saber que não seguraria todos da base este ano, diz especialista

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O cientista político e professor da UFPB, José Henrique Artigas, analisou o quadro político municipal após o protocolamento da CPI da Lagoa na Câmara Legislativa de João Pessoa.

Essa articulação pegou de surpresa o prefeito Luciano Cartaxo (PSD) e mobilizou a bancada de situação ao protocolar na Câmara mais quatro CPIs com o objetivo de inviabilizar a da Lagoa, utilizando como manobra a regra do regimento interno que estabelece que só podem haver três comissões parlamentares em funcionamento na Casa.

“Cartaxo, que durante todo o transcurso do seu mandato, manteve uma oposição de três ou menos vereadores na bancada, de repente, do dia para a noite, ela foi pra dez vereadores. Isso, é claro, vai ter um impacto político dentro do parlamento. E o impacto político se dá por conta dessa manobras. A CPI da Lagoa já havia sido sugerida desde o ano passado. O que a oposição não tinha era votos suficientes. Agora eles tem. Então, faz parte do jogo, a prefeitura já deveria estar preparada para isso”, analisa Artigas

“O prefeito já deveria saber que não conseguiria manter uma base de 24 vereadores até meses antes das eleições”, ressaltou ele.

Artigas ainda comparou a postura do presidente da Câmara de João Pessoa (CMJP), Durval Ferreira (PP), ao do presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no uso das prerrogativas do cargo para realizar manobras políticas.

“O presidente da Câmara está encaminhando, ele manobra de acordo com o regimento da Câmara. A mesma coisa vem fazendo Eduardo Cunha à frente da Câmara Federal: ele esta manobrando, mas está manobrando com os institutos com os quais ele dispõe. Entre esses institutos está a mesa diretora da Câmara, que é a única que pode dar prosseguimento a abertura processos de investigação. Ele está usando o poder que ele tem – ele tem muito poder”, explicou Artigas.

O cientista político ainda completou enfatizando o perfil de Durval Ferreira, que é o vereador que mais tempo esteve a frente da Casa Legislativa da capital paraibana em toda a sua história.

“No caso em particular da Câmara de João Pessoa, o Durval não é menino, ele está lá há muito tempo na presidência da Câmara Legislativa municipal. Então, ele conhece perfeitamente, melhor que qualquer outro vereador, o regimento da Câmara”, ressaltou Artigas.

“Então, é natural que nesse momento de conflito entre os partidos às vésperas do pleito eleitoral esse tipo de manobra aconteça. É manobra? É manobra, agora a prefeitura vai ter de mobilizar a sua base para tentar revogar. Eu acho que a essa altura do campeonato vai ser difícil”, completou ele sobre as articulações pró e contra a CPI da Lagoa.

 

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